Até 5 de agosto, partidos precisam fechar candidaturas ao GDF, Senado e Câmara Legislativa; principais dúvidas ainda estão nas alianças, nas vagas ao Senado e na composição das chapas. Convenções entram na reta final e começam a definir o mapa eleitoral do DF

Por Delmo Menezes

A eleição de 2026 começa a deixar os bastidores da política do Distrito Federal e ganhar forma pública. Com o período de convenções partidárias chegando à reta final, os partidos têm até a próxima quarta-feira (5) para definir oficialmente seus candidatos e as alianças que serão levadas às urnas.

No Distrito Federal, a disputa pelo Governo, pelas duas vagas ao Senado e pelas cadeiras da Câmara Legislativa concentra as principais negociações. Embora parte dos nomes já esteja encaminhada, algumas das decisões mais importantes ainda dependem das convenções e dos acordos fechados nos últimos dias.

As convenções são o momento em que os partidos homologam as candidaturas. Depois dessa etapa, as legendas terão até 15 de agosto para apresentar os pedidos de registro à Justiça Eleitoral. A campanha eleitoral começa oficialmente em 16 de agosto.

O que já está praticamente definido

O principal grupo político do DF caminha para ter Celina Leão (PP) como candidata à reeleição ao Governo do Distrito Federal.

A governadora deverá ser oficializada na convenção conjunta do Progressistas e do União Brasil, marcada para domingo (2), no Centro de Convenções Ulysses Guimarães.

A composição da chapa também começa a ser conhecida. O Republicanos deverá confirmar Gustavo Rocha como candidato a vice-governador, nesta quinta-feira (30/7).

No campo da oposição, diferentes candidaturas deverão ser formalizadas nos próximos dias.

O PSD e o Avante realizam convenção no sábado (1º) para confirmar José Roberto Arruda na disputa pelo Palácio do Buriti.

O PSB deverá oficializar Ricardo Cappelli na segunda-feira (3).

Na terça-feira (4), será a vez do PT confirmar Leandro Grass como candidato ao Governo do DF. Na mesma convenção, a legenda deverá homologar Erika Kokay para o Senado.

O PSDB também deverá confirmar Paula Belmonte para a disputa pelo Governo do Distrito Federal.

O Novo, por sua vez, deverá lançar Kiko Caputo ao Palácio do Buriti.

Com isso, o cenário tende a apresentar uma disputa bastante fragmentada, com candidaturas de diferentes campos políticos.

QUADRO — O que está definido e o que ainda está em aberto

DisputaSituação atual
Governo do DF — Celina LeãoDeve ser oficializada pelo PP, com apoio do União Brasil e de outras legendas
Vice de CelinaRepublicanos deve confirmar Gustavo Rocha
Governo do DF — ArrudaPSD e Avante deverão homologar a candidatura
Governo do DF — Ricardo CappelliPSB deverá oficializar
Governo do DF — Leandro GrassPT deverá homologar
Governo do DF — Paula BelmontePSDB deverá confirmar
Governo do DF — Kiko CaputoNovo deverá oficializar
Senado — Erika KokayPT deverá homologar
Senado — Bia KicisPL deverá confirmar a candidatura
Senado — Sebastião CoelhoNovo deverá oficializar
Segunda vaga ao SenadoAinda é uma das principais disputas em aberto
Chapas proporcionaisAinda serão definidas pelas convenções
Alianças partidáriasAlgumas ainda dependem das decisões finais das legendas

Senado é o principal ponto de interrogação

Se a disputa pelo Governo começa a apresentar vários nomes, o Senado ainda é o maior quebra-cabeça eleitoral do DF.

Em 2026, os eleitores do Distrito Federal escolherão dois senadores. Isso significa que partidos e grupos políticos precisam organizar suas estratégias levando em consideração não apenas a candidatura ao Palácio do Buriti, mas também a formação das chapas para o Senado.

Entre os nomes que deverão ser oficializados estão Erika Kokay, pelo PT, Bia Kicis, pelo PL, e Sebastião Coelho, pelo Novo.

A questão central, entretanto, é saber quais serão os demais nomes e como os partidos distribuirão seus apoios.

A definição dessas candidaturas pode alterar também as alianças para o Governo do DF. Um partido pode apoiar determinado candidato ao Buriti e, ao mesmo tempo, lançar candidato próprio ao Senado.

Por isso, as convenções dos próximos dias serão fundamentais para entender quem estará efetivamente em cada lado da disputa.

Celina tenta consolidar uma ampla aliança

A candidatura de Celina Leão deverá sair das convenções com uma das maiores estruturas partidárias da eleição.

A governadora conta com o apoio do Progressistas e deverá ter o União Brasil integrado à sua aliança. O Republicanos também caminha para participar da composição, com Gustavo Rocha na vice.

O desafio do grupo será ampliar a coalizão sem criar conflitos entre partidos interessados nas duas vagas ao Senado e nas candidaturas proporcionais.

A formação da chapa majoritária também terá impacto direto na eleição para deputado federal e deputado distrital, já que os partidos precisarão organizar suas nominatas e estratégias eleitorais.

