
Em entrevista caótica, Trump afirma que Europa “está se autodestruindo” e insinua abandono da Ucrânia
Por Redação
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, voltou a provocar forte reação internacional ao atacar duramente a Europa e insinuar que poderá retirar o apoio norte-americano à Ucrânia. Em uma entrevista considerada confusa e marcada por declarações contraditórias ao Politico, cuja transcrição foi divulgada nesta terça-feira (09/12), Trump classificou o continente europeu como “fraco”, “em decadência” e “se autodestruindo” devido às políticas migratórias.
O mandatário norte-americano também repetiu argumentos típicos da extrema-direita europeia e norte-americana, ecoando teorias conspiratórias sobre substituição populacional e alegando que líderes europeus seriam “estúpidos” por permitirem fluxos migratórios.
Pressão sobre Zelensky e ameaça velada de abandonar a Ucrânia
Em um dos momentos mais sensíveis da entrevista, Trump pressionou o presidente ucraniano Volodymyr Zelenskyy a aceitar sua proposta de cessar-fogo — uma iniciativa que, segundo informações do Financial Times, forçaria a Ucrânia a ceder partes de seu território à Rússia em troca de vagas garantias de segurança dos EUA.
A publicação revelou que enviados de Trump deram a Zelensky alguns dias para responder à proposta, e que o presidente norte-americano espera um acordo “até o Natal”.
Trump afirmou, sem apresentar provas, que Moscou “mantém a vantagem” na guerra e que Zelensky deveria “entrar no jogo”. A postura marca uma escalada na pressão sobre Kiev e alimenta temores sobre um possível abandono do apoio militar e diplomático dos EUA à Ucrânia.
Durante a entrevista, Trump demonstrou desconhecimento sobre cidades ucranianas e distorceu fatos importantes do conflito.
Ataques raciais à Europa e insultos a líderes estrangeiros
O presidente dos EUA insistiu em descrever os desafios europeus em termos abertamente raciais. Trump afirmou que a Europa “deixará de ser viável” devido à imigração e citou de forma alarmista fluxos originários do Oriente Médio, da África e até de prisões no Congo — afirmações sem fundamento factual.
Ao comentar mudanças em cidades como Londres e Paris, Trump deixou claro que, em sua visão, o problema seria elas se tornarem menos brancas. Ele voltou a atacar o prefeito de Londres, Sadiq Khan, a quem chamou de “cruel”, “repugnante” e “incompetente”.
Khan ironizou a obsessão do presidente norte-americano:
“Não sei por que Trump é tão obcecado pelo prefeito de Londres”, disse. “Talvez ele não suporte uma cidade liberal, progressista, diversa e bem-sucedida.”
Trump ainda disse apoiar líderes europeus impopulares, como o primeiro-ministro húngaro Viktor Orbán, e declarou que sua prioridade é apenas uma: “Tornar a América Grande Novamente”.
Reação imediata e indignação na Europa
As declarações intensificaram o mal-estar entre Washington e os governos europeus, já abalado pelas recentes posições da Casa Branca. A nova estratégia de segurança nacional dos EUA, divulgada na semana passada, já havia alarmado os parceiros ao afirmar que a Europa vive um “apagamento civilizacional” causado pela imigração — uma narrativa que líderes europeus classificaram como um ataque à democracia liberal.
O chanceler alemão, Friedrich Merz, considerou partes da estratégia dos EUA “inaceitáveis” e rejeitou a ideia de que a Europa precisaria ser salva pelos americanos:
“Não vejo necessidade de que salvem nossa democracia. Se fosse preciso, faríamos sozinhos”, afirmou.
A chefe da diplomacia da União Europeia, Kaja Kallas, chamou a postura dos EUA de “provocação”, enquanto o presidente do Conselho Europeu, António Costa, foi mais incisivo ao condenar o apoio americano a partidos nacionalistas e de extrema-direita: “O que não podemos aceitar é a interferência dos EUA na política europeia.”
Crise diplomática em formação
Com ataques diretos aos principais líderes europeus, pressão explícita sobre a Ucrânia e repetição de narrativas radicais, Trump acende mais uma crise na relação transatlântica. As falas reforçam o isolamento diplomático dos EUA e criam incertezas quanto à continuidade do apoio à Ucrânia em pleno conflito.
Para aliados europeus, o discurso marca um ponto de inflexão e sugere que a política externa dos Estados Unidos entrou em uma fase de ruptura ideológica sem precedentes com o bloco europeu.
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Da Redação do Agenda Capital





