Dr. Cid Carvalhaes - médico, advogado e escritor.

Por Dr. Cid Carvalhaes*

Inicia-se hoje, 1º de julho de 2025, a segunda metade do ano. É comum ouvir que o tempo passa rapidamente. Quando nos damos conta, o final do ano já está se aproximando e percebemos que fizemos pouquíssimas coisas. Surge, então, a reflexão: teriam os segundos, minutos, horas, dias, semanas, meses e o ano acelerado sua passagem ou continuam os mesmos? Certamente, permanecem iguais; o tempo, portanto, mantém suas dimensões de transcurso.

Quais seriam as razões para esse sentimento de agilidade? Vivemos em meio a avalanches de informações, muitas vezes sem conseguir dimensioná-las adequadamente. Notícias se sucedem, acumulando-se e sobrepondo-se. Comemorações, festas, múltiplos campeonatos esportivos, acidentes causados por intempéries da natureza, eventos de origens distintas, agressões pessoais, assassinatos, guerras fratricidas que se configuram em verdadeiros genocídios, prisões, apresentações artísticas, shows variados, atividades físicas, trabalho, hobbies — tudo acontece simultaneamente, fazendo-nos perder a noção do tempo para avaliar seu transcurso.

Será que essa dinâmica nos leva a viver de forma mais adequada e melhor? Tudo indica que não. Perdeu-se o humanismo, os convívios afetivos e emocionais, as conversas fluidas, interessantes e atraentes. As mídias sociais absorvem grande parte do tempo disponível para o exercício do humanismo. Os próximos seis meses nos trarão férias escolares, recesso parlamentar, Dia dos Pais, Dia do Soldado, Independência, Primavera, Dia da Padroeira do Brasil, Dia dos Professores, Dia das Crianças, Finados, Proclamação da República, Consciência Negra e os congraçamentos de final de ano, além de tantas outras realidades diuturnas. Parece que não há tempo para gerenciar nosso próprio tempo. É mais do que hora de recuperarmos o tempo da afeição, dos carinhos, da afetividade, dos amores, do verdadeiro humanismo.

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*Dr. Cid Célio Jayme Carvalhaes – Médico neurocirurgião, advogado e escritor. Foi Presidente da Sociedade Brasileira de Neurocirurgia, Presidente do Conselho Deliberativo da SBN, Presidente do Sindicato dos Médicos de São Paulo e Presidente da Federação Nacional dos Médicos. Especialista no Direito Médico e da Saúde e Coordenador do Curso de Pós-Graduação em Direito da Escola Paulista de Direito. É Colunista do Agenda Capital.

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