Contaminação por superbactéria no Hospital do Guará isola pacientes

Hospital Regional do Guará

Pacientes estavam internados na unidade de saúde. Eles apresentaram focos na pele da bactéria resistente a antibióticos Klebsiella Pneumoniae Carbapenemase (KPC)

Por Otávio Augusto / CB

Seis pacientes estão isolados no Hospital Regional do Guará com a bactéria Klebsiella Pneumoniae Carbapenemase (KPC). O microrganismo é resistente a antibióticos, o que dificulta o tratamento. Segundo a Secretaria de Saúde, os doentes estão com focos da KPC na pele. Isso significa que o paciente não tem a infecção e não exige o uso de antibiótico, por exemplo. A pasta garante que não há contaminações em outros hospitais.

“Todas as medidas estão sendo tomadas para se evitar a transmissão. Não há indícios de surto. Esse quadro não é considerado um caso grave”, defende a gerente de Risco em Serviços de Saúde, Fabiana Mendes. Ela emenda: “Reforçamos a higiene do ambiente. Se a higienização era feita uma vez por dia, passamos a fazer três vezes. Isso reduz as chances de transmissão do microrganismo”.

Nos últimos oito anos, houve três surtos de infecção por KPC. Em 2010, 2013 e 2015, a Secretaria de Saúde notificou adoecimento e mortes pela bactéria. Há dois anos, 16 pessoas foram isoladas e quatro morreram. Em abril de 2013, pelo menos quatro bebês morreram infectados pela bactéria serratia no Hospital de Ceilândia.

A Secretaria de Saúde não explicou se os pacientes estavam internados na mesma enfermaria no Hospital Regional do Guará. A pasta não divulgou as idades e quais os tratamentos que os pacientes estavam recebendo. Com o diagnóstico de contaminação de KPC, eles estão isolados juntos. Até sexta-feira, cinco pessoas estavam com o microorganismo. No fim de semana, mais uma pessoa apresentou a bactéria na pele.

A KPC pode ser encontrada em fezes, na água, no solo, em vegetais, cereais e frutas. A transmissão ocorre em ambiente hospitalar, por meio do contato com secreções do paciente infectado. Os sintomas são febre, dores no corpo, especialmente na bexiga, e tosse. A falta de higiene, segundo a literatura médica, pode contribuir para a transmissão.

“Não faltou higiene”, diz Saúde 

Fabiana garante que não houve falhas na limpeza do hospital. “Não faltou higiene. A bactéria é comum no organismo do ser humano. Os pacientes que estão há muito tempo internados, são idosos, tomaram muito antibiótico ou tem deficit nutricional a bactéria passa a ser resiste aos medicamentos”, destaca.

Mesmo assim, medidas foram tomadas. “Recomendamos a higiene de mão para qualquer pessoa no hospital para se evitar a transmissão de um paciente para outro ou para outras áreas do hospital. Essa é a estratégia mais barata, simples e eficaz para frear a transmissão. Os servidores estão usando luvas e capote (espécie de avental) descartáveis em qualquer procedimento nesses pacientes”, conclui.

A KPC foi identificada pela primeira vez nos Estados Unidos, em 2000, depois de ter sofrido uma mutação genética que lhe conferiu resistência a múltiplos antibióticos e a capacidade de tornar resistentes outras bactérias. Essa característica pode estar diretamente relacionada ao uso indiscriminado ou incorreto de medicamentos, segundo especialistas.

Em maio de 2015, o Hospital Regional de Taguatinga (HRT) passou por uma limpeza geral das alas vermelha e amarela para conter a proliferação do microrganismo. Apesar do temor da superbactéria se espalhar, Fabiana descarta os riscos de um surto. “O caso é pontual, estamos acompanhando e não há motivo para alarde”, pondera.

Da Redação com informações do Correio

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