Segundo a OMS, a primeira vítima foi um turista holandês de 70 anos, que morreu em 11 de abril
Por Delmo Menezes
A confirmação de um surto de hantavírus a bordo do navio de cruzeiro MV Hondius mobilizou autoridades sanitárias da Argentina, da Organização Mundial da Saúde (OMS) e de diversos países da Europa, África e América do Norte. O caso ganhou repercussão internacional após a morte de três passageiros e a confirmação de infecções relacionadas ao vírus dos Andes, uma das variantes mais perigosas da doença.
O navio, de bandeira holandesa, partiu de Ushuaia, no extremo sul da Argentina, rumo à Antártida. Desde então, investigadores tentam descobrir onde ocorreu a contaminação dos passageiros e da tripulação, enquanto aumentam as preocupações com possíveis casos em outros países.
A Argentina aparece frequentemente nos relatórios da OMS como o país com maior incidência de hantavírus da América Latina. Dados divulgados pelo Ministério da Saúde argentino mostram que 101 infecções foram registradas desde junho de 2025 — quase o dobro do mesmo período do ano anterior.

Três mortes e evacuação de passageiros
As autoridades sanitárias confirmaram que passageiros do MV Hondius testaram positivo para o vírus dos Andes, variante sul-americana do hantavírus capaz de provocar a síndrome pulmonar por hantavírus, doença grave e frequentemente fatal.
Até o momento, três pessoas morreram. Um passageiro segue internado em estado grave em um hospital da África do Sul, enquanto outros três ocupantes do navio precisaram ser evacuados.
Segundo a OMS, a primeira vítima foi um turista holandês de 70 anos, que morreu em 11 de abril. O corpo permaneceu no navio até a embarcação chegar à ilha de Santa Helena, no Atlântico Sul. Dias depois, sua esposa, de 69 anos, passou mal ao desembarcar na África do Sul e morreu em um hospital em Joanesburgo. A terceira vítima foi uma passageira alemã, morta no último dia 2 de maio.
Investigação tenta localizar origem da infecção
Autoridades argentinas trabalham para rastrear todos os locais visitados pelos passageiros antes do embarque em Ushuaia, conhecida como a cidade do “fim do mundo”. O objetivo é descobrir se a infecção ocorreu na Argentina, durante escalas no Atlântico Sul ou já dentro da embarcação.
O casal holandês que morreu havia viajado por Argentina, Chile e Uruguai antes do cruzeiro.
O período de incubação do hantavírus varia entre uma e oito semanas, o que dificulta determinar o momento exato da contaminação.
Além disso, a situação gerou preocupação após relatos de que 23 passageiros desembarcaram em Santa Helena antes de retornarem para seus países de origem, incluindo os Estados Unidos. Passageiros norte-americanos passaram a ser monitorados nos estados da Geórgia, Califórnia e Arizona.

OMS monitora situação
O diretor-geral da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus, informou que o organismo internacional acompanha a situação em parceria com operadores do navio e autoridades sanitárias de diversos países.
“A OMS continua trabalhando com os operadores do navio para monitorar de perto a saúde dos passageiros e da tripulação”, afirmou Tedros.
Apesar da gravidade dos casos, a OMS considera que o risco global para a saúde pública ainda é baixo.
Mudanças climáticas preocupam especialistas
Pesquisadores argentinos alertam que as mudanças climáticas podem estar favorecendo a expansão do hantavírus na América do Sul. O aumento das temperaturas e as alterações ambientais ajudam na proliferação dos roedores que transmitem a doença.
O infectologista argentino Hugo Pizzi afirmou que a transformação climática da região vem ampliando o alcance de enfermidades antes restritas a determinadas áreas.
“A Argentina tornou-se mais tropical devido às mudanças climáticas. Isso trouxe problemas como dengue, febre amarela e também o avanço do hantavírus”, declarou.
O que é o hantavírus?
O hantavírus é transmitido principalmente pelo contato com urina, fezes e saliva de roedores infectados. A contaminação ocorre geralmente pela inalação de partículas presentes no ambiente.
Os sintomas iniciais incluem febre, dores musculares, cansaço e dificuldade respiratória. Nos casos graves, a doença pode evoluir rapidamente para insuficiência pulmonar.
Embora a transmissão entre pessoas seja considerada rara, especialistas alertam que a variante conhecida como vírus dos Andes já apresentou episódios limitados de transmissão humana em surtos anteriores.
Navio segue viagem para as Ilhas Canárias
Após a evacuação dos passageiros infectados, o MV Hondius recebeu autorização para continuar a viagem rumo às Ilhas Canárias, na Espanha. A decisão, no entanto, gerou controvérsia e preocupação entre autoridades locais de Tenerife.
O navio transporta cerca de 150 pessoas e permaneceu temporariamente próximo a Cabo Verde durante as operações de evacuação médica.
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Da Redação do Agenda Capital /Associated Press / Reuters





