Após empate, Seleção faz autocrítica e aponta ansiedade como principal erro. Foto: CBF

Jogadores e Ancelotti admitem nervosismo e apontam ansiedade como vilã na estreia do Brasil

Por Delmo Menezes

A estreia da Seleção Brasileira na Copa do Mundo de 2026 deixou um misto de frustração e alerta para os próximos desafios. Após o empate em 1 a 1 contra o Marrocos, neste sábado (13/6), jogadores e o técnico Carlo Ancelotti apontaram a ansiedade como o principal fator para o desempenho abaixo do esperado, especialmente no primeiro tempo.

A expectativa em torno da estreia, somada à qualidade do adversário, pesou sobre a equipe brasileira, que sofreu com erros técnicos, desorganização e nervosismo diante dos marroquinos. O próprio Ancelotti foi direto ao avaliar a atuação.

“Um pouco de ansiedade acho que sim. Na primeira etapa eles saíam da pressão e faziam transições perigosas. Podíamos ter mais controle, perdemos muitas bolas”, afirmou o treinador italiano.

O Brasil saiu atrás no placar logo no início da partida e encontrou dificuldades para reagir. Apesar da melhora no segundo tempo, o desempenho inicial acendeu um sinal de alerta para a sequência do Mundial.

O volante Casemiro reconheceu que a equipe demorou a entrar no jogo e ressaltou a força do adversário.

“O nível de jogo foi alto pela qualidade do adversário. A primeira parte nos custou entrar no jogo. A segunda parte foi melhor. Sempre tem um pontinho de ansiedade. Marrocos jogou mais solto, sem responsabilidade. Era um jogo de alto nível, temos que melhorar”, avaliou.

Seleção admite atuação aquém do esperado e culpa ansiedade na estreia.

Quem também admitiu o nervosismo foi o zagueiro Danilo, que entrou no segundo tempo e ajudou a estabilizar a defesa brasileira. Para ele, o Brasil poderia ter saído para o intervalo em situação ainda pior.

“Precisamos reconhecer que houve bastante nervosismo e ansiedade que nos fez tropeçar nos próprios erros. Tivemos sorte de não perder por mais gols no primeiro tempo”, afirmou.

Segundo Danilo, a mudança de postura na etapa final foi decisiva para a reação da equipe.

“No segundo tempo tivemos mais confiança, ficamos melhor posicionados e criamos mais oportunidades. Esse é o comportamento que precisamos manter desde o começo”, acrescentou.

O goleiro Alisson Becker também fez autocrítica e revelou a insatisfação do treinador com a atuação.

“O Mister não gostou nada. Foi uma partida muito aquém daquilo que poderíamos fazer e da expectativa criada pelos treinamentos”, disse o arqueiro.

Sobre o gol sofrido, Alisson destacou que houve uma sequência de falhas coletivas, mas valorizou a capacidade de reação da equipe.

“Perdemos a bola no meio, a equipe ficou fora de posição. Todos precisam fazer o seu melhor para corrigir. O ponto positivo foi ter empatado e melhorado durante o jogo.”

Eleito o melhor em campo, Vinícius Júnior também reconheceu o peso emocional da estreia.

“Sem dúvidas, é o peso da estreia. Tomamos o gol muito cedo, isso muda completamente a forma de jogar. Para ganhar a Copa do Mundo, você vai ter que sofrer, tomar gol e virar jogos”, declarou.

Apesar da atuação abaixo do esperado, o elenco tratou o duelo contra o Marrocos como o mais difícil da fase de grupos e um importante teste para o restante da competição. O consenso entre jogadores e comissão técnica é de que a Seleção precisa controlar melhor a ansiedade para evitar novos tropeços.

A estreia ficou longe do sonho do torcedor brasileiro, mas a reação na segunda etapa e o reconhecimento dos próprios erros indicam que o grupo acredita ter margem para evolução. Em uma Copa do Mundo, aprender com os tropeços pode ser tão importante quanto vencer — e o Brasil espera transformar a ansiedade da estreia em maturidade para a caminhada rumo ao hexacampeonato.

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Da Redação do Agenda Capital

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