A Comissão de Direitos Humanos da CLDF informou que acionará o Ministério Público do DF e o Conselho Tutelar para que seja apurado o abandono do menino
Por Redação
Uma abordagem policial marcada pela truculência e desrespeito aos direitos humanos chocou a população do Distrito Federal nesta semana e gerou ampla repercussão entre autoridades e parlamentares. Dois agentes da Delegacia da Criança e do Adolescente (DCA), identificados como Gustavo Gonçalves Suppa e Victor Baracho Alves, foram flagrados agredindo um motorista na Quadra 112 Norte, na Asa Norte, na última quarta-feira (9).
A ação violenta ocorreu após um acidente de trânsito sem gravidade. O mais grave, no entanto, foi o fato de o motorista agredido, o videomaker Diego Torres Machado de Campos, de 42 anos, estar acompanhado do filho de apenas 5 anos, que presenciou toda a cena. Além disso, os policiais levaram o pai detido para a delegacia e deixaram a criança aos cuidados de desconhecidos na rua, numa evidente situação de abandono.
A situação gerou indignação e motivou manifestações de repúdio nas redes sociais por parte de parlamentares, tanto do Congresso Nacional quanto da Câmara Legislativa do Distrito Federal (CLDF).

Reações no Senado e na Câmara dos Deputados
A senadora Damares Alves (Republicanos-DF), presidente da Comissão de Direitos Humanos do Senado, classificou o episódio como preocupante e prestou solidariedade à família. “Conversei com o diretor da Polícia Civil do DF, José de Carvalho, e ele adiantou que já foi aberto procedimento para apurar o ocorrido. Estou especialmente preocupada com a saúde mental da criança”, declarou a parlamentar.
O deputado federal Fred Linhares (Republicanos-DF) também se manifestou com pesar: “Sou um grande defensor da segurança pública e dos nossos policiais, sempre fui. Mas também sou pai. E ver uma criança de 5 anos presenciar o próprio pai sendo levado daquele jeito e depois ficar sozinha no local não dá pra aceitar”.
Para ele, é preciso haver responsabilidade e preparo. “Isso não é sobre enfraquecer a polícia, é sobre fortalecer a atuação com respeito e humanidade”, afirmou.
A deputada federal Bia Kicis (PL-DF), em vídeo publicado nas redes sociais, narrou os acontecimentos e criticou a ação dos agentes: “Arrancaram o motorista do carro, apontaram armas e deixaram a criança no carro com pessoas desconhecidas. Por sorte, essa criança foi acolhida por mulheres que passavam pelo local. Isso não pode acontecer”.
Ela mencionou nota de repúdio da governadora em exercício do DF, Celina Leão (Progressistas), e enfatizou: “Essa não é uma abordagem típica dos nossos policiais do DF. Mas não podemos concordar com atitudes como essa”.
Já o deputado federal Zacharias Calil (União Brasil-GO), presidente da Frente Parlamentar da Primeira Infância, foi ainda mais direto: “A Constituição e o ECA são claros: proteger a criança é prioridade absoluta. Requisitei providências à Corregedoria da PCDF, ao MPDFT, à Secretaria de Segurança Pública, ao Conselho Tutelar e ao Ministério da Justiça. Isso pode configurar abuso de autoridade e abandono de incapaz”.

Atuação da Câmara Legislativa
A Comissão de Direitos Humanos da CLDF informou que acionará o Ministério Público do DF e o Conselho Tutelar para que seja apurado o abandono do menino. O deputado distrital Fábio Felix (PSol), presidente da comissão, declarou que a CDH já está prestando assistência à vítima e formalizará denúncia contra os agentes envolvidos.
A deputada distrital Paula Belmonte também divulgou nota em que repudia a conduta dos policiais: “Nenhuma criança deveria presenciar a cena de um pai sendo espancado, muito menos ser deixada sozinha, no meio da rua, em estado de pânico”. Para ela, o caso escancara uma falha grave do Estado. “Falhou a formação, falhou o protocolo, falhou a sensibilidade.”
Como foi a confusão
Segundo o relato do próprio motorista agredido, Diego Torres, a confusão começou após um incidente de trânsito no fim do Eixão Norte. Diego, que levava o filho Tito, de 5 anos, para o Parque da Cidade, foi fechado por um veículo preto descaracterizado que entrou em sua frente sem sinalizar.
Ao buzinar para evitar a colisão, os ocupantes do carro – posteriormente identificados como policiais civis – iniciaram uma perseguição e, ao interceptá-lo na altura da 112 Norte, o abordaram com extrema violência. “Fiquei assustado. Achei que era algum doido. O carro estava descaracterizado, não tinha nada de viatura”, contou Diego.
Na abordagem, ele foi arrancado do carro, algemado, agredido e levado à delegacia. Seu filho ficou no carro, chorando, e foi amparado por duas mulheres que passavam pelo local.

Providências
A Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF) confirmou a abertura de um procedimento interno para apurar a conduta dos agentes. O caso deve ser investigado também pelo Ministério Público do DF, com possível enquadramento por abuso de autoridade e abandono de incapaz.
A repercussão do episódio reacende o debate sobre a necessidade de maior preparo emocional, psicológico e técnico dos agentes públicos para lidar com situações envolvendo crianças e civis em geral. Parlamentares já articulam medidas para fortalecer a humanização da segurança pública e evitar que tragédias como essa voltem a acontecer.
Enquanto isso, a sociedade do DF acompanha com atenção os desdobramentos do caso, exigindo justiça, respeito e a garantia de que situações como essa jamais se repitam.
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Da Redação do Agenda Capital







