Cenário político do DF começa a se definir com articulações para o GDF e Senado
Por Delmo Menezes*
O calendário eleitoral pode ainda parecer distante para o cidadão comum, mas nos bastidores da política brasiliense, a corrida pelo Palácio do Buriti e pelas vagas ao Senado já estão a todo vapor. Com a necessidade de desincompatibilização dos atuais ocupantes de cargos no Executivo até março de 2026, a movimentação de peças no tabuleiro político do DF já é intensa — seja em reuniões discretas, alianças em formação, trocas de partido ou busca por protagonismo.
Ibaneis mira o Senado — ou voos mais altos
O atual governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha (MDB), é considerado por muitos analistas políticos, como um dos nomes mais fortes para disputar uma das vagas ao Senado. Seu eventual ingresso na Câmara Alta é visto como uma estratégia política e influência em nível nacional, além de abrir caminho para uma possível volta ao governo do DF no futuro.
No entanto, Ibaneis também é cotado para algo ainda mais ambicioso: uma eventual candidatura à vice-presidência da República, dada sua alta aprovação à frente do GDF e as articulações que vem costurando com atores nacionais do MDB e outros partidos a nível nacional.
Senado: disputa entre direita e esquerda se intensifica
Na oposição, a esquerda deve lançar a deputada federal Érika Kokay (PT) como sua representante ao Senado. Tradicionalmente, esse campo político detém cerca de 30% do eleitorado no DF — um número significativo, embora ameaçado pelo desempenho aquém do esperado do presidente Lula nas pesquisas recentes.
Pelo campo da direita, a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro é um nome que agrada fortemente a base bolsonarista do DF. Embora haja rumores de que ela poderia compor uma chapa presidencial como vice de Tarcísio de Freitas (Republicanos), sua eventual candidatura ao Senado por Brasília não está descartada.
Além disso, há uma movimentação importante no meio evangélico para lançar um nome único ao Senado — uma tentativa de evitar a fragmentação que prejudicou o segmento nas eleições anteriores. O Republicanos trabalha nos bastidores para garantir protagonismo, com vistas à indicação do vice na chapa de Celina Leão ao GDF. Nomes como do deputado federal Júlio César e do atual administrador de Taguatinga bispo Renato, surgem com uma opção.
Celina Leão se fortalece na disputa ao GDF
Na corrida pelo governo do DF, a atual vice-governadora Celina Leão (PP) desponta como uma forte pré-candidata. Após a vitória de Celina na Justiça que lhe causava desgaste político, a “Leoa” ganhou novo fôlego e vem ampliando sua base de apoiadores. Com a desincompatibilização de Ibaneis prevista para março do ano que vem, Celina assumirá o Buriti no mês de abril de 2026, o que lhe dará a visibilidade necessária para se consolidar como candidata natural à sucessão.
Nos bastidores, já existem conversas para que o Republicanos indique seu companheiro de chapa, fortalecendo a união com o segmento evangélico.
Nomes em baixa e especulações
Alguns nomes ventilados para a disputa ao GDF carecem de sustentação política. É o caso do interventor da segurança pública Ricardo Cappelli, que teria planos mais realistas de ocupar uma vice. Já o ex-deputado Leandro Grass (PV), apesar da boa votação na eleição passada, perdeu musculatura e não deve repetir o desempenho anterior.
O senador Izalci Lucas (PSDB) e a senadora Leila Barros (PDT) enfrentam dificuldades em consolidar grupo político suficiente para uma candidatura majoritária, ficando atrás de Celina Leão.
Reguffe: o retorno?
Um nome que ainda paira no ar é o do ex-senador Reguffe (sem partido). Após uma campanha frustrada em 2022, quando foi rifado pelo partido e tomou decisões tardias, Reguffe passou um tempo fora dos holofotes. Mesmo assim, seu espólio eleitoral permanece relevante e pode pesar na balança caso decida voltar ao jogo em 2026.
Rafael Prudente e Ricardo Vale: “só observando”
Enquanto os holofotes se voltam para os cargos majoritários, alguns parlamentares preferem aguardar. É o caso do deputado federal Rafael Prudente (MDB), que já anunciou que buscará a reeleição, e do deputado distrital e vice-presidente da CLDF, Ricardo Vale (PT), que se mantém atento às movimentações sem, até o momento, se colocar como pré-candidato a outro posto.
Temas locais terão peso decisivo
Questões importantes para a população do DF, como mobilidade urbana, infraestrutura, meio ambiente, segurança e principalmente saúde pública, serão determinantes na escolha do eleitor. Candidatos que demonstrarem maior conhecimento das necessidades da cidade terão vantagem. Brasília, por sua simbologia nacional, também exigirá dos postulantes preparo para dialogar com o país inteiro.
Ainda é cedo, mas o jogo já começou
A eleição de 2026 promete ser acirrada e imprevisível. Embora nenhuma candidatura esteja oficialmente lançada, o clima de pré-campanha já domina os bastidores. Entre articulações, alianças e estratégias, uma coisa é certa: quem quiser vencer terá que começar a trabalhar desde já.
Como dizia o saudoso mineiro Magalhães Pinto: “Política é igual uma nuvem. Você olha está de um jeito. Olha de novo e já mudou”.
*Delmo Menezes – Gestor público, jornalista, secretário executivo, teólogo e especialista em relações institucionais. Observador atento da política local e nacional, com experiência e participação política. É editor-chefe do Portal de Notícias Agenda Capital.
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