OPINIÃO: Quem parou o Brasil?

Greve dos caminhoneiros. Foto: Reprodução

Por Raimundo Feitosa*

Sem caminhão o Brasil para. A frase tão lida nos para-barros de caminhão, se materializou na paralização dos caminhoneiros. A paralização é justa e merece apoio total e irrestrito. É uma pena que nosso bom humor e nossa cultura de “rir da desgraça” nos impeça de ver a real dimensão do movimento. As redes sociais falaram em demasia sobre o movimento, porém, a esmagadora maioria das postagens é cômica. Parece que a ficha não caiu, e o que era para ser visto como uma revolução é tratado, não só pelo governo, mas também pela população, como uma crise que será solucionada em breve. O grito de uns virou o lamento de muitos e o lucro de outros. Na escassez, se explora, ao invés de se ajudar.

Tudo agora é culpa da paralização. Preço nas alturas, por um produto que já estava lá. Ausência de serviço público, como se fosse novidade. Viagens canceladas. Comemorações adiadas. Serviços atrasados, e por aí vai.

Quem parou o Brasil?

O que segue são interrogações de uma mente confusa de um leigo que só quer entender o que está acontecendo.

Seriam os ladrões da Petrobrás ou os outros (a lista seria interminável) que, tal e qual seus comparsas, meteram a mão no erário sem dó?  Seriam os votantes ou os votados nas eleições municipais, estaduais e nacionais?  Seriam os corruptos ou os corruptores donos das empresas que monopolizam as grandes obras nesse País? Seriam os traficantes ou os usuários? Os partidos ou os partidários? Os líderes políticos que comandam até de dentro das cadeias, ou os políticos liderados que cumprem com fidelidade canina todas as ordens, por mais absurdas que lhes pareçam?  Como se vê dá pra arrumar um ‘bode expiatório’ com muita facilidade.

Mas há outros questionamentos sem reposta.

Cadê o dinheiro que nos roubaram? Por que nós (brasileiros) temos que pagar essa conta? Cadê a malha ferroviária que já levou muuuuito dinheiro e não funciona? Cadê o governo, na hora de cobrar as grandes empresas que devem rios de dinheiro à previdência? Cadê as riquezas de nosso País? Temos ouro, minério e petróleo, além do solo fértil e natureza exuberante, mas não conseguimos usufruir da nossa própria riqueza. Como se vê dinheiro não falta.

Mas ainda tem mais.

 Quem poderá nos defender? Quem poderá dar um choque de gestão nessa bagunça gerencial que virou nosso País de cabeça pra baixo?  Como se vê, não precisamos de políticos, mas sim de gestores. Não precisamos de especialistas, mas sim de trabalhadores que sejam servidores e não dominadores da Nação.

O fato de estarmos às vésperas da copa do mundo, e o Brasil (que será campeão se Deus quiser) ainda não estar pintado de verde e amarelo, pode ser bom, mas pode ser ruim. Se for apenas um reflexo da crise e da desmotivação do povo brasileiro é ruim. Mas se for a consciência política de que o momento não é para diversão e sim para mudança, aí é muito bom.

Por fim, o Brasil não parou por causa dos caminhoneiros, foram os caminhoneiros que pararam por causa do Brasil. A culpa não pode ser dos trabalhadores. O povo que geme sob a pesadíssima carga tributária e, mesmo assim, não desiste do País, não pode ser responsabilizado por tudo o que está acontecendo. Tá na hora de entrarmos no palácio (pelo voto popular em outubro) e colocar para fora os que realmente pararam o Brasil.

*Raimundo Feitosa – Jornalista, teólogo, escritor e colunista do Agenda Capital

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