Governador Ibaneis Rocha no Palácio do Buriti.Foto: Renato Alves / Agência Brasília

Governador do DF respondeu desafio do presidente, que prometeu zerar imposto federal se executivos estaduais também zerassem o ICMS

Por Francisco Dutra*

Após o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) afirmar que iria zerar os impostos sobre combustíveis se os estados acabassem com a cobrança de ICMS, o governador Ibaneis Rocha (MDB) disparou que tem conhecimento para debater questões econômicas. E ressaltou que preferia debater o tema diretamente com o ministro da Economia, Paulo Guedes.

Bolsonaro deu a declaração na manhã desta quarta-feira (05/02/2020), ao deixar o Palácio da Alvorada. Segundo o chefe do Executivo federal, ele tem recebido críticas de governadores depois de pedir que o ICMS dos combustíveis fosse tributado na saída das refinarias, o que afetaria em peso a arrecadação dos estados.

“Eu desafio os governadores e zero hoje o imposto federal se zerarem o ICMS”, disparou o presidente.

Já Ibaneis afirmou que os ex-presidentes da República já zeraram os cofres dos estados. “Todos os estados da Federação e o Distrito Federal estão quebrados. E ele (Bolsonaro) tem consciência disso. Então, ele está tratando de um assunto que ele conhece e conhece muito bem”, ironizou o governador.

De acordo com o governador, as unidades da Federação não podem extinguir o ICMS. “Eu tenho que pagar escola, a saúde, manter a infraestrutura da cidade, tenho a máquina de custeio, pagar débitos com a União, fazer investimentos. E eu não tenho fábrica de dinheiro. Quem tem a fábrica é ele (Bolsonaro)”, argumentou.

“Eu preferia estar tratando desse assunto de economia com quem entende de economia, que é o ministro Paulo Guedes. Não com o presidente Bolsonaro, que desse ponto não entende”, pontuou o emedebista, após lançar programas de cartões para creches e reparos de escolas, no Palácio do Buriti.

Clima tranquilo

Depois das declarações, Ibaneis baixou o tom e afirmou que o clima com o Palácio do Planalto é tranquilo. O emedebista ressaltou que Bolsonaro naturalmente gosta de “chamar os desafios”. Porém, disse que a questão do ICMS é “matemática”.

“Então, é questão simples: é matemática. Não adianta a gente querer fazer política quando a situação é matemática”, ressaltou o governador. Ele insistiu que a discussão da revisão do pacto federativo deve seguir em marcha com passos concretos e a inclusão dos estados. “Sem isso, nada vai mudar. Nesse contexto, o desfecho dos debates econômicos no Congresso Nacional será decisivo”.

*Com informações do Metrópoles e Agenda Capital

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