
Medida pode resultar no deslocamento de milhares de pessoas e interromper esforços de entrega de alimentos ao território
Por Redação
TEL AVIV – O Gabinete de Segurança de Israel aprovou um plano para tomar a Cidade de Gaza, informou o gabinete do primeiro-ministro Binyamin Netanyahu, na manhã desta sexta-feira, 8, no horário local. A decisão marca mais uma escalada da ofensiva israelense de 22 meses, lançada em resposta ao ataque do Hamas em 7 de outubro.
O premiê israelense já havia delineado planos mais abrangentes em uma entrevista à Fox News, nesta quinta-feira, em que ele afirmou que Israel planejava assumir o controle de toda a Faixa de Gaza – o país já controla cerca de três quartos do território devastado. Contudo, a decisão final, tomada após a reunião do Gabinete de Segurança de Israel durante a noite, não chegou a esse ponto e pode ter como objetivo, em parte, pressionar o Hamas a aceitar um cessar-fogo nos termos de Israel.
O plano aprovado na manhã desta sexta-feira também pode refletir as reservas do principal general israelense, que teria alertado que a proposta do premiê colocaria em risco os cerca de 20 reféns vivos restantes mantidos pelo Hamas e sobrecarregaria ainda mais o exército israelense após quase dois anos de guerras regionais. Os militares “se prepararão para assumir o controle da Cidade de Gaza enquanto fornecem ajuda humanitária à população civil fora das zonas de combate”, afirmou o gabinete de Netanyahu em um comunicado após a reunião.
‘Não há mais nada para ocupar’
Israel bombardeou repetidamente a Cidade de Gaza e realizou inúmeros ataques, apenas para retornar a diferentes bairros repetidas vezes enquanto os combatentes do Hamas se reagrupavam. Hoje, é uma das poucas áreas de Gaza que não foi transformada em zona-tampão israelense nem colocada sob ordens de retirada. Uma grande operação terrestre no local poderia deslocar milhares de pessoas e interromper ainda mais os esforços para entregar alimentos ao território assolado pela fome.
Não está claro quantas pessoas residem na cidade, que era a maior do enclave antes da guerra. Milhares de palestinos fugiram da Cidade de Gaza sob ordens de retirada nas primeiras semanas da guerra, mas muitos retornaram durante um cessar-fogo no início deste ano. Os palestinos já previam ainda mais sofrimento antes da decisão, e pelo menos 42 pessoas foram mortas em ataques aéreos e terrestres israelenses nesta quinta-feira, de acordo com hospitais locais.
“Não há mais nada para ocupar”, disse Maysaa al-Heila, que vive em um campo de deslocados. “Não há mais Gaza”, acrescentou.
‘Não queremos mantê-la’
Questionado na entrevista à Fox News antes da reunião do Gabinete de Segurança se Israel “assumiria o controle de toda Gaza”, Netanyahu respondeu: “Pretendemos, para garantir nossa segurança, remover o Hamas de lá”.
“Não queremos mantê-la. Queremos ter um perímetro de segurança”, afirmou o premiê na entrevista. “Queremos entregá-la às forças árabes que a governarão adequadamente, sem nos ameaçar e dando aos moradores de Gaza uma vida digna”, ele explicou.
O chefe do Estado-Maior Militar de Israel, Tenente-General Eyal Zamir, alertou contra a ocupação de Gaza, afirmando que isso colocaria os reféns em perigo e aumentaria ainda mais a pressão sobre os militares após quase dois anos de guerra, de acordo com relatos da mídia israelense sobre a reunião a portas fechadas do Gabinete de Segurança.
Combatentes liderados pelo Hamas sequestraram 251 pessoas e mataram cerca de 1.200 no ataque de 7 de outubro de 2023 que desencadeou a guerra. A maioria dos reféns foi libertada em cessar-fogo ou outros acordos, mas 50 permanecem em Gaza, e cerca de 20 deles, segundo Israel, estão vivos.
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Com AP