Arruda volta ao centro da disputa

A candidatura de José Roberto Arruda pelo PSD representa outro movimento importante na eleição, apesar dos imbróglio jurídicos.

O ex-governador deverá ser confirmado no sábado (1º), durante a convenção conjunta do PSD e do Avante.

A presença de Arruda na corrida pelo Buriti muda a configuração da oposição e pode provocar novas movimentações entre partidos que ainda não definiram apoio.

A convenção também será importante para apresentar a composição da chapa e os nomes que disputarão as eleições proporcionais.

Oposição terá várias candidaturas

Outro aspecto que chama atenção é a pulverização da oposição.

Além de Arruda, o eleitor deverá encontrar nas urnas candidaturas como Ricardo Cappelli, Leandro Grass, Paula Belmonte e Kiko Caputo.

A quantidade de candidatos pode provocar uma disputa bastante dividida no primeiro turno.

Nesse cenário, o desempenho de cada candidatura dependerá não apenas da intenção de voto, mas também da capacidade de construir alianças, organizar estrutura partidária e apresentar nomes competitivos para Câmara dos Deputados e Câmara Legislativa.

CLDF também será definida

As convenções não servem apenas para escolher os candidatos ao Governo e ao Senado.

Os partidos também precisam definir as chamadas nominatas, que são as listas de candidatos a deputado federal e deputado distrital.

Essa etapa é estratégica porque os partidos precisam montar chapas competitivas e distribuir suas forças eleitorais.

Na disputa proporcional, o eleitor vota no candidato, mas os votos também são contabilizados para o partido ou federação. Por isso, a composição das nominatas pode ser tão importante quanto a escolha dos candidatos majoritários.

Nos próximos dias, portanto, também devem ser anunciados nomes que estavam sendo negociados nos bastidores para disputar uma vaga na Câmara Legislativa e na Câmara dos Deputados.

Calendário das próximas convenções no DF

Quinta-feira — 30 de julho

Republicanos

A legenda realiza convenção às 18h, no Espaço Monumental, em Brasília.

A expectativa é de oficialização de Gustavo Rocha para a vice-governadoria na chapa da governadora Celina Leão (PP), candidata à reeleição.

Sexta-feira — 31 de julho

Novo

A convenção será realizada às 19h30, no Brazólia Cozinha e Bar, no Setor de Garagens Oficiais.

O partido deverá confirmar Kiko Caputo como candidato ao Governo do DF e Sebastião Coelho para o Senado.

Sábado — 1º de agosto

O sábado concentra uma das maiores movimentações partidárias da reta final.

Podemos — às 8h30, no Minas Hall Brasília. A legenda deverá oficializar candidatos à Câmara Legislativa e à Câmara dos Deputados e declarar apoio à candidatura de Celina Leão.

MDB — das 9h às 13h, no Clube da Ascade. A legenda ainda não havia divulgado todos os nomes que serão homologados, tornando a convenção uma das mais aguardadas.

PSD e Avante — às 14h, no Centro Internacional de Convenções do Brasil (CICB). A reunião deverá confirmar José Roberto Arruda como candidato ao Governo do DF.

PL — às 17h, no estacionamento 11 do Parque da Cidade. A convenção deverá tratar da composição da chapa do partido, incluindo a disputa pelo Senado. Bia Kicis é apontada para uma das vagas.

Domingo — 2 de agosto

União Brasil e Progressistas (PP) — às 9h, no Centro de Convenções Ulysses Guimarães. A reunião deverá oficializar Celina Leão como candidata à reeleição ao Governo do DF e avançar na definição da composição da chapa.

Solidariedade — às 15h, na sede do partido, no Lago Sul. Os nomes que serão homologados ainda não foram divulgados.

PL — às 17h, novamente no Parque da Cidade. A legenda deverá concluir a definição de sua chapa para a eleição no DF. A convenção distrital também é considerada importante para esclarecer a composição da disputa ao Senado.

Segunda-feira — 3 de agosto

PSB — às 17h, no auditório da Associação dos Docentes da Universidade de Brasília (ADUnB), no campus Darcy Ribeiro. O partido deverá confirmar Ricardo Cappelli para a disputa do Governo do DF.

Democrata — às 18h, no auditório da Câmara Legislativa. A legenda deverá definir sua posição na disputa pelo Governo do DF e oficializar sua nominata para as eleições proporcionais.

Terça-feira — 4 de agosto

A terça-feira será marcada por três convenções.

PT — às 19h, na Câmara Legislativa do DF. A legenda deverá homologar Leandro Grass para o Governo do DF e Erika Kokay para o Senado.

Mobiliza — às 19h, no auditório do Colégio La Salle, na Asa Sul. Os nomes que serão homologados ainda não foram divulgados.

PSDB — às 19h, na AABB, no Setor de Clubes Esportivos Sul. A expectativa é de confirmação de Paula Belmonte como candidata ao Governo do DF.

Com o fim das convenções, o eleitor finalmente terá uma visão mais clara de quem pretende disputar o comando do Distrito Federal. A partir de 16 de agosto, começa uma nova fase: a campanha eleitoral propriamente dita, quando as alianças e candidaturas deixam os salões das convenções e passam a ser submetidas diretamente ao voto do eleitor.

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Da Redação do Agenda Capital

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