Centro Administrativo do Distrito Federal - Centrad. Foto: Reprodução

GDF iniciará transferência gradual de secretarias para o Centro Administrativo em Taguatinga; medida busca reduzir gastos com aluguéis e impulsionar o desenvolvimento da região

Por Redação

A governadora do Distrito Federal, Celina Leão, anunciou oficialmente o início da ocupação do Centro Administrativo do Distrito Federal (CAD-DF), conhecido como Centrad, em uma medida considerada estratégica para reduzir despesas públicas e descentralizar a administração do Governo do Distrito Federal (GDF).

Segundo a chefe do Executivo, a transferência gradual de órgãos e secretarias para o complexo localizado em Taguatinga permitirá uma economia estimada em R$ 1 bilhão ao longo dos próximos 60 meses, valor correspondente aos contratos de aluguel que deixarão de ser pagos pelo governo.

“Sempre achei que a gente devia ocupar o Centrad. É uma questão de respeito ao brasiliense. Temos um espaço desse tamanho e continuamos pagando aluguel”, afirmou Celina durante apresentação do plano de ocupação nesta terça-feira (9).

A mudança ocorrerá de forma escalonada e deverá ser concluída, nesta primeira etapa, em até 90 dias. Inicialmente, cerca de 31% da estrutura será ocupada.

Secretarias serão transferidas em etapas

A Secretaria de Obras e Infraestrutura será a primeira pasta a migrar para o novo endereço. Na sequência, serão transferidas a Secretaria de Desenvolvimento Urbano e Habitação (Seduh), a Secretaria de Meio Ambiente, a Casa Militar, a Casa Civil e o gabinete da governadora.

Embora o Palácio do Buriti continue funcionando normalmente, a intenção do governo é transformar o CAD-DF no principal centro administrativo da capital.

“O Palácio do Buriti continuará sendo ocupado, mas a centralidade administrativa passará para o Centro Administrativo. Quando tivermos 100% de ocupação, teremos mais eficiência na gestão pública. Essa é uma decisão histórica”, destacou Celina.

Investimento reduzido e sem grandes obras

Para viabilizar a primeira fase da ocupação, o GDF prevê investimento de aproximadamente R$ 1,8 milhão em adequações estruturais nos cinco blocos que receberão os órgãos públicos.

De acordo com a governadora, a infraestrutura do complexo encontra-se em boas condições de conservação, o que permitirá a utilização do espaço sem necessidade de grandes desembolsos.

A proposta do governo é justamente ocupar o empreendimento sem realizar “superinvestimentos”, priorizando apenas intervenções essenciais.

Entre os serviços previstos estão impermeabilização de lajes, recuperação de calçadas, manutenção de calhas e adequações pontuais para garantir a segurança e a funcionalidade dos prédios.

A Companhia Urbanizadora da Nova Capital do Brasil (Novacap) já atua na revitalização do paisagismo do local, com manutenção dos gramados e limpeza das áreas externas em parceria com o Serviço de Limpeza Urbana (SLU).

Já a Secretaria de Economia solicitou serviços de manutenção dos elevadores para garantir o pleno funcionamento das edificações.

Habite-se liberado viabiliza ocupação

A ocupação parcial do Centrad só foi possível após a emissão do Relatório de Impacto de Trânsito (RIT), documento que analisou os efeitos da utilização inicial de 31% da capacidade do empreendimento.

Com a conclusão do estudo, o governo conseguiu obter o Habite-se referente à área que será utilizada nesta primeira fase, liberando legalmente a ocupação dos prédios.

O relatório também servirá de base para futuras ampliações da utilização do complexo.

Mobilidade será reforçada

A chegada de milhares de servidores públicos à região de Taguatinga exigirá uma série de investimentos em infraestrutura urbana e mobilidade.

Por isso, o GDF informou que está elaborando um novo Plano Diretor de Transporte Urbano (PDTU), que deverá contemplar melhorias viárias e ampliação da oferta de transporte coletivo.

Entre as intervenções previstas estão a construção de uma nova rodoviária ao lado do Centro Administrativo, expansão da rede do metrô, implantação do Veículo Leve sobre Trilhos (VLT), ampliação do sistema BRT e a construção de dois viadutos nas proximidades.

Para Celina Leão, a ocupação do complexo vai além da simples economia de recursos públicos.

“Tenho certeza de que essa decisão vai desenvolver muito a região de Taguatinga e Ceilândia. Não é apenas uma questão de reduzir aluguel, mas também de descentralizar a administração e melhorar a mobilidade urbana”, afirmou.

Um projeto que aguardou mais de uma década

Construído para concentrar em um único espaço as principais estruturas administrativas do Distrito Federal, o Centrad foi entregue em 2014 e projetado para se tornar a principal sede do governo.

No entanto, o empreendimento passou mais de uma década sem cumprir plenamente sua finalidade.

Desde a conclusão das obras, o complexo enfrentou uma série de entraves jurídicos, disputas contratuais e questionamentos relacionados aos custos da construção e aos pagamentos pendentes da parceria responsável pela obra.

Esses obstáculos impediram que o espaço fosse ocupado integralmente, mantendo o empreendimento subutilizado enquanto sucessivos governos buscavam soluções legais e financeiras para sua utilização definitiva.

Agora, com a decisão da atual gestão, o governo pretende transformar o Centro Administrativo em um dos principais símbolos da modernização da máquina pública distrital.

Além da economia bilionária projetada para os próximos anos, a expectativa é que a presença de milhares de servidores e cidadãos no local estimule o comércio, os serviços e a geração de empregos em Taguatinga e nas cidades vizinhas, fortalecendo o desenvolvimento econômico da região.

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Da Redação do Agenda Capital

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