Rede permite que o bebê permaneça em uma posição semelhante à vivenciada no ventre materno. Foto: Matheus Oliveira/Agência Saúde DF.

As terapias não visam apenas o conforto visual, mas trazem resultados práticos na monitorização dos bebês

Por Delmo Menezes

A Unidade de Neonatologia do Hospital Regional do Gama (HRG) tem transformado o ambiente hospitalar em um espaço de acolhimento e recuperação acelerada. Através do uso de técnicas como redes, ofurôs e o Método Canguru, a equipe de saúde busca mimetizar o ambiente intrauterino, proporcionando estabilidade clínica e fortalecendo o vínculo entre pais e filhos, especialmente no caso de bebês prematuros.

O conceito de exterogestação

A base dessas intervenções é a exterogestação, um conceito que defende que o desenvolvimento do bebê continua fora do útero com necessidades biológicas similares às da gestação. “Para o prematuro, é ainda mais indicado, pois, na teoria, ele ainda teria semanas de desenvolvimento dentro do útero”, explica a fisioterapeuta Querem Hapuque.

As terapias não visam apenas o conforto visual, mas trazem resultados práticos na monitorização dos pequenos pacientes:

  • Controle respiratório: Melhora na cadência da respiração.
  • Estabilidade cardíaca: Manutenção de frequências mais calmas.
  • Saturação de oxigênio: Otimização dos níveis de oxigênio no sangue.

Redes e ofurôs: o simulador do ventre

O uso de redes permite que o recém-nascido mantenha uma posição de flexão e contenção, gerando uma sensação de segurança que reduz o estresse da internação. Já o ofurô utiliza a água morna para remeter ao líquido amniótico, auxiliando no relaxamento muscular e no alívio de cólicas.

Entre as terapias está o uso do ofurô, que promove relaxamento ao recém-nascido, diminuindo cólicas e estresse. Foto: Matheus Oliveira/Agência Saúde DF

Maria Clara Barreto, mãe do pequeno Arthur, nascido no início deste mês, surpreendeu-se com os efeitos imediatos. “Vi ele na rede dormindo pela primeira vez e percebi o quão confortável meu filho ficou. Quase não acordava para mamar!”, relata.

Método Canguru e a regulação biológica

Além das técnicas posturais e de imersão, o Método Canguru é um pilar fundamental no HRG. A prática consiste no contato pele a pele prolongado entre os pais e o bebê. Segundo a fisioterapeuta Sara Silva Neri, o corpo dos pais atua como um termostato biológico.

“Se uma criança tiver febre, o peito materno se adapta para o controle da temperatura. Além disso, o contato com os pais transfere bactérias positivas que aumentam a imunidade do bebê”, destaca Sara.

Os benefícios do contato direto são amplos e comprovados cientificamente, incluindo:

  1. Ganho de peso mais rápido.
  2. Melhora nos sinais vitais.
  3. Redução no tempo de internação.
  4. Diminuição dos índices de mortalidade neonatal.

Com essas iniciativas, o Hospital Regional do Gama reafirma a importância de um atendimento humanizado que une a tecnologia médica ao calor do cuidado parental.

Siga o Agenda Capital no Instagram>https://www.instagram.com/agendacapitaloficial/

Da Redação do Agenda Capital

Delmo Menezes
Gestor público, jornalista, secretário executivo, teólogo e especialista em relações institucionais com experiência em diversos órgãos da administração direta e indireta. Analista político e observador atento da política local e nacional. Editor-Chefe do portal de notícias Agenda Capital.

DEIXE UMA RESPOSTA

Please enter your comment!
Please enter your name here