O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos). Foto: Celso Silva/Governo do Estado de SP

No xadrez da sucessão, Bolsonaro mantém o jogo aberto. Interlocutores garantem que ele acena positivamente para Tarcísio, contrariando até mesmo pressões familiares

Por Redação

A movimentação do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, em defesa da anistia aos envolvidos no 8 de janeiro é mais do que um gesto político: trata-se de sua credencial para disputar a sucessão presidencial em 2026 com o apoio de Jair Bolsonaro. O gesto, porém, revela também o dilema que o ex-presidente e a direita enfrentam na definição de um nome competitivo para enfrentar Lula ou seu candidato.

Ao ir a Brasília e se reunir com lideranças do Congresso, Tarcísio deixou de lado a imagem de gestor técnico para assumir de vez a condição de articulador político. Seu objetivo é claro: conquistar a confiança de Bolsonaro e de sua base radical, demonstrando disposição em “levar às últimas consequências” a defesa do ex-presidente, caso chegue ao Planalto.

Mas a equação é complexa. A anistia ampla, incluindo Bolsonaro, continua improvável no curto prazo. O que Tarcísio busca é sinalizar que, eleito presidente, estaria disposto a conceder um indulto e batalhar para que o Supremo Tribunal Federal (STF) o validasse. Essa promessa é, ao mesmo tempo, um trunfo e um risco. Ao se comprometer demais com essa pauta, o governador pode perder pontes com a Corte — peça central em qualquer arranjo futuro de pacificação institucional.

No xadrez da sucessão, Bolsonaro mantém o jogo aberto. Interlocutores garantem que ele acena positivamente para Tarcísio, contrariando até mesmo pressões familiares, sobretudo de Eduardo Bolsonaro, que defende um herdeiro mais próximo do clã. No entanto, esse apoio pode não ser definitivo. O ex-presidente sabe da importância de manter a chama da anistia acesa no Congresso e, para isso, precisa do engajamento de Tarcísio junto ao Centrão — bloco que, aliás, tende a preferir o governador a um candidato da família Bolsonaro.

Outro fator que pesará é a competitividade de Lula em 2026. Se o atual presidente chegar forte à disputa, Bolsonaro tende a priorizar um candidato com maior capacidade de diálogo ao centro, o que favoreceria Tarcísio. Já se Lula demonstrar fragilidade, o ex-presidente pode sentir-se à vontade para lançar um nome da própria família, confiando que qualquer representante seu chegaria ao segundo turno.

Há ainda a questão partidária e administrativa. Lideranças do Centrão cobram uma definição até o início de 2026, pois será necessário preparar a sucessão em São Paulo e estruturar a chapa presidencial. Aliados do governador já trabalham para montar uma composição que tranquilize Bolsonaro — um vice de confiança, por exemplo, seria parte essencial do acordo.

No fim, a anistia é apenas a porta de entrada para Tarcísio no jogo de 2026. O apoio definitivo de Bolsonaro dependerá de um conjunto de variáveis: a postura do STF diante de um eventual perdão presidencial, a força eleitoral de Lula, o cálculo familiar do ex-presidente e os arranjos partidários no tabuleiro nacional. Hoje, a balança pende a favor de Tarcísio, mas a decisão final está longe de ser liquidada.

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Da Redação do Agenda Capital / Estadão

Delmo Menezes
Gestor público, jornalista, secretário executivo, teólogo e especialista em relações institucionais com experiência em diversos órgãos da administração direta e indireta. Analista político e observador atento da política local e nacional. Editor-Chefe do portal de notícias Agenda Capital.

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