Ambulatório da Dor do HRSM oferece suporte multidisciplinar a pacientes com dor crônica
Por Elza Neves
Dor persistente, que não aparece em exames, mas limita movimentos, prejudica o sono e compromete a rotina. Essa é a realidade de quem convive com fibromialgia, síndrome crônica que exige acompanhamento contínuo e cuidado multidisciplinar. Durante o Fevereiro Roxo, mês dedicado à conscientização sobre a doença, o Hospital Regional de Santa Maria (HRSM) reforça o atendimento especializado oferecido a pacientes com dor crônica por meio do Ambulatório da Dor.
A unidade é administrada pelo Instituto de Gestão Estratégica de Saúde do Distrito Federal (IgesDF) e mantém um serviço estruturado para acolher pessoas que convivem com a dor de forma contínua. É nesse espaço que a paciente Rosalina Lopes, 54 anos, encontrou apoio. Diagnosticada há sete anos, ela só buscou acompanhamento especializado no ano passado e relata melhora significativa desde que passou a participar do ambulatório.
“Tem dias em que minhas mãos e braços doem muito. Quando venho pra cá e faço infiltração de bloqueio, chego em casa bem mais aliviada”, conta.
Doença invisível, impacto real
Dados da Sociedade Brasileira de Reumatologia (SBR) indicam que cerca de 3% da população brasileira convive com fibromialgia. A cada dez pessoas diagnosticadas, entre sete e nove são mulheres, principalmente entre 30 e 60 anos. Apesar da maior incidência feminina, a síndrome também pode atingir homens, idosos, adolescentes e até crianças.
Em janeiro deste ano, entrou em vigor a Lei nº 15.176/2025, que reconhece a fibromialgia e doenças correlatas como condições que podem configurar deficiência. A legislação prevê atendimento multidisciplinar e a capacitação de profissionais especializados, ampliando o olhar sobre a complexidade do quadro e fortalecendo a assistência a esses pacientes.
A fibromialgia provoca dor difusa, sobretudo em músculos e tendões, e pode estar associada a cansaço persistente, distúrbios do sono, ansiedade, alterações de memória e concentração, além de sintomas depressivos. Embora não seja progressiva, ainda não há cura, o que torna o acompanhamento contínuo essencial para garantir qualidade de vida.
Para a reumatologista do HRSM, Rafaela Cruz, um dos maiores desafios é a invisibilidade da doença. “A fibromialgia é uma doença invisível. Não há uma alteração física aparente, como em uma fratura. Trata-se de uma resposta exacerbada à dor. O paciente sente de forma real e intensa, mas isso nem sempre é percebido por quem está ao redor”, explica.
Segundo a médica, o diagnóstico é clínico, baseado na história e nos sintomas apresentados. “Não existem exames laboratoriais ou de imagem que confirmem a doença. O cérebro interpreta sinais comuns como extremamente dolorosos, e fatores como ansiedade e depressão podem agravar esse processo”, detalha.
Atendimento multidisciplinar no Ambulatório da Dor
O cuidado aos pacientes com dores crônicas no HRSM ocorre por meio do Ambulatório da Dor, projeto organizado em 12 encontros semanais. A proposta vai além do controle dos sintomas, com foco em educação em saúde, compreensão da condição e fortalecimento da autonomia para o enfrentamento diário.
Durante o programa, os participantes recebem acompanhamento multiprofissional. Na fisioterapia, aprendem exercícios, alongamentos e técnicas para aliviar a dor. O suporte psicológico oferece acolhimento emocional e psicoeducação, fundamentais para quem convive com sofrimento contínuo. Já a terapia ocupacional avalia os impactos nas atividades diárias e propõe adaptações que preservem funcionalidade e independência.
Para a fisioterapeuta Thayze Braga, o objetivo é levar estratégias que possam ser aplicadas fora do ambiente hospitalar. “Trabalhamos alongamentos, relaxamentos e auriculoterapia. Quando o paciente entende que existem recursos para lidar com a dor e que ela não precisa ser totalmente limitante, há melhora na qualidade de vida e até redução do uso excessivo de medicamentos”, destaca.
O acesso ao grupo ocorre por encaminhamento médico. De acordo com a chefe do Serviço de Psicologia do HRSM, Paola Palatucci Bello, pacientes regulados para a reumatologia passam por avaliação e, ao ser identificado um padrão de dor persistente, podem ser direcionados ao programa.
“O encaminhamento é entregue à enfermagem, que organiza a lista de espera. À medida que novos grupos são formados, os pacientes são chamados. Cada turma reúne, em média, 15 participantes”, explica. Usuários atendidos pela ortopedia também podem ser incluídos, desde que atendam aos critérios clínicos estabelecidos.
Neste mês de conscientização, o HRSM reforça a importância do diagnóstico precoce e do acompanhamento especializado, oferecendo atendimento multiprofissional e acolhedor às pessoas com fibromialgia e outras condições associadas à dor crônica.
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Da Redação do Agenda Capital





