Alianças mal-sucedidas não afetam apenas os envolvidos, mas reverberam por toda a estrutura política
Por Delmo Menezes
No intrincado tabuleiro da política, onde o poder é o prêmio máximo, as alianças surgem como peças fundamentais. Especialmente no período pré-eleitoral, observamos um frenético movimento de articulações, promessas e a busca incessante por adesões. Como bem define o dicionário, uma aliança é um pacto ou tratado para determinada finalidade, um acordo bilateral de obrigação mútua. Na democracia, essa ferramenta é não apenas útil, mas essencial para a governabilidade em uma sociedade plural como a brasileira.
A essência e a aberração das alianças
É inegável que, em um cenário de múltiplas ideologias e partidos, nenhum ator político ou única corrente de pensamento pode, isoladamente, solucionar a complexidade dos problemas existentes. A formação de coalizões permite a construção de maiorias e a governança. No entanto, o que vemos frequentemente no Brasil transcende a lógica da construção programática.
No afã de angariar o maior número de apoiadores e figuras influentes, muitos políticos lançam-se em uma maratona de promessas que, de antemão, sabem ser de difícil cumprimento. Essa prática leva, invariavelmente, à quebra de compromissos e, consequentemente, ao rompimento de alianças. A lealdade, um pilar fundamental para o sucesso de qualquer acordo, muitas vezes é sacrificada em nome de interesses momentâneos.
O dilema das alianças e o eleitor confuso
No contexto brasileiro, é notório como interesses políticos, partidários e ideológicos são frequentemente deixados de lado na formação de alianças. Não é raro testemunhar a união de partidos com orientações absolutamente opostas, o que inevitavelmente confunde o eleitor. Essa aparente contradição ideológica revela a verdadeira natureza de muitas dessas articulações: elas não visam a implementação de um programa de governo específico ou a viabilização de uma determinada orientação, mas sim a garantia de uma maioria parlamentar tranquila para o governante eleito.
Essa estratégia, embora comum, gera um ciclo vicioso de desconfiança. Alianças mal-sucedidas não afetam apenas os envolvidos, mas reverberam por toda a estrutura política, comprometendo a credibilidade das instituições e a fé do cidadão no processo democrático.
O antigo ditado “Diga-me com quem andas e eu te direi quem és” nunca foi tão pertinente. Vemos frequentemente figuras que iniciam suas trajetórias políticas com boas intenções, mas que, ao longo do caminho, cedem à tentação de fazer alianças espúrias, que acabam por jogar por terra um trabalho que poderia ser grandioso.
As consequências pós-eleitorais
Uma vez passadas as eleições, chega à “conta” das alianças. Isso pode se traduzir na distribuição de cargos políticos para os aliados, muitas vezes sem a devida consideração pela qualificação ou experiência, e em outras concessões que podem enfraquecer ainda mais as estruturas do nosso país. Essa prática, embora rotineira, tem um custo alto para a nação, corroendo a eficiência da máquina pública e alimentando o clientelismo.
Em resumo, as alianças são um elemento vital na política, mas sua natureza e suas motivações merecem um olhar crítico. A busca desenfreada por influência e poder, muitas vezes, leva à formação de laços frágeis e oportunistas, com consequências desastrosas para a governabilidade e para a confiança pública. A “dica” é clara: alianças erradas sempre geram consequências negativas. É fundamental que o eleitor esteja atento a essas movimentações e que os políticos compreendam que a lealdade e a coerência são a base para uma política que realmente sirva aos interesses da sociedade.
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Da Redação do Agenda Capital





