Quebra da patente do Ozempic deve reduzir o preço do medicamento. Reprodução.

Do Ozempic ao Mounjaro: nova era pode reduzir custos de tratamentos contra obesidade Quebra de patente do Ozempic abre caminho para queda de preços e amplia acesso às “canetas emagrecedoras” no Brasil.

Por Delmo Menezes

A expiração da patente da semaglutida — substância presente no Ozempic — marca uma nova fase no tratamento da obesidade e do diabetes no Brasil e no mundo. Após 20 anos de exclusividade da farmacêutica Novo Nordisk, o mercado se prepara para receber versões concorrentes, o que deve pressionar os preços para baixo e ampliar o acesso da população às chamadas “canetas emagrecedoras”.

No entanto, apesar da quebra da patente ocorrer oficialmente nesta sexta-feira (20), o efeito no bolso do consumidor não será imediato. Isso porque nenhuma alternativa nacional foi aprovada até agora pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária. Atualmente, 15 pedidos estão em análise, sendo que dois — das farmacêuticas EMS e Ávita Care — estão em estágio mais avançado, com possibilidade de liberação até junho.

De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), 43% dos adultos tem sobrepeso e 16% são obesos. Reprodução.

Por que o preço ainda não caiu?

Hoje, uma caneta de semaglutida pode custar cerca de R$ 1 mil nas farmácias. A tendência de queda existe, mas depende diretamente da entrada de concorrentes no mercado.

Diferentemente de medicamentos comuns, a semaglutida não permite a produção de genéricos tradicionais. Por se tratar de uma molécula complexa, enquadrada na fronteira entre medicamentos sintéticos e biológicos, o que surge são os chamados biossimilares — versões muito semelhantes, mas não idênticas.

Esses produtos, quando aprovados, podem ser cerca de 20% mais baratos. Ainda assim, o processo regulatório é mais rigoroso e demorado, exigindo estudos aprofundados sobre:

  • imunogenicidade (resposta do organismo ao medicamento);
  • controle de impurezas;
  • precisão nos métodos de análise da molécula.

Esse nível de exigência explica por que a queda de preços será gradual, e não imediata.

Impacto no SUS e no acesso da população

A chegada de versões nacionais também reacende o debate sobre a inclusão dessas terapias no Sistema Único de Saúde (SUS). Hoje, medicamentos dessa classe já são utilizados, mas de forma restrita.

Com preços mais acessíveis, cresce a expectativa de ampliação do acesso, inclusive com possível incorporação mais ampla no sistema público — uma demanda crescente diante do avanço da obesidade.

Segundo a Organização Mundial da Saúde, 43% dos adultos no mundo têm sobrepeso e 16% são obesos. No Brasil, cerca de 31% da população vive com obesidade, condição associada a doenças graves como diabetes, câncer e problemas cardiovasculares.

A revolução das canetas emagrecedoras

Medicamentos como o Ozempic e o Wegovy transformaram o tratamento da obesidade. Inicialmente desenvolvidos para diabetes, eles demonstraram efeitos expressivos na perda de peso — chegando a até 17% nos estudos clínicos.

Essas substâncias atuam no controle da insulina, retardam o esvaziamento do estômago e agem diretamente no cérebro, aumentando a sensação de saciedade e reduzindo o apetite.

Mais recentemente, outro medicamento vem ganhando destaque: o Mounjaro, da farmacêutica Eli Lilly, cujo princípio ativo é a tirzepatida.

Nos estudos clínicos, o Mounjaro apresentou resultados ainda mais expressivos, com perda de peso de até 26% entre os pacientes.

Ozempic e Mounjaro: remédios para perda de peso e diabetes que sacudiram o mercado e a sociedade. Reprodução.

Mounjaro também deve ficar mais acessível

Assim como ocorreu com a semaglutida, a expectativa do mercado é que, com o avanço da concorrência e a ampliação da produção global, medicamentos à base de tirzepatida também tenham redução de preços no Brasil ao longo do tempo.

Embora ainda não haja quebra de patente imediata como no caso do Ozempic, o aumento da oferta e a entrada de novos fabricantes tendem a tornar o tratamento mais acessível.

Mudanças no comportamento e no mercado

O impacto dessas medicações vai além da balança. Usuários relatam mudanças profundas na relação com a alimentação e com a atividade física. Sem a pressão constante por perda de peso, muitos passam a enxergar o exercício como bem-estar, e não como obrigação.

Esse movimento já começa a influenciar setores como o fitness e o bem-estar, que se adaptam a um novo perfil de consumidor.

Um novo cenário para a saúde pública e privada

A quebra da patente do Ozempic representa mais do que uma disputa de mercado: é um marco na democratização do acesso a tratamentos modernos contra a obesidade.

Ainda que os efeitos não sejam imediatos, a expectativa é clara: com mais concorrência, mais opções e avanço regulatório, o Brasil caminha para um cenário em que as “canetas emagrecedoras” deixem de ser um tratamento de alto custo e passem a fazer parte da realidade de uma parcela muito maior da população.

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Da Redação do Agenda Capital

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