Com 12 das 13 candidaturas presidenciais formadas por integrantes do mesmo partido, eleição deste ano terá maior número de chapas “puro-sangue” desde 1989
Por Redação
A eleição presidencial de 2026 será marcada por uma característica pouco comum na política brasileira: a predominância de chapas “puro-sangue”. Das 13 candidaturas lançadas até agora, 12 têm presidente e vice filiados ao mesmo partido. O índice de 92,3% é o maior desde a retomada das eleições diretas, em 1989, quando 19 das 22 chapas tinham essa característica.
A escolha do deputado federal Alfredo Gaspar (PL-AL) para vice de Flávio Bolsonaro (PL) consolidou esse cenário e, ao mesmo tempo, expôs uma dificuldade enfrentada pelo senador: a resistência dos grandes partidos do chamado Centrão em aderir formalmente à sua candidatura no primeiro turno.
PP, União Brasil, Republicanos e Podemos decidiram manter neutralidade na disputa presidencial e deixaram seus diretórios estaduais livres para construir alianças conforme os interesses locais. MDB e Solidariedade também adotaram postura semelhante.
Para especialistas, a mudança revela uma transformação na lógica das alianças eleitorais. Com o maior controle sobre recursos públicos, como o Fundo Eleitoral, o Fundo Partidário e as emendas parlamentares, os partidos ganharam autonomia e passaram a ter menos interesse em fechar antecipadamente uma aliança nacional.
Partidos querem liberdade para negociar
A estratégia permite que as legendas mantenham portas abertas com diferentes candidatos e negociem apoio político depois do primeiro turno. A lógica é simples: quanto maior a liberdade de atuação, maior o poder de barganha diante de um eventual segundo turno.
As mudanças nas regras eleitorais também contribuíram para esse cenário. O fim das coligações proporcionais, a cláusula de desempenho e a liberdade para que os partidos estabeleçam alianças diferentes nos Estados reduziram a necessidade de reproduzir, nas disputas estaduais, as alianças construídas nacionalmente.
Na prática, um partido pode apoiar um candidato à Presidência e, ao mesmo tempo, estar aliado a um adversário na disputa pelo governo estadual.
Flávio é o principal prejudicado
O isolamento de Flávio Bolsonaro tende a pesar mais no primeiro turno, segundo especialistas. O problema não está necessariamente no tamanho do PL ou no tempo de propaganda eleitoral, mas na capacidade de mobilização nos municípios.
Partidos como União Brasil, PP, Republicanos e MDB possuem estruturas espalhadas pelo país, com prefeitos, vereadores e lideranças locais. Sem uma aliança formal com essas legendas, Flávio pode enfrentar mais dificuldades para ampliar sua presença nos municípios e transformar sua força eleitoral em uma estrutura nacional de campanha.
No PL, entretanto, a avaliação é diferente. A legenda acredita que o quadro ainda pode mudar durante a campanha e aposta principalmente em uma eventual disputa de segundo turno. A expectativa é de que partidos que hoje se mantêm neutros acabem se aproximando do candidato que demonstrar maiores chances de vitória.
Lula mantém aliança mais ampla
Enquanto Flávio concorrerá em uma chapa exclusivamente do PL, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) conta com uma estrutura partidária mais ampla. PT, PCdoB e PV integram uma federação, enquanto PSB, PDT, PSOL e Rede também apoiam a candidatura.
Ainda assim, a liberdade concedida pelos partidos nos Estados permite que Lula também atraia apoios de setores de legendas que adotaram neutralidade nacional.
O resultado é uma eleição em que as alianças não desapareceram, mas mudaram de lugar. Em vez de grandes acordos nacionais antes das urnas, os partidos preferem preservar autonomia, fortalecer suas bancadas e deixar a definição do apoio presidencial para o momento em que o resultado das urnas estiver mais claro.
Em 2026, portanto, a velha política de alianças continua viva — mas com novas regras. E, no primeiro turno, quem mais sente os efeitos dessa mudança é justamente uma das candidaturas que mobiliza uma parcela expressiva do eleitorado: a de Flávio Bolsonaro.
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Da Redação do Agenda Capital





