Terremotos na Venezuela atingiram magnitude de 7,5 . Foto: Reprodução.

Tremores de magnitudes 7,2 e 7,5 provocaram destruição em Caracas e outras cidades; governo decreta estado de emergência e mobiliza ajuda internacional

Por Delmo Menezes

A Venezuela vive uma das maiores tragédias naturais de sua história recente após ser atingida, nesta quarta-feira (24), por dois fortes terremotos de magnitudes 7,2 e 7,5, registrados com apenas 39 segundos de intervalo. Os tremores causaram destruição em larga escala, deixaram centenas de edifícios danificados e provocaram uma crise humanitária que mobiliza a comunidade internacional.

Segundo informações divulgadas pelo governo venezuelano, ao menos 200 pessoas morreram e mais de mil ficaram feridas. No entanto, as autoridades alertam que esses números podem crescer significativamente nas próximas horas, à medida que as equipes de resgate alcançam as áreas mais afetadas.

Além das vítimas já confirmadas, mais de 10 mil pessoas estão desaparecidas, elevando a preocupação das autoridades e organismos internacionais. O Serviço Geológico dos Estados Unidos (USGS) avalia que a tragédia pode resultar em um número de mortos entre 10 mil e 100 mil pessoas, considerando a intensidade dos tremores e a vulnerabilidade das construções atingidas.

Pânico e destruição

Os abalos sísmicos ocorreram no início da noite. O primeiro terremoto, de magnitude 7,2, foi registrado às 19h04 (horário de Brasília), com epicentro próximo à cidade de San Felipe e profundidade de 21,9 quilômetros. Apenas 39 segundos depois, um segundo tremor, ainda mais forte, de magnitude 7,5, ocorreu nas proximidades de Yumare, a cerca de 45 quilômetros do primeiro epicentro e a apenas 10 quilômetros de profundidade.

Em Caracas, moradores relataram cenas de desespero. Prédios balançaram violentamente, fachadas ruíram e diversas construções desabaram parcial ou totalmente. Bairros considerados nobres, como Chacao, Altamira e Palos Grandes, estão entre os mais afetados.

“O prédio balançou muito de um lado para o outro. Foi surreal. A força foi incrivelmente intensa”, relatou o morador Roberto Damas à imprensa local.

Além da capital, a cidade de Maracay também registrou graves danos estruturais. Os sistemas de metrô e trem foram suspensos por tempo indeterminado.

Pessoas passam de bicicleta por um prédio desabado após um terremoto em La Guaira, Venezuela, em 24 de junho de 2026. Reprodução. 

Aeroporto interditado

Entre os locais atingidos está o Aeroporto Internacional de Maiquetía, principal terminal aéreo do país. Parte do teto da estrutura desabou durante os tremores, levando as autoridades a interditarem completamente o aeroporto.

Em comunicado oficial, a presidente interina Delcy Rodríguez decretou estado de emergência nacional, determinando a suspensão das aulas e de serviços públicos não essenciais nas regiões afetadas.

Alerta de tsunami

Após os terremotos, o Centro de Alerta de Tsunamis dos Estados Unidos emitiu alertas preventivos para áreas do Caribe, incluindo Porto Rico e Ilhas Virgens. Contudo, após análises posteriores, a ameaça foi descartada e os avisos foram cancelados.

Os tremores também foram sentidos em diversas regiões da Colômbia e no norte do Brasil. Em Bogotá, capital colombiana, moradores deixaram prédios após o acionamento de alarmes e o balanço de estruturas, mas não foram registrados danos significativos.

Infraestrutura fragilizada

Especialistas apontam que a gravidade dos danos foi ampliada pela precariedade da infraestrutura venezuelana. O país enfrenta há anos uma profunda crise econômica, marcada por cortes frequentes de energia elétrica, falhas nos sistemas de comunicação e investimentos insuficientes em obras de prevenção e adaptação a eventos sísmicos.

Autoridades locais alertaram para o risco de novas réplicas. O ministro do Interior, Diosdado Cabello, pediu que a população evite permanecer em edificações danificadas e permaneça em áreas abertas sempre que possível.

“Estamos seguindo todos os protocolos de emergência para salvar vidas e prestar assistência às pessoas afetadas”, afirmou o ministro em pronunciamento transmitido pela televisão estatal.

Mobilização internacional

A dimensão da tragédia levou diversos países a oferecerem apoio imediato à Venezuela. Brasil, Estados Unidos, México, China, Catar e outras nações manifestaram disposição para enviar equipes especializadas de busca e salvamento, além de medicamentos, alimentos, equipamentos médicos e materiais de primeiros socorros.

O Ministério das Relações Exteriores do Brasil informou que acompanha a situação por meio da Embaixada brasileira em Caracas e declarou que, até o momento, não há registro de cidadãos brasileiros entre as vítimas.

Enquanto as operações de resgate avançam, milhares de famílias aguardam notícias de parentes desaparecidos. As próximas horas serão decisivas para a localização de sobreviventes sob os escombros e para a avaliação da real dimensão daquela que já é considerada uma das mais graves catástrofes naturais da história contemporânea da Venezuela.

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Da Redação do Agenda Capital

Delmo Menezes
Gestor público, jornalista, secretário executivo, teólogo e especialista em relações institucionais com experiência em diversos órgãos da administração direta e indireta. Analista político e observador atento da política local e nacional. Editor-Chefe do portal de notícias Agenda Capital.

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