Celina Leão (PP); José Roberto Arruda (PSD); Leandro Grass (PT); Paula Belmonte (PSDB) e Ricardo Cappelli (PSB). Montagem Agenda Capital.

Corrida ao Buriti e ao Senado entra em fase decisiva com cenário ainda indefinido até as convenções

Por Delmo Menezes*

As articulações para as eleições de outubro no Distrito Federal continuam em ritmo intenso, mas o desenho definitivo da disputa majoritária ainda está longe de ser conhecido. Apesar de a corrida ao Governo do Distrito Federal já apresentar uma pré-candidata em vantagem nas pesquisas de intenção de voto, que é a governadora Celina Leão (PP), a formação das chapas e, principalmente, a disputa pelas duas vagas ao Senado permanecem cercadas de indefinições.

Nos bastidores, dirigentes partidários aguardam definições políticas e jurídicas que deverão ocorrer até o fim deste mês. A expectativa é que essas decisões tenham impacto direto na composição das alianças e na escolha dos candidatos ao Palácio do Buriti e ao Senado Federal.

A mais recente pesquisa de intenção de voto divulgada pelo Instituto Paraná mostrou a governadora Celina Leão (PP) liderando todos os cenários estimulados para o Governo do Distrito Federal. Entretanto, o levantamento espontâneo revela que 66,7% dos eleitores ainda não sabem em quem votar, demonstrando que a disputa permanece completamente aberta.

Esse elevado índice de indecisos significa que há um enorme espaço para mudanças no cenário eleitoral nos próximos meses, especialmente após as convenções partidárias e o início oficial da campanha.

Senado concentra maior indefinição

Se a disputa pelo GDF começa a ganhar contornos mais claros, o mesmo não ocorre com a corrida ao Senado, considerada hoje a mais imprevisível do Distrito Federal.

Diversos partidos ainda não definiram seus representantes e novas possibilidades surgem praticamente todos os dias.

Um dos casos mais emblemáticos envolve o senador Izalci Lucas (PL). Inicialmente cotado para disputar o Governo do Distrito Federal, o parlamentar passou a ser apontado como possível candidato ao Senado. Agora, diante das incertezas dentro da legenda, também é cogitada sua candidatura à Câmara dos Deputados.

Grande parte dessa indefinição está relacionada ao futuro político da ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro (PL). Embora seu nome continue sendo lembrado para o Senado, ela ainda não confirmou se disputará as eleições no Distrito Federal.

Caso Michelle desista da candidatura, o Republicanos poderá apresentar alternativas. Entre os nomes que circulam internamente está o da ex-ministra Cristiane Britto, que passou a ser considerada uma possibilidade para compor a chapa ao Senado.

PSD aguarda definições jurídicas

Outro partido que mantém cautela é o PSD-DF.

A legenda trabalha com diferentes cenários e avalia nomes como o ex-deputado federal Ronaldo Fonseca e o empresário e ex-vice-governador Paulo Octávio para a disputa ao Senado.

Entretanto, a estratégia do partido depende diretamente da situação jurídica do ex-governador José Roberto Arruda. Enquanto não houver uma definição sobre sua elegibilidade, a legenda permanece em compasso de espera para fechar sua chapa majoritária.

MDB mantém estratégia reservada

No MDB, as articulações também continuam intensas.

A relação política entre a governadora Celina Leão e o ex-governador Ibaneis Rocha passou por momentos de tensão nos últimos meses e ainda influencia as negociações para a composição das chapas, e até mesmo na Câmara Legislativa do DF.

Celina já anunciou o ex-chefe da Casa Civil Gustavo Rocha (Republicanos) como pré-candidato a vice-governador. Apesar disso, interlocutores políticos admitem que mudanças ainda podem ocorrer até a realização das convenções.

Enquanto isso, o deputado federal Rafael Prudente mantém oficialmente o discurso de que buscará a reeleição para a Câmara dos Deputados. Nos bastidores, porém, seu nome continua sendo citado como uma alternativa para disputar o Governo do Distrito Federal, dependendo da evolução do cenário político e das definições envolvendo outras candidaturas.

Lideranças políticas avaliam que uma decisão definitiva sobre esse tema deverá ocorrer até o encerramento do mês.

Esquerda busca consolidar candidaturas

Na esquerda, o PT trabalha para fortalecer a pré-candidatura de Leandro Grass ao Palácio do Buriti.

Embora seja o nome escolhido pela legenda, integrantes do partido reconhecem reservadamente que ainda há desafios para ampliar sua competitividade eleitoral e consolidar uma candidatura capaz de disputar uma vaga no segundo turno.

No PSB, Ricardo Cappelli também segue em pré-campanha. Nos últimos dias, o ex-interventor federal na segurança pública do Distrito Federal tem buscado ajustar sua estratégia de comunicação, adotando um discurso mais voltado à apresentação de propostas e à ampliação do diálogo com diferentes segmentos do eleitorado.

Paula Belmonte amplia articulações

Outra pré-candidata que vem intensificando sua movimentação política é a deputada distrital Paula Belmonte (PSDB).

Ela tem investido nas articulações partidárias e mantém diálogo com diferentes lideranças políticas do Distrito Federal.

Entre elas está o ex-senador Reguffe (Solidariedade), que ainda não definiu qual será seu papel nas eleições deste ano. Um eventual apoio ou até mesmo uma participação direta em sua chapa majoritária poderá alterar significativamente o equilíbrio da disputa.

Próximos dias serão decisivos

Com o calendário eleitoral avançando, dirigentes partidários reconhecem que as próximas semanas serão determinantes para a consolidação das candidaturas.

Além da escolha definitiva dos nomes que disputarão o Governo do Distrito Federal, a definição das duas vagas ao Senado ainda depende de negociações, alianças e desdobramentos jurídicos que poderão alterar o cenário político.

Embora algumas pré-candidaturas já estejam consolidadas, o elevado número de eleitores indecisos e a falta de definição em importantes partidos indicam que a disputa majoritária no Distrito Federal permanece completamente aberta.

Até o fim de julho, quando diversas decisões estratégicas deverão ser tomadas, a expectativa nos bastidores é de que novas composições, desistências e alianças ainda possam redesenhar o mapa político da capital federal. Quem viver verá!

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*Delmo Menezes – Gestor público, jornalista, secretário executivo, teólogo e especialista em relações institucionais com experiência em diversos órgãos da administração direta e indireta. Analista político e observador atento da política local e nacional. Editor-Chefe do portal de notícias Agenda Capital.

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