Com o Palácio do Planalto sofrendo uma dura derrota no Congresso Nacional com a derrubada do aumento do IOF, caciques do PT avaliam que a articulação foi uma ação deliberada de sabotagem política promovida pelos presidentes da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), e do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP).
Por Redação
A crise política ganhou novos contornos com a percepção no núcleo petista de que não houve apenas um revés legislativo, mas uma quebra de acordos que rompeu de vez a frágil convivência entre os Poderes. A medida foi considerada inédita desde a redemocratização: a última vez que o Congresso derrubou integralmente um decreto presidencial foi há 37 anos, ainda no governo de Fernando Collor.
Segundo lideranças do PT, a ofensiva contra o Executivo não foi apenas simbólica, mas estratégica. O aumento do IOF (Imposto sobre Operações Financeiras), cuja arrecadação seria destinada a programas sociais, foi vetado pelo Congresso sem aviso ou justificativa formal, o que gerou indignação no Planalto. Caciques da legenda afirmam que o Executivo está disposto a judicializar o tema e transformar o episódio em um embate direto com o Legislativo.
Bastidores da tensão
Nos corredores do poder, a avaliação é que Alcolumbre agiu motivado por disputas internas, especialmente ligadas ao Ministério de Minas e Energia, pasta comandada por Alexandre Silveira — um dos alvos do União Brasil. A expectativa de parte do Senado era de que Lula demitisse Silveira para ceder espaço a aliados do centrão, o que não aconteceu.
Já Hugo Motta, segundo fontes do governo, teria pautado a votação do projeto que derrubava o aumento do IOF mesmo após dialogar com interlocutores do presidente Lula. O presidente da Câmara teria manifestado descontentamento com a campanha do governo que associava o aumento na conta de luz à derrubada de vetos pelo Congresso, mas terminou a conversa sem alertar que a pauta seria levada a voto.
PT quer contra-atacar
Diante da ofensiva, lideranças petistas indicam que o governo irá reagir politicamente. A estratégia passa por ressuscitar temas com forte apelo popular que estavam inseridos na medida provisória que acompanhava o reajuste do IOF. Entre eles, a taxação de super-ricos, a tributação de casas de apostas (as chamadas “bets”) e o aumento da conta de luz atribuída ao Centrão.
A meta é simples: acuar o Congresso pela pressão das ruas e das redes sociais, em uma tentativa de reverter o desgaste e transferir para os parlamentares a culpa pelas perdas arrecadatórias e sociais. Além disso, há o entendimento no PT de que aceitar a derrubada do IOF sem reação institucional representaria abrir mão de prerrogativas constitucionais do Executivo, abrindo precedente perigoso de governabilidade.
Ruptura nas relações
Do lado do Congresso, a percepção é que a relação com o Planalto foi rompida de maneira quase irreversível. Parlamentares que compõem a base fisiológica do governo, inclusive partidos que ocupam ministérios, manifestaram desconforto com o comportamento de Motta, considerado precipitado ao impor uma derrota histórica sem diálogo.
Entre líderes do centrão, há também receio quanto à judicialização do episódio. Lembram-se da última disputa com o STF que resultou no congelamento das emendas parlamentares, um trauma recente que ainda assombra as bancadas.
Apesar de vislumbrarem uma eventual recomposição no futuro, interlocutores do Legislativo afirmam que qualquer tentativa de reaproximação depende de reequilibrar forças e restaurar a confiança mútua. Como ressaltou um aliado de Lula: “Não se senta à mesa para negociar em posição de desvantagem”.
Eleições 2026
Para o PT, o episódio é mais um indicativo de que o caminho para a reeleição de Lula será turbulento e repleto de sabotagens internas. O partido deve usar a crise como catalisador de sua narrativa: a de que o presidente tem enfrentado resistências de um Congresso cooptado pelo centrão e por interesses econômicos que querem sabotar programas sociais e transferir o ônus do ajuste para os mais pobres.
Ao mesmo tempo, o Planalto buscará reforçar a comunicação direta com a população, sem intermediários, apostando em temas populares e no confronto político como instrumento de mobilização eleitoral.
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Da Redação do Agenda Capital





