Condenação de Bolsonaro acelera pressão do Centrão por anistia e sucessão com Tarcísio em 2026
Por Redação
A condenação do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) a 27 anos e 3 meses de prisão pelo Supremo Tribunal Federal (STF) reconfigurou o tabuleiro político em Brasília. O Centrão, bloco que reúne partidos de centro-direita e direita, articula intensificar ainda em 2025 a aprovação de um projeto intermediário de anistia. Em troca, pressiona para que Bolsonaro “ungira” o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), como seu sucessor na corrida presidencial de 2026.
A estratégia do Centrão
Segundo lideranças ouvidas reservadamente, o grupo não acredita na viabilidade de uma anistia “ampla, geral e irrestrita”, como defendem aliados mais próximos de Bolsonaro. A expectativa é aprovar um texto de consenso que, embora não devolva a elegibilidade ao ex-presidente, o retire do regime fechado. Só depois dessa etapa é que o Centrão pretende cobrar a definição de um nome para disputar o Palácio do Planalto.
Um dirigente de partido afirmou ao Estadão que a escolha do sucessor deve ocorrer até dezembro, no máximo em janeiro de 2026, para balizar as demais alianças eleitorais. O nome de Tarcísio de Freitas é visto como o preferido tanto pelo Centrão quanto pelo mercado financeiro, representado pela chamada “Faria Lima”.
PL na disputa pela filiação de Tarcísio
O presidente do PL, Valdemar Costa Neto, revelou que Tarcísio já sinalizou disposição de se filiar ao partido caso seja candidato à Presidência. Essa migração, no entanto, abriria uma ferida com o Republicanos, atual legenda do governador. Uma solução discutida nos bastidores seria a filiação do vice-governador Felício Ramuth (PSD) ao Republicanos. Ele assumiria o comando do governo paulista, garantindo ao partido a continuidade no Palácio dos Bandeirantes.
Ramuth é visto como nome de consenso para a sucessão estadual, mas outras candidaturas devem entrar em jogo. O MDB aposta no prefeito de São Paulo, Ricardo Nunes; o presidente do PSD e secretário de Governo, Gilberto Kassab, deseja espaço na chapa; e o secretário de Segurança Pública, Guilherme Derrite (PP), embora prefira o Senado, é pressionado internamente para disputar o governo.
Obstáculos jurídicos para Bolsonaro
Antes da condenação no STF, Bolsonaro alimentava a hipótese de manter sua candidatura até o fim, apostando em reverter as duas inelegibilidades impostas pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Em março, chegou a dizer que registraria a candidatura às “vésperas do segundo tempo” para forçar a Corte a decidir em prazo curto.
Com a decisão do Supremo, porém, o cenário se tornou mais restritivo. A condenação criminal enquadra Bolsonaro na Lei da Ficha Limpa, que prevê oito anos de inelegibilidade após o cumprimento da pena. Na prática, isso o deixaria fora de qualquer disputa até 2060, quando teria 105 anos.
Mesmo com a recente alteração na Lei da Ficha Limpa aprovada pelo Congresso — que antecipa o início da contagem da inelegibilidade para a data da condenação — Bolsonaro seguirá com os direitos políticos suspensos enquanto cumprir a pena. “Enquanto estiver com os direitos políticos suspensos, ele não pode concorrer à eleição”, explicou o advogado Alberto Rollo, especialista em Direito Eleitoral.
O dilema do ex-presidente
Aliados próximos acreditam que Bolsonaro só se convencerá a oficializar Tarcísio como sucessor quando não restarem mais saídas jurídicas. Um deputado do Centrão com trânsito entre os dois garante que o anúncio deve ocorrer apenas às vésperas da desincompatibilização, em abril de 2026.
Até lá, o Centrão corre contra o tempo: busca aprovar a anistia como gesto político ao ex-presidente, enquanto tenta costurar o acordo que poderá consolidar Tarcísio de Freitas como o herdeiro natural do bolsonarismo na disputa presidencial de 2026.
