Indígenas invadem área portuária de Santarém e exigem revogação de decreto que inclui rios amazônicos em programa de privatização
Por Delmo Menezes
Um grupo de indígenas do baixo, médio e alto Tapajós invadiu, na madrugada deste sábado (21), o terminal portuário operado pela multinacional Cargill no Porto de Santarém, no sudoeste do Pará. A ação ocorreu após decisão judicial que determinou a desocupação da área onde os manifestantes mantêm, desde 22 de janeiro, um bloqueio contra o Decreto nº 12.600/25.
De acordo com o Conselho Indígena Tapajós e Arapiuns (Cita), o protesto tem como principal objetivo a revogação do decreto assinado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva em 28 de agosto de 2025. A norma inclui as hidrovias dos rios Madeira, Tocantins e Tapajós no Programa Nacional de Desestatização (PND), medida que, segundo os indígenas, abre caminho para a privatização dos rios amazônicos e ameaça territórios tradicionais.
Segundo o Cita, a decisão de ocupar as instalações da empresa foi tomada após a notificação judicial que concedeu prazo de 48 horas para a retirada do protesto. Os indígenas afirmam que aguardaram por mais de um mês uma resposta do governo federal, sem sucesso. “Nossa decisão não foi impulsiva nem violenta. Foi construída coletivamente, a partir da escuta dos mais velhos, de análises jurídicas e políticas e da indignação diante do Decreto nº 12.600”, diz trecho de carta aberta divulgada pelo conselho.
Enquanto o acesso ao terminal portuário em Santarém era bloqueado, manifestações simultâneas ocorreram em São Paulo. Ambientalistas e integrantes de movimentos sociais protestaram em frente ao escritório central da Cargill, na Avenida Chucri Zaidan, na zona sul da capital paulista, onde chegaram a interditar duas faixas da via.
Em nota, a Cargill classificou as ações como “violentas” e informou que, apesar de haver ordem judicial para a desocupação, os manifestantes mantêm o bloqueio ao acesso de caminhões ao terminal há cerca de 30 dias. A empresa afirmou ainda que, diante da iminente ocupação, os funcionários que estavam no local buscaram abrigo em área segura e foram retirados sem ferimentos.
Os indígenas, por sua vez, contestam a versão da empresa. Em redes sociais, a liderança Olisil Oliveira afirmou que a ocupação ocorreu de forma pacífica e que os trabalhadores tiveram tempo para recolher seus pertences antes de deixar o local. “Em nenhum momento houve agressão. Vamos permanecer aqui até que o presidente revogue o decreto”, declarou.
O Cita informou que solicitou diálogo com a Presidência da República, a Casa Civil e o Ministério dos Transportes para discutir os impactos do decreto sobre os territórios indígenas e comunidades tradicionais afetadas pelo chamado “Arco Norte”, mas afirma não ter recebido resposta oficial até o momento.
Imagens do circuito interno do terminal divulgadas pela empresa mostram registros de vandalismo durante a invasão, incluindo a quebra de câmeras de segurança. Até a última atualização, não havia confirmação de confronto entre manifestantes e forças de segurança.
Siga o Agenda Capital no Instagram>https://www.instagram.com/agendacapitaloficial/
Da Redação do Agenda Capital





