Um gestor público que utiliza os mesmos serviços que a população é alguém que, ao sentir na pele as deficiências do sistema, tem motivação real para promover melhorias
Por Redação
Em qualquer setor da iniciativa privada, a imagem e a coerência do representante da empresa são fundamentais para a credibilidade da marca. É difícil imaginar um executivo da Coca-Cola tomando Pepsi em um evento público ou o CEO da Fiat desfilando com um carro da Volkswagen. Nessas situações, o público imediatamente questionaria a confiança desses líderes nos produtos que representam.
No entanto, no setor público, essa lógica parece não se aplicar. Governantes e gestores públicos, com frequência, não utilizam os serviços que oferecem à população. Seus filhos não estudam em escolas públicas. Suas famílias não fazem tratamento de saúde pelo SUS. Eles raramente pegam ônibus ou enfrentam filas em repartições públicas. E o mais preocupante: isso é encarado com normalidade.
Essa desconexão entre o gestor e a realidade vivida pelo cidadão é um dos principais entraves para uma gestão pública mais eficiente, humanizada e voltada ao interesse coletivo. Quando o prefeito matricula seus filhos em escolas particulares, o governador recorre a hospitais privados ou o presidente viaja constantemente para o exterior para se tratar, eles estão, ainda que de forma simbólica, admitindo a ineficiência dos serviços que deveriam garantir à população.
A ausência de exemplo desmoraliza o discurso político e alimenta o descrédito nas instituições. Afinal, como esperar que a população confie na qualidade de um serviço que nem o próprio responsável confia?
Gestão pública não se faz com promessas ou decretos — faz-se com atitude. E nada é mais transformador do que o exemplo. Um gestor público que utiliza os mesmos serviços que a população é alguém que, ao sentir na pele as deficiências do sistema, tem motivação real para promover melhorias. Ele deixa de ser apenas um burocrata e passa a ser um verdadeiro servidor público — aquele que serve, e não apenas governa.
Tratar o cidadão como cliente e buscar constantemente a excelência no atendimento deveria ser a prioridade de qualquer gestão. Colocar-se no lugar do outro, experimentar a vida como ela é vivida pelos milhões de brasileiros que dependem da escola pública, do transporte coletivo, do posto de saúde da esquina, é um exercício essencial de empatia e responsabilidade.
Fica a reflexão: será que é tão difícil assim dar o exemplo? Ou será que é mais confortável manter o discurso bonito, enquanto se vive distante da realidade?
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Da Redação do Agenda Capital