A condenação do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) a 27 anos e 3 meses de prisão pelo Supremo Tribunal Federal (STF) reconfigurou o tabuleiro político em Brasília. O Centrão, bloco que reúne partidos de centro-direita e direita, articula intensificar ainda em 2025 a aprovação de um projeto intermediário de anistia. Em troca, pressiona para que Bolsonaro “ungira” o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), como seu sucessor na corrida presidencial de 2026.
A estratégia do Centrão
Segundo lideranças ouvidas reservadamente, o grupo não acredita na viabilidade de uma anistia “ampla, geral e irrestrita”, como defendem aliados mais próximos de Bolsonaro. A expectativa é aprovar um texto de consenso que, embora não devolva a elegibilidade ao ex-presidente, o retire do regime fechado. Só depois dessa etapa é que o Centrão pretende cobrar a definição de um nome para disputar o Palácio do Planalto.
Um dirigente de partido afirmou ao Estadão que a escolha do sucessor deve ocorrer até dezembro, no máximo em janeiro de 2026, para balizar as demais alianças eleitorais. O nome de Tarcísio de Freitas é visto como o preferido tanto pelo Centrão quanto pelo mercado financeiro, representado pela chamada “Faria Lima”.
PL na disputa pela filiação de Tarcísio
O presidente do PL, Valdemar Costa Neto, revelou que Tarcísio já sinalizou disposição de se filiar ao partido caso seja candidato à Presidência. Essa migração, no entanto, abriria uma ferida com o Republicanos, atual legenda do governador. Uma solução discutida nos bastidores seria a filiação do vice-governador Felício Ramuth (PSD) ao Republicanos. Ele assumiria o comando do governo paulista, garantindo ao partido a continuidade no Palácio dos Bandeirantes.
Ramuth é visto como nome de consenso para a sucessão estadual, mas outras candidaturas devem entrar em jogo. O MDB aposta no prefeito de São Paulo, Ricardo Nunes; o presidente do PSD e secretário de Governo, Gilberto Kassab, deseja espaço na chapa; e o secretário de Segurança Pública, Guilherme Derrite (PP), embora prefira o Senado, é pressionado internamente para disputar o governo.
Obstáculos jurídicos para Bolsonaro
Antes da condenação no STF, Bolsonaro alimentava a hipótese de manter sua candidatura até o fim, apostando em reverter as duas inelegibilidades impostas pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Em março, chegou a dizer que registraria a candidatura às “vésperas do segundo tempo” para forçar a Corte a decidir em prazo curto.
Com a decisão do Supremo, porém, o cenário se tornou mais restritivo. A condenação criminal enquadra Bolsonaro na Lei da Ficha Limpa, que prevê oito anos de inelegibilidade após o cumprimento da pena. Na prática, isso o deixaria fora de qualquer disputa até 2060, quando teria 105 anos.
Mesmo com a recente alteração na Lei da Ficha Limpa aprovada pelo Congresso — que antecipa o início da contagem da inelegibilidade para a data da condenação — Bolsonaro seguirá com os direitos políticos suspensos enquanto cumprir a pena. “Enquanto estiver com os direitos políticos suspensos, ele não pode concorrer à eleição”, explicou o advogado Alberto Rollo, especialista em Direito Eleitoral.
O dilema do ex-presidente
Aliados próximos acreditam que Bolsonaro só se convencerá a oficializar Tarcísio como sucessor quando não restarem mais saídas jurídicas. Um deputado do Centrão com trânsito entre os dois garante que o anúncio deve ocorrer apenas às vésperas da desincompatibilização, em abril de 2026.
Até lá, o Centrão corre contra o tempo: busca aprovar a anistia como gesto político ao ex-presidente, enquanto tenta costurar o acordo que poderá consolidar Tarcísio de Freitas como o herdeiro natural do bolsonarismo na disputa presidencial de 2026.
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Da Redação do Agenda Capital





