O relatório final da CPI foi lido nesta sexta-feira, 27, após o Supremo Tribunal Federal (STF) barrar a prorrogação dos trabalhos do colegiado Foto: Foto: Geraldo Magela/Agência Senado

Embate político barra relatório e CPI do INSS acaba sem conclusões oficiais e expõe guerra político no Congresso Nacional

Por Redação

A Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do INSS foi encerrada na madrugada deste sábado (28) sem a aprovação de um relatório final, após a rejeição do parecer apresentado pelo deputado Alfredo Gaspar (PL-AL). O texto foi derrotado por 19 votos a 12, em uma sessão marcada por forte embate político entre governistas e oposição.

O relatório propunha o indiciamento de 216 pessoas, entre elas Fábio Luís Lula da Silva, o empresário Daniel Vorcaro, além de parlamentares como o senador Weverton Rocha e os deputados Euclydes Pettersen e Gorete Pereira. O documento também incluía pedido de prisão preventiva de Lulinha, sob a alegação de risco de fuga, já que ele reside atualmente na Espanha.

Após a rejeição do parecer, o presidente da CPI, senador Carlos Viana (Podemos-MG), decidiu não colocar em votação um texto alternativo apresentado pela base governista. Com isso, a comissão foi encerrada sem a apresentação de qualquer relatório final — um desfecho considerado atípico para esse tipo de colegiado.

Disputa política marcou votação

A base do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva atuou para barrar o relatório de Gaspar. Aliados foram mobilizados às pressas para garantir presença na votação decisiva. O senador Jacques Wagner, por exemplo, deslocou-se de Salvador a Brasília no mesmo dia para participar da sessão.

Outro movimento estratégico envolveu o ministro da Agricultura, Carlos Fávaro, que foi temporariamente exonerado do cargo para reassumir sua cadeira no Senado e votar contra o parecer. Sua suplente, Margareth Buzetti, é ligada à oposição.

Do outro lado, parlamentares governistas chegaram a apresentar uma versão alternativa de relatório, com pedido de 170 indiciamentos, incluindo o do ex-presidente Jair Bolsonaro, sob acusações como organização criminosa, improbidade administrativa e furto qualificado contra idosos. No entanto, a proposta sequer foi analisada pela comissão.

Relatório apontava esquema bilionário

Apesar de rejeitado, o parecer de Alfredo Gaspar trouxe conclusões robustas. O documento, com 4.340 páginas, foi lido ao longo de oito horas na sexta-feira (27), após decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) que impediu a prorrogação dos trabalhos da CPI.

O texto descreve a existência de uma rede composta por 41 empresas suspeitas de participação em esquemas de pagamento de propinas e lavagem de dinheiro. Segundo o relatório, esse conglomerado teria movimentado cerca de R$ 39 bilhões entre 2018 e 2025.

Ainda de acordo com o documento, “a quase totalidade” dessas empresas apresentaria características típicas de companhias de fachada, com indícios de que eram utilizadas para movimentações financeiras rápidas, possivelmente com o objetivo de ocultar a origem dos recursos.

O relatório também sugeria a investigação de ministros do STF, como Alexandre de Moraes e Dias Toffoli, por suposto tráfico de influência em relações com o banqueiro Daniel Vorcaro — ponto que gerou forte reação entre governistas.

Encerramento sem desfecho

Sem consenso político e sem aprovação de qualquer relatório, a CPI do INSS chega ao fim sem um documento oficial que consolide suas conclusões ou encaminhe recomendações formais a órgãos de investigação.

O desfecho evidencia o acirramento da disputa política em torno da comissão e limita os efeitos práticos das investigações conduzidas ao longo dos trabalhos, que agora dependem de iniciativas individuais de parlamentares ou de órgãos de controle para eventual continuidade.

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Da Redação do Agenda Capital

Delmo Menezes
Gestor público, jornalista, secretário executivo, teólogo e especialista em relações institucionais com experiência em diversos órgãos da administração direta e indireta. Analista político e observador atento da política local e nacional. Editor-Chefe do portal de notícias Agenda Capital.

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