
Por Dr. Carvalhaes *
O Carnaval de 2026 se aproxima a passos largos. Festa genuinamente popular, marcada pela alegria, pela diversidade e pela ocupação democrática dos espaços públicos. Corpos que balançam e reluzem ao som das baterias, embalados por músicas que atravessam gerações. Beleza, harmonia e encantamento se materializam nos desfiles das escolas de samba, com destaque tradicional para São Paulo e Rio de Janeiro, sem qualquer menosprezo às tantas outras agremiações espalhadas pelo Brasil afora.
Trata-se, de fato, de uma das maiores expressões de equidade social do país. Pobres e ricos se misturam nos blocos de rua, nos bailes de Carnaval, nas arquibancadas e camarotes dos sambódromos. Confundem-se também, infelizmente, em práticas criminosas: enquanto alguns furtam objetos de pequeno valor — celulares, carteiras, relógios — outros seguem saqueando cofres públicos, ostentando esnobismo, prepotência e falsos luxos.
Para uns, a resposta vem pela agilidade e eficiência das Polícias Civil e Militar. Para outros, o despertar abrupto provocado pela Polícia Federal, igualmente eficaz, ao bater às portas ainda nos primeiros raios da aurora, munida de mandados de busca e apreensão expedidos pela Justiça. Prisões se concretizam.
O Carnaval, contudo, também é marcado por episódios trágicos. Assassinatos brutais, como o de um adolescente em Brasília, violentamente agredido às vésperas da folia, mancham a festa e deixam marcas profundas em inúmeras famílias e na sociedade. Não se pode romantizar a violência. O Carnaval não é — nem nunca foi — isento de brigas, agressões e crimes. As ocorrências se multiplicam em hospitais e delegacias, revelando, mais uma vez, as incoerências do comportamento humano.
Entre alegria, diversão e extravasamento de sentimentos, surgem manchas difíceis de ignorar: furtos, roubos, agressões e assassinatos. Para alguns, parece haver a falsa compreensão de que o Carnaval seria uma autorização tácita para a violência.
É preciso compreender as vicissitudes do ser humano, sim — com benevolência, mas sem impunidade. Sem indultos automáticos. Sem anistias irresponsáveis.
Não à violência. Não ao preconceito. Não ao racismo.
São crimes e devem ser punidos.
Que a festa exista, mas que a lei prevaleça.
Bom Carnaval a todos!
*Dr. Cid Célio Jayme Carvalhaes – Médico neurocirurgião, advogado e escritor. Foi Presidente da Sociedade Brasileira de Neurocirurgia, Presidente do Conselho Deliberativo da SBN, Presidente do Sindicato dos Médicos de São Paulo e Presidente da Federação Nacional dos Médicos. Especialista no Direito Médico e da Saúde e Coordenador do Curso de Pós-Graduação em Direito da Escola Paulista de Direito. É Colunista do Agenda Capital.



