“O Brasil está preparado para o enfrentamento da Dengue”, diz Divino Valero, especialista do Ministério da Saúde

Dr. Divino Valero Martins, coordenador nacional do programa Dengue, Zika, Chikungunya e Malária do Ministério da Saúde. Foto; Agenda Capital

‘Enquanto não houver vacina, o elo mais sensível desse processo continua sendo o combate ao mosquito’. (Divino Valero)

Por Delmo Menezes

Em entrevista exclusiva concedida ao Agenda Capital, o especialista em saúde pública do Ministério da Saúde, Dr. Divino Valero Martins, afirma que o país está preparado para o enfrentamento das doenças transmitidas pelo Aedes aegypti e outros mosquitos, deixando claro, no entanto, que a execução e o acompanhamento de perto, é feito através das secretarias estaduais e municipais de saúde.

Divino Valero é servidor de carreira do Ministério de Saúde há 35 anos, sanitarista e biólogo, com especialização em saúde pública. É coordenador nacional do Programa de Dengue, Zika, Chikungunya e Malária. No Distrito Federal, atuou como Secretário de Ciências e Tecnologia, Secretário do Trabalho e Secretário do Entorno do DF.

Nesta entrevista o especialista fala sobre o risco das arboviroses se alastrarem a partir de dezembro, as regiões do país com maior transmissão das doenças e a importância da participação do governo, sociedade civil e sociedade organizada, para o enfrentamento do vetor.

Leia a íntegra da entrevista:

AC – Qual o risco das Arboviroses (doenças transmitidas pelo Aedes, tais como: Dengue, Zika e Chikungunya) se alastrarem a partir de dezembro, e qual é a política pública do Ministério da Saúde para o enfrentamento dessas doenças?

Dr. Divino Valero – As ações se baseiam em 10 pilares básicos como: educação em saúde, controle vetorial, manejo ambiental, manejo clínico, atenção à saúde e diversas outras ações. Na verdade, isso tudo está contido no programa nacional de controle da Dengue do Ministério da Saúde, e que norteiam as ações dos estados e municípios.

AC – O país está preparado para o enfrentamento dessas doenças a partir de janeiro de 2019?

Dr. Divino Valero – Acreditamos que sim. Na realidade não existe nenhum modelo preditivo confiável, para afirmarmos, onde, quando e como isso poderá ocorrer. Estamos fazendo constantemente cursos de capacitação, processo de integração, fornecimento de materiais e equipamentos. A melhor resposta está na velocidade e eficácia dos estados e municípios.

AC – Que tipo de apoio o Ministério da Saúde está fornecendo aos estados e municípios para o combate a estas Arboviroses?

Dr. Divino Valero – Além do repasse financeiro, o Ministério da Saúde acompanha diuturnamente os índices de infestação dos vetores, promove cursos para médicos, enfermeiros, agentes de saúde, dá suporte aos laboratórios, promove pesquisas e investe em novas tecnologias, realiza seminários nacionais e internacionais para debater o tema e acompanha os estados nos casos em que há processos epidêmicos ou surtos.

Foto: Reprodução

AC – Estamos perdendo a guerra para o combate efetivo ao Aedes aegypti?

Dr. Divino Valero – Não. Essa é uma guerra histórica no Brasil. O combate a estes vetores é realizado há 115 anos, desde a época de Oswaldo Cruz até os dias atuais. Importante ressaltar, que os fatores macros determinantes como a ocupação desordenada, desmatamento, aquecimento global e o inchaço populacional nos centros urbanos, aliado a velocidade aos meios de transportes, faz com que as epidemias tenham outra dinâmica, e com isso se faz necessário, estarmos permanentemente discutindo alternativas e novas metodologias para o controle desses mosquitos. Enquanto não houver vacina, o elo mais sensível desse processo continua sendo o combate ao mosquito.

AC – Há no mercado expectativa de vacinas para estas doenças?

Dr. Divino Valero – Na verdade não existe uma previsibilidade de data de vacinas para essas Arboviroses. O que existe são pesquisas em andamento. Mas o que importa e o que o Ministério espera, é a participação de todos: governo, sociedade civil e sociedade organizada. Juntos podemos contribuir de forma mais assertiva possível no combate ao vetor.

AC – Qual as regiões do Brasil com maior probabilidade de transmissão do Aedes aegypti e outros mosquitos para o próximo verão, e porquê?

Dr. Divino Valero – Se nós considerarmos que dos 5.570 municípios já temos a presença do vetor em 5. 170, ou seja, mais de 98% dos municípios estão infestados com o mosquito. O risco ocorre e é permanente praticamente em todos os estados do Brasil. Mas hoje em especial no estado do Mato Grosso do Sul, pelos dados epidemiológicos e entomológicos. No Rio de Janeiro em função do problema social que está tendo, (diminuiu muito a qualidade da visita domiciliar). No Centro Oeste, principalmente em Goiás e no Distrito Federal, pelo histórico epidemiológico e pela distribuição espacial do mosquito.

Dr. Divino Valero, sanitarista e biólogo do Ministério da Saúde. Foto: Agenda Capital

AC – Em 2016, o Distrito Federal registrou mais de 15 mil casos de Dengue com 11 óbitos confirmados. Existe risco deste cenário se repetir em 2019?

Dr. Divino Valero – Os casos que foram registrados no DF como aquela epidemia de 2016, foram prontamente respondidos, até porque existia na época uma logística bem estruturada com equipes de campo montadas e trabalhando. O tamanho e a proporção de uma epidemia, depende muito da capacidade de resposta. Hoje não sabemos como está distribuído e organizado o pessoal de campo no Distrito Federal, mas sabemos que se estiverem corretamente distribuídos, organizados e preparados do ponto de vista de equipamentos e insumos, dificilmente o cenário de 2016 se repetirá. São dados específicos que eu acredito que a Secretaria de Saúde do DF, talvez tenha melhores condições de responder.

AC – Então, o senhor afirma que o perigo ainda existe no DF como ocorreu em 2016?

Dr. Divino Valero – Lógico que existe. O Distrito Federal tem todas as condições físicas e ambientais, pois temos a presença do vetor em todas as cidades satélites. O risco é relativo, basta que uma pessoa adquira o vírus, para isso poder se multiplicar. É preciso se intensificar o controle vetorial, e manter em alerta a vigilância.

Da Redação do Agenda Capital

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