Deputada Federal Paula Belmonte. Foto: Reprodução

Ex-ministro alegou que ao emprestar para países de risco, o Brasil estaria sendo mais democrático

Por Redação

Na oitiva dessa quarta-feira (22) na Câmara dos Deputados, a deputada federal Paula Belmonte (Cidadania-DF), repudiou a postura do ex-ministro da Fazenda e ex-presidente do BNDES, Guido Mantega, que sorriu ao afirmar que concedeu empréstimos à Venezuela, classificando o país como de baixo risco, tal como seria a Suíça. “Dar uma risada dessas, falando sobre U$ 14 bilhões, o senhor está brincando com o povo brasileiro, nós estamos falando sério”, criticou a parlamentar.

Paula Belmonte se referia à mudança autorizada pela CAMEX na classificação de risco de países que deixaram o nível sete – Venezuela, Cuba, Moçambique, Angola – para risco um, como a Suíça. A informação consta em relatório do TCU. A deputada questionou, inclusive, o que realmente foi exportado para a Venezuela, já que o documento aponta que não houve comprovação do comércio com o país vizinho, embora o recurso tenha sido emprestado pelo BNDES para execução de obras.
Paula Belmonte saiu impressionada da oitiva ao saber que o país, de acordo com o ex-ministro da Fazenda, optou por uma política de estado sem critério técnico, sem qualquer análise de risco para financiar países para os quais o restante do mundo não emprestaria.

A deputada ressaltou que dos U$ 14 bilhões envolvidos nas denúncias do BNDES, U$ 4 bilhões não foram pagos. “E nós estamos, sim, com muitos prejuízos. Também não foi comprovada a efetividade da exportação de bens e serviços e há indício de que houve superfaturamento. É importante deixar bem claro”, finalizou a deputada federal.
Guido Mantega argumentou que as decisões no BNDES eram muito técnicas e os projetos distribuídos às áreas especificas. “As empresas eram corruptas, estragaram tudo e fugiu aos princípios”, justificou.

Foi encontrada, ainda, uma conta na Suíça com o nome do ex-ministro e o montante de U$ 600 mil. A deputada Paula Belmonte destacou que, segundo os relatórios do Tribunal, essa conta não foi declarada no imposto de renda. Ainda foram apontados encontros informais em São Paulo entre Guido Mantega e Joesley Batista.
Habeas Corpus

Guido Mantega compareceu à CPI protegido por habeas corpus. Questionado pelo deputado federal Kim Kataguiri (DEM-SP), a respeito do silêncio para esta oitiva, o ex-ministro declarou apenas que se tratava de autodefesa para evitar a produção de provas contra si mesmo.
Após apresentação de imagens da Procuradoria Geral da República sobre o depoimento de Joesley Batista, onde ele alega pagamento de propina ao ex-ministro, Guido Mantega negou as afirmações e disse que se tratavam de mentiras.

O relator da CPI, deputado Altineu Cortês (PR-RJ), então, vai entrar com requerimento pedindo acareação entre o depoente Mantega, Joesley Batista e Victor Sandri. Nas imagens, Joesley conta que depositava cerca de R$ 70 milhões ao funcionário Sandri, que eram repassados a contas bancárias do ex-presidente Lula e da ex-presidente Dilma Rousseff durante a presidência.

Da Redação com informações da Assessoria

Delmo Menezes
Gestor público, jornalista, secretário executivo, teólogo e especialista em relações institucionais. Observador atento da política local e nacional, com experiência e participação política.

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