Suspeita de arapongagem leva ao afastamento de diretor da área digital da CLDF
Por Delmo Menezes
A suspeita de um possível esquema de espionagem clandestina dentro da Câmara Legislativa do Distrito Federal (CLDF) provocou forte repercussão nos bastidores políticos e administrativos da Casa nesta semana. A denúncia envolve um suposto monitoramento irregular de computadores utilizados por servidores e parlamentares da situação e da oposição, levantando preocupações sobre privacidade, segurança da informação e possível violação institucional.
De acordo com informações obtidas pela reportagem, servidores da Câmara Legislativa do DF passaram a desconfiar de comportamentos considerados anormais nos computadores utilizados internamente. Relatos apontam que algumas máquinas apresentavam sinais de visualização fora do padrão, o que despertou receio sobre a existência de algum tipo de ferramenta de monitoramento oculto.
Segundo uma fonte ouvida pela reportagem, que pediu anonimato, servidores chegaram a solicitar verificações à Diretoria de Tecnologia da CLDF para identificar possíveis irregularidades ou a presença de softwares espiões. Ainda de acordo com essa fonte, os retornos recebidos eram de que “estava tudo normal”.
A gravidade das suspeitas levou o presidente da CLDF, Wellington Luiz (MDB), a determinar nesta segunda-feira (11) a instauração de um Processo Administrativo Disciplinar (PAD) para apurar possíveis ilícitos administrativos relacionados ao caso.
A investigação teve início após uma denúncia anônima registrada na Ouvidoria do Legislativo apontar um suposto “grampeamento” de computadores dentro da estrutura da Câmara.
Diretor é afastado por 60 dias
Como medida cautelar, o quarto-secretário da Casa, deputado Robério Negreiros (Podemos), solicitou o afastamento do diretor de Modernização e Inovação Digital, Walerio Oliveira Campôres, pelo prazo inicial de 60 dias. Além disso, chefias ligadas à área de Tecnologia também foram substituídas temporariamente para garantir a condução das apurações.
Walério Campôres está há cerca de um ano e três meses à frente da Diretoria de Modernização e Inovação Digital da CLDF. Em suas redes sociais, ele afirma ter a missão de impulsionar a transformação digital no Legislativo distrital, promovendo inovação, inteligência digital e segurança da informação.
Nos bastidores, o caso já é tratado como um dos episódios mais delicados envolvendo a área tecnológica da Câmara Legislativa nos últimos anos, especialmente por envolver possíveis acessos indevidos a informações funcionais e parlamentares.
Sindical demonstra preocupação
O Sindicato do poder legislativo e tribunal de contas do DF – Sindical, confirmou à reportagem que recebeu informações sobre a situação e que levou o tema ao conhecimento da Presidência e da alta cúpula da Casa.
Em nota, o sindicato afirmou que acompanha o caso com responsabilidade e destacou preocupação com a segurança institucional dos servidores.
“Nos preocupa especialmente qualquer situação que possa gerar insegurança aos servidores quanto à privacidade, ao ambiente institucional e ao regular exercício das atividades funcionais”, declarou a entidade.
O sindicato ressaltou ainda que as medidas cautelares adotadas ocorreram sem qualquer prejulgamento e têm como objetivo preservar os servidores, a instituição e a adequada apuração dos fatos.
Comissão terá até 60 dias para concluir investigação
A CLDF informou que a investigação será conduzida pela Comissão de Processo Disciplinar e Tomada de Contas Especial (CPTCE), que terá prazo inicial de 60 dias para concluir os trabalhos, podendo haver prorrogação por igual período, conforme previsto no Ato do Presidente nº 237, de 2026.
Em nota oficial, a Câmara Legislativa afirmou que a medida demonstra compromisso com a transparência, legalidade e rigor na apuração de eventuais irregularidades, garantindo aos envolvidos o direito ao contraditório e à ampla defesa.
A Casa também informou que, por se tratar de procedimento administrativo em andamento, não fará novos comentários até a conclusão das investigações.
Clima de apreensão
A possibilidade de existência de mecanismos clandestinos de monitoramento dentro do Poder Legislativo do Distrito Federal gerou apreensão entre servidores e parlamentares da Casa. O episódio reacende o debate sobre limites de fiscalização interna, proteção de dados institucionais e segurança digital em órgãos públicos.
Caso as suspeitas sejam confirmadas, o episódio poderá ter desdobramentos administrativos, civis e até criminais, além de provocar discussões sobre a vulnerabilidade dos sistemas tecnológicos utilizados em instituições públicas.
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Da Redação do Agenda Capital





