Centro Administrativo do DF-CAD. Foto: Marcelo Ferreira / CB

Primeira etapa contempla quatro blocos do antigo Centrad, em Taguatinga, que deverão ser entregues em até 90 dias; equipes trabalham na recuperação de infiltrações, redes elétricas e limpeza geral

Por Delmo Menezes

Após mais de 11 anos sem utilização efetiva, o Centro Administrativo do Distrito Federal (CAD), antigo Centrad, começa finalmente a ganhar vida. O Governo do Distrito Federal (GDF) iniciou uma ampla força-tarefa de recuperação dos prédios que irão receber parte da estrutura administrativa do Executivo local. A primeira fase da ocupação contempla os blocos G, H, K e L, localizados em Taguatinga, com previsão de entrega em até 90 dias.

Durante visita técnica realizada nesta quarta-feira (10), foi possível constatar os efeitos do longo período de abandono. Manchas de umidade, infiltrações, pontos de mofo, vidros danificados e grande acúmulo de poeira são alguns dos problemas encontrados pelas equipes responsáveis pela revitalização dos espaços.

Segundo o secretário de Obras e Infraestrutura, Valter Casimiro, o objetivo é garantir condições adequadas para o funcionamento dos órgãos públicos antes da transferência dos servidores.

“Estamos realizando a impermeabilização das coberturas, recuperação de infiltrações, pintura interna e externa, substituição de vidros danificados e reparos pontuais em estruturas afetadas pela ação do tempo”, explicou.

Recuperação completa da infraestrutura

Além dos serviços de manutenção predial, o governo concentra esforços na instalação e adequação das redes elétrica e lógica, fundamentais para o funcionamento de computadores, sistemas internos e equipamentos de comunicação.

Em vários ambientes, trabalhadores atuam na limpeza e preparação dos espaços. Em alguns blocos, os pisos já foram concluídos e aguardam apenas a finalização das instalações elétricas.

Os elevadores, que permaneceram sem funcionamento durante toda a última década, também passam por avaliação e dependem da conclusão dos contratos de manutenção para voltarem a operar.

A primeira secretaria a ser transferida para o complexo será a Secretaria de Obras e Infraestrutura (SODF). Paralelamente, o GDF acelera a preparação do prédio que abrigará a Governadoria, além das estruturas destinadas à Casa Civil e à Casa Militar, consideradas prioritárias dentro do cronograma de ocupação.

Centro Administrativo do DF-CAD / Centrad. Foto: Marcelo Ferreira / CB

Investimento para adequação dos prédios

De acordo com Valter Casimiro, o custo estimado para adequar cada edifício é de aproximadamente R$ 1,8 milhão.

As intervenções incluem ainda recuperação das áreas externas, reposição de revestimentos, paisagismo e melhorias estruturais. O secretário destacou que o governo pretende evitar gastos com novos móveis, orientando que cada órgão transfira para o CAD o mobiliário e os equipamentos já utilizados em suas atuais sedes.

Os quatro blocos que serão ocupados inicialmente representam cerca de 31% da área total do complexo.

Na sequência, deverão ser transferidas secretarias estratégicas como a de Desenvolvimento Urbano e Habitação (Seduh), Mobilidade (Semob), Meio Ambiente, parte da Secretaria de Economia e a Secretaria de Governo.

A expectativa é que o gabinete da governadora Celina Leão já esteja funcionando no local dentro do prazo estimado de três meses.

Centro Administrativo do DF-CAD / Centrad. Foto: Marcelo Ferreira / CB

Economia e descentralização administrativa

Segundo o GDF, a ocupação do Centro Administrativo não tem como objetivo apenas reduzir despesas com aluguéis pagos atualmente pelo governo.

A iniciativa também busca descentralizar as atividades administrativas, fortalecendo Taguatinga como polo institucional e econômico do Distrito Federal.

Para a governadora Celina Leão, a mudança poderá contribuir ainda para melhorar a mobilidade urbana. A estratégia prevê que milhares de servidores passem a se deslocar diariamente para a região em horários de pico, mas em sentido contrário ao fluxo predominante em direção ao Plano Piloto.

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Valter Casimiro acredita que a presença dos órgãos públicos também deverá impulsionar a economia local.

“A tendência é que haja valorização imobiliária na região. Muitos servidores podem até optar por morar mais próximo do local de trabalho”, observou.

Projeto aguardou mais de uma década para sair do papel

Inaugurado em 2014, o complexo do Centro Administrativo do Distrito Federal ocupa uma área de aproximadamente 182 mil metros quadrados às margens da Avenida Elmo Serejo, em Taguatinga.

Composto por 16 edifícios, o empreendimento foi concebido para concentrar grande parte da estrutura administrativa do GDF. No entanto, disputas judiciais e entraves jurídicos impediram sua ocupação ao longo dos últimos anos.

Agora, com o início das obras de recuperação e a definição de um cronograma de transferência dos órgãos públicos, o governo espera transformar definitivamente o espaço em uma das principais sedes administrativas do Distrito Federal.

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Da Redação do Agenda Capital

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