
No Distrito Federal, a rede de incentivo ao aleitamento é referência mundial, com 14 bancos de leite humano e sete postos de coleta
Por Redação
O leite materno é considerado o alimento mais completo para os primeiros meses de vida. Rico em nutrientes, anticorpos e fatores de proteção, ele é fundamental para o crescimento e o fortalecimento do sistema imunológico dos recém-nascidos, especialmente dos prematuros e de baixo peso internados em unidades de terapia intensiva (UTIs) neonatais. No Distrito Federal, essa missão ganha um reforço especial: o apoio do Corpo de Bombeiros Militar do DF (CBMDF), que atua diariamente na coleta domiciliar de leite humano doado por mães voluntárias.
Acostumados a salvar vidas em situações de emergência, como incêndios e resgates, os bombeiros estendem sua dedicação ao transporte desse alimento essencial. Atualmente, 23 militares estão escalados para percorrer diferentes regiões administrativas em busca do leite doado, que garante a sobrevivência de centenas de bebês em recuperação.
A subtenente Daniela Moura, que integra uma das equipes do Hospital Regional de Taguatinga (HRT), destaca o impacto dessa atuação. “A gente costuma dizer que não está fugindo da nossa missão de salvar vidas. Esse ato também salva. São bebês muito prematuros, muito sensíveis, e por mais que a ciência avance, o leite materno é insubstituível. Ele é essencial para uma recuperação mais rápida, explica”. Segundo ela, são feitas em média 20 visitas domiciliares por dia.
A dedicação dos militares se soma ao esforço dos profissionais de saúde da rede pública. No HRT, a fonoaudióloga e chefe do Banco de Leite, Natália Conceição, alerta que os estoques ainda estão abaixo do necessário. “O leite humano é considerado padrão ouro pela Organização Mundial da Saúde. Ele transforma vidas. É um alimento que influencia todo o desenvolvimento da criança em recuperação. Tanto os militares quanto os servidores sentem gratidão por participarem dessa missão tão transformadora“.
No Distrito Federal, a rede de incentivo ao aleitamento é referência mundial, com 14 bancos de leite humano e sete postos de coleta. Apesar disso, a época da seca costuma ser crítica: em julho, o DF conseguiu atingir a marca de 2 mil litros coletados, mas em agosto o volume caiu para 1,7 mil litros — o que representa apenas 86% da meta mensal. Em média, entre 150 e 200 recém-nascidos em UTIs dependem do leite doado todos os meses.
Além da dedicação das equipes, histórias de mães doadoras também inspiram. A professora Sofia Mesquita, de 27 anos, mãe da pequena Clara, de 4 meses, conta que doar mudou sua vida. “Na minha primeira gestação eu tinha hiperlactação e jogava fora quase um litro de leite por dia. Foi muito sofrimento. Quando descobri que podia doar, isso se tornou uma cura para mim. No meu primeiro filho, doei mais de 38 litros só para o HRT. É trabalhoso, exige organização, mas quando a gente entende que esse leite pode salvar a vida de um bebê, tudo vale a pena“, relata emocionada.
De janeiro a agosto deste ano, o DF registrou cerca de 3,6 mil doadoras e mais de 12 mil litros coletados, número superior ao mesmo período de 2024 (11,7 mil litros). Graças a essas doações, cerca de 9,4 mil bebês foram atendidos pela Rede Brasileira de Bancos de Leite Humano (rBLH-BR) nos primeiros oito meses de 2025.
Como doar
Para ser doadora, a mãe precisa estar saudável e produzir mais leite do que o necessário para o próprio bebê. O cadastro pode ser feito pelo Disque Saúde 160 (opção 4), pelo site Amamenta Brasília ou pelo Portal Cidadão do DF. A coleta pode ser realizada em casa, com apoio dos bombeiros, que levam o leite até os bancos.
Assim que chega à unidade, o material passa por análises físico-químicas e microbiológicas, garantindo total segurança antes de ser ofertado. Refrigerado, pode ser utilizado em até seis meses.
“É um gesto simples, mas que não pode ser feito de qualquer jeito. Tem que acreditar na causa e no propósito do aleitamento materno. Quem está nessa missão sabe que cada frasco representa vida“, resume a subtenente Daniela.
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Da Redação do Agenda Capital




