A notícia provocou uma reação imediata em Wall Street, com investidores vendendo ações da Novo e da Lilly, e a farmacêutica dinamarquesa prometendo contestar judicialmente a decisão da Hims.

Novo comprimido da Hims acirra guerra de preços no mercado de medicamentos para obesidade

Por Redação

A empresa de telemedicina Hims and Hers Health anunciou, nesta quinta-feira (5/2), o lançamento do que promete ser o comprimido para emagrecimento à base de GLP-1 mais barato do mercado norte-americano, com preços inferiores aos praticados por medicamentos consagrados como Ozempic, Wegovy e Mounjaro. A novidade surpreendeu gigantes do setor farmacêutico, como a dinamarquesa Novo Nordisk e a americana Eli Lilly, e provocou forte reação em Wall Street.

O medicamento oral da Hims será oferecido por US$ 49 no primeiro mês e US$ 99 nos meses seguintes, para consumidores que optarem por um plano de cinco meses. O valor é comparável ao custo de serviços mensais de internet ou streaming nos Estados Unidos, o que, segundo analistas, pode ampliar significativamente o acesso ao tratamento para parte dos cerca de 200 milhões de americanos com sobrepeso ou obesidade.

O anúncio ocorre em um momento de intensa disputa por preços no mercado de medicamentos para perda de peso. Em janeiro, a Novo Nordisk passou a oferecer sua própria versão oral do Wegovy por US$ 149 para usuárias iniciantes e US$ 199 nos meses seguintes. Já a Eli Lilly planeja lançar seu comprimido GLP-1 em abril e tem sinalizado preços mais acessíveis, inclusive por meio de uma nova plataforma de venda direta.

Reação imediata do mercado

A notícia teve impacto imediato no mercado financeiro. As ações da Novo Nordisk caíram 8,6%, atingindo o menor patamar desde julho de 2021, enquanto os papéis da Eli Lilly também recuaram cerca de 6%. A farmacêutica dinamarquesa afirmou que pretende contestar judicialmente a iniciativa da Hims.

Na véspera do anúncio, a Novo já havia alertado investidores sobre uma pressão “sem precedentes” nos preços de seus medicamentos para emagrecimento e revisado para baixo sua projeção anual.

Caixas de Wegovy, fabricado pela Novo Nordisk, são vistas em uma farmácia em Londres, Grã-Bretanha.

Novo afirma que seu comprimido é único

Durante reunião com investidores, o CEO da Novo Nordisk, Mike Doustdar, afirmou que consumidores que optarem pelo comprimido de US$ 49 da Hims estariam “jogando dinheiro fora”. Segundo ele, o medicamento da Novo utiliza uma tecnologia exclusiva que melhora a absorção do princípio ativo, algo que, na visão da empresa, não estaria presente nas versões manipuladas.

A porta-voz da Novo, Ambre James-Brown, classificou a produção em larga escala de medicamentos manipulados pela Hims como ilegal. “A Novo Nordisk tomará medidas legais e regulatórias para proteger os pacientes, nossa propriedade intelectual e a integridade do rigoroso sistema de aprovação de medicamentos dos Estados Unidos”, afirmou.

A Hims, por sua vez, rebateu as críticas. Em nota, um porta-voz da empresa garantiu que o novo comprimido não compromete a segurança nem a eficácia e utiliza uma tecnologia baseada em lipossomas, desenvolvida para favorecer a absorção do medicamento pelo organismo.

Questionamentos e risco de guerra de preços

Analistas do setor avaliam que ainda é incerto se os pacientes alcançarão os mesmos resultados com o comprimido mais barato. Ainda assim, destacam que a iniciativa da Hims pode desencadear uma guerra de preços, especialmente se farmácias de manipulação conseguirem fornecer medicamentos orais em grande escala.

A disputa entre Hims e Novo não é recente. Em 2023, a FDA autorizou a Hims a vender versões injetáveis dos medicamentos GLP-1 da Novo durante um período de escassez. Desde então, a empresa passou a produzir versões “personalizadas” dos medicamentos de marca, com doses ou esquemas diferentes dos aprovados oficialmente.

Esses produtos não são aprovados pela FDA, não passam por ensaios clínicos e estão sujeitos a uma supervisão regulatória mais limitada. Em contraste, o comprimido Wegovy, da Novo, demonstrou perda de peso superior a 16% em estudos clínicos.

Em setembro, a FDA emitiu um alerta à Hims sobre a comercialização de semaglutida manipulada, classificando como enganosas afirmações como “mesmo ingrediente ativo que Ozempic e Wegovy”.

Semaglutida e tirzepatida: principais remédios hoje no tratamento da obesidade ficarão mais baratos à boa parte da população americana.

Hims defende mais opções aos pacientes

A Hims afirma que sua proposta é ampliar o leque de opções terapêuticas, especialmente para pacientes que desejam minimizar efeitos colaterais ou que têm aversão a injeções. A semaglutida é o princípio ativo tanto do novo comprimido quanto das versões injetáveis Wegovy e Ozempic.

“Estamos entusiasmados em continuar trazendo tratamentos para a plataforma em diversas especialidades. Mais opções são sempre melhores para os clientes”, afirmou Andrew Dudum, CEO da Hims.

Em 2025, Novo e Hims chegaram a firmar uma parceria para a oferta do Wegovy injetável, mas o acordo foi rompido após a farmacêutica acusar a empresa de telemedicina de comercializar indevidamente versões do medicamento. Dudum, por sua vez, afirmou que a Novo tentava interferir nas decisões médicas da plataforma.

Concorrência à vista: a pílula da Lilly

Além da pressão nos preços, a Novo também se prepara para enfrentar a concorrência direta da Eli Lilly no segmento de medicamentos orais para perda de peso. A farmacêutica de Indianápolis deve lançar seu próprio comprimido GLP-1 no segundo trimestre, e analistas avaliam que ele também pode se tornar alvo de versões manipuladas.

Enquanto isso, a Hims investe em escala. Em 2025, a empresa dobrou o tamanho de suas instalações em New Albany, Ohio, e afirmou que a expansão permitirá reduzir custos e oferecer tratamentos a preços ainda mais baixos.

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Da Redação do Agenda Capital com informações da Reuters

Delmo Menezes
Gestor público, jornalista, secretário executivo, teólogo e especialista em relações institucionais com experiência em diversos órgãos da administração direta e indireta. Analista político e observador atento da política local e nacional. Editor-Chefe do portal de notícias Agenda Capital.

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