O presidente Lula entre Guilherme Boulos, nomeado ministro, e Márcio Macêdo, exonerado do cargo Foto: Ricardo Stuckert/PR

O convite a Boulos, feito originalmente em maio, concretiza a intenção de Lula de ter um ministro dedicado a cuidar das mobilizações sociais para o pleito de 2026

Por Redação

BRASÍLIA – Em um movimento estratégico com vistas às eleições de 2026, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva nomeou, nesta segunda-feira (20), o deputado federal Guilherme Boulos (PSOL-SP) como o novo ministro-chefe da Secretaria-Geral da Presidência da República. A escolha, que insere Boulos no núcleo duro do governo, tem como principal objetivo a interlocução do Palácio do Planalto com os movimentos sociais e a articulação das mobilizações para a campanha de reeleição de Lula.

A entrada do deputado do PSOL na equipe é vista como um passo em direção a uma guinada à esquerda do governo, buscando reaproximar o Planalto de setores da sociedade que, segundo análises, têm se afastado do PT e da esquerda.

Boulos assume o cargo no lugar do petista Márcio Macêdo, que vinha sendo alvo de críticas internas e cuja saída era dada como certa há meses. A troca foi oficializada por Lula nas redes sociais, onde o presidente agradeceu o trabalho de Macêdo e anunciou a nomeação de Boulos para publicação no Diário Oficial da União nesta terça-feira (21).

Foco na campanha de 2026 e compromisso político

O convite a Boulos, feito originalmente em maio, concretiza a intenção de Lula de ter um ministro dedicado a cuidar das mobilizações sociais para o pleito de 2026. Para isso, o deputado se comprometeu com o presidente a não apenas defender o governo nas redes sociais, mas também a não disputar novo mandato de deputado federal no ano que vem.

A decisão de não concorrer à reeleição se justifica pelo calendário eleitoral, que exige a desincompatibilização dos ministros seis meses antes das disputas, ou seja, em abril do próximo ano, caso quisessem se candidatar. Esse compromisso, no entanto, gerou desaprovação em uma ala da bancada do PSOL, já que Boulos é um importante “puxador de votos” do partido na Câmara.

A estratégia de Lula, que aposta em sua recondução, visa fortalecer o nome de Boulos para uma nova disputa pela Prefeitura de São Paulo em 2028. O presidente inclusive sonha em filiar Boulos ao PT no futuro.

Resistências e superação de mal-estar

A escolha de Boulos, que já foi coordenador nacional do Movimento dos Trabalhadores Sem-Teto (MTST), não foi isenta de resistências iniciais. Integrantes do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra (MST) manifestaram contrariedade, dadas algumas divergências históricas com o deputado. Além disso, colegas do PSOL também se opuseram à sua decisão de integrar o governo.

Auxiliares de Lula, contudo, asseguram que esse mal-estar foi superado.

A nomeação de Boulos é a 13.ª substituição no primeiro escalão do governo desde 2023. O ex-ministro Márcio Macêdo, que foi tesoureiro da campanha petista de 2022 e chegou a se queixar de “fogo amigo”, deve concorrer a uma vaga na Câmara em 2026.

A expectativa é que um número significativo de ministros (o Planalto calcula entre 18 e 20) deixe seus cargos em abril do próximo ano para concorrer a governos estaduais ou a cadeiras no Congresso e em Assembleias Legislativas.

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Da Redação do Agenda Capital

Delmo Menezes
Gestor público, jornalista, secretário executivo, teólogo e especialista em relações institucionais com experiência em diversos órgãos da administração direta e indireta. Analista político e observador atento da política local e nacional. Editor-Chefe do portal de notícias Agenda Capital.

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