
Segundo o estudo, nas primeiras fases da infância as células beta ainda estão em formação. Antes dos sete anos, elas se organizam em pequenos aglomerados ou até mesmo de forma isolada.
Por Redação
Um estudo publicado na revista Science Advances trouxe uma descoberta inédita que ajuda a explicar por que o diabetes tipo 1 costuma ser mais grave quando aparece em crianças pequenas, especialmente antes dos sete anos. De acordo com pesquisadores da Universidade de Exeter, no Reino Unido, o pâncreas ainda está em desenvolvimento nessa fase — e, por isso, torna-se mais vulnerável ao ataque do sistema imunológico.
O diabetes tipo 1 é uma doença autoimune que afeta cerca de 400 mil pessoas somente no Reino Unido. Ele ocorre quando o organismo passa a destruir as células beta do pâncreas, responsáveis pela produção de insulina, hormônio que regula os níveis de açúcar no sangue.
Por que a doença é mais severa nos primeiros anos de vida
O novo estudo analisou amostras de pâncreas de 250 doadores e mostrou que, nos primeiros anos de vida, as células beta ainda existem em pequenos aglomerados ou isoladas. Com o amadurecimento, elas se organizam em estruturas maiores chamadas ilhotas de Langerhans, que são mais resistentes ao ataque imunológico.
Quando a doença se manifesta cedo demais, antes que essas células amadureçam, elas são destruídas rapidamente — o que explica a forma mais agressiva do diabetes tipo 1 em crianças pequenas. Já em pacientes mais velhos, parte dessas ilhotas sobrevive, permitindo a produção residual de insulina e reduzindo a gravidade do quadro.
“A pesquisa realmente esclarece por que a doença é mais agressiva em crianças”, afirmou à BBC a pesquisadora Sarah Richardson, líder do estudo. Segundo ela, as descobertas tornam “o futuro muito mais promissor” para crianças diagnosticadas hoje.
O caso de Gracie: doença avançou em menos de 48 horas
A história de Gracie, hoje com oito anos, ajuda a ilustrar o impacto da doença em crianças pequenas. Em 2018, aos 12 meses de idade, ela apresentou inicialmente um leve resfriado, mas rapidamente evoluiu para um quadro grave.

“Ela passou de uma criança feliz, que cantava e dançava, para quase morrer em menos de 48 horas”, contou o pai, Gareth. “O diagnóstico continua sendo a pior parte da nossa vida.”
Desde então, a família precisou reorganizar toda a rotina, controlando rígidamente alimentação, glicemia e doses de insulina. Hoje, com o uso de bomba de insulina e monitor contínuo, Gracie vive bem com a doença. “Ela é uma superestrela”, destaca o pai.
Novos medicamentos podem retardar o avanço da doença
A descoberta abre caminho para terapias capazes de proteger as células beta até que elas atinjam um estágio mais maduro. O Reino Unido já aprovou o teplizumabe, uma imunoterapia que evita que o sistema imunológico ataque as células do pâncreas, mas o medicamento ainda não está disponível no NHS, o sistema público de saúde britânico.
“Esperamos que novos medicamentos possam prevenir ou retardar o início da doença nesses jovens”, diz a dra. Richardson.
“Peça que faltava no quebra-cabeça”
A pesquisa integra o Type 1 Diabetes Grand Challenge, iniciativa que reúne a Steve Morgan Foundation, a Diabetes UK e a Breakthrough T1D.
Para Rachel Connor, da Breakthrough T1D, o estudo fornece “a peça que faltava no quebra-cabeça”, ao explicar por que o diabetes tipo 1 evolui tão rapidamente em crianças pequenas.
Já Elizabeth Robertson, da Diabetes UK, afirma que a descoberta abre novas perspectivas:
“Entender essa agressividade pode permitir o desenvolvimento de imunoterapias que desacelerem ou até interrompam o ataque imunológico, oferecendo às crianças anos preciosos sem a dependência de insulina — e, no futuro, quem sabe, eliminando totalmente a necessidade dela.”
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Da Redação do Agenda Capital




