
Diabetes tipo 2 avança de forma silenciosa e atinge milhões que sequer sabem da doença
Por Delmo Menezes
A diabetes tipo 2 é hoje um dos maiores desafios de saúde pública no mundo e avança de forma silenciosa, muitas vezes sem que o portador perceba. Um novo estudo encomendado pelo Fundo para Diabetes acende o alerta: cerca de 400 mil pessoas vivem com a doença sem saber, número que reforça a gravidade da subnotificação e da falta de diagnóstico precoce.
A pesquisa foi conduzida pelo Consórcio de Coortes da Holanda, uma colaboração entre universidades e instituições de pesquisa que reúne dados de centenas de milhares de pessoas. O estudo analisou informações de 200 mil indivíduos acompanhados ao longo de 25 anos e revelou um dado preocupante: uma em cada três pessoas com diabetes tipo 2 desconhece o próprio diagnóstico.
Segundo a Fundação para o Diabetes, esta é a primeira vez que esse grupo oculto de pacientes foi identificado com tamanha clareza, evidenciando a dimensão real do problema.
O “assassino silencioso”
A explicação para o alto número de pessoas sem diagnóstico é relativamente simples. De acordo com Diena Halbertsma, diretora da Fundação para o Diabetes, a doença é frequentemente chamada de “assassino silencioso”.
“O diabetes tipo 2 progride de forma muito lenta, geralmente sem sintomas claros. Quando aparecem, costumam ser vagos e facilmente ignorados”, explica.
Entre os sinais mais comuns estão aumento da sede, cansaço excessivo, maior frequência urinária e visão turva. Sintomas que, isoladamente, dificilmente levam a pessoa a procurar atendimento médico.
“São manifestações que não chamam atenção imediata. Por isso, muitos convivem com a doença por anos sem qualquer tratamento”, alerta Halbertsma.
Consequências graves e irreversíveis
Embora silenciosa no início, a diabetes tipo 2 pode causar danos severos e permanentes ao longo do tempo. A doença provoca excesso de glicose no sangue, o que compromete o funcionamento do coração e dos vasos sanguíneos.
De acordo com a Fundação, mais da metade das pessoas com diabetes desenvolvem complicações graves, como infarto, danos à visão, problemas circulatórios, insuficiência renal e até maior risco de demência. Em muitos casos, esses danos são irreversíveis.
“Quanto mais tempo a doença permanece sem tratamento, maiores são as chances de complicações sérias”, destaca a diretora.
Diagnóstico precoce faz a diferença
A boa notícia é que, quando identificada precocemente, a diabetes tipo 2 pode ser controlada com medicamentos e mudanças no estilo de vida, reduzindo significativamente o risco de complicações.
A adoção de hábitos saudáveis é fundamental. “Praticar atividade física regularmente, manter uma alimentação equilibrada e reduzir o estresse são medidas que fazem grande diferença”, reforça Halbertsma.
O Fundo para Diabetes tem incentivado a população a realizar testes de risco, que ajudam a identificar pessoas com maior probabilidade de desenvolver a doença, mesmo antes do surgimento de sintomas.
Apelo por políticas públicas de prevenção
Além da conscientização individual, a Fundação defende uma atuação mais firme do poder público. A entidade pede mais investimentos em detecção precoce e prevenção, além de políticas que promovam ambientes e estilos de vida mais saudáveis.
“Se investirmos em prevenção e diagnóstico antecipado, podemos evitar milhares de novos casos e reduzir os impactos sociais e econômicos da diabetes tipo 2”, conclui a diretora.
A doença, silenciosa e muitas vezes invisível, segue avançando. A informação e a prevenção continuam sendo as principais armas para frear esse problema que afeta milhões de pessoas em todo o mundo.
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Da Redação do Agenda Capital




