Rev. Ruimar Fonseca - pastor, escritor, conferencista, com formação em Teologia e Direito.

Por Ruimar Fonseca*

Mediocridade é estar na média. Não é ser necessariamente bom ou ruim. É ser apenas suficiente. É contentar-se com o “dá para o gasto”. E, infelizmente, tenho a impressão de que o Brasil se acostumou a isso.

Mais uma vez, assistimos a dois candidatos se digladiando numa disputa em que parece importar mais provar que o adversário é pior do que apresentar ao país um projeto consistente de futuro. Propostas são secundárias. Planos de governo parecem existir apenas “para inglês ver”. Enquanto isso, o povo continua pagando a conta.

O custo de vida está nas alturas. A violência urbana rouba a paz do cidadão. O crime organizado se infiltra, silenciosamente, nas estruturas da sociedade e do Estado. E, no meio de tudo isso, continuamos presos a uma polarização que transforma a política brasileira em um interminável Fla-Flu.

De um lado, vemos o filho do presidente em exercício exercendo influência política e, segundo denúncias divulgadas publicamente, até sobre obras do governo. E os chamados guardiões da democracia parecem enxergar algumas coisas e ignorar outras. Dois pesos e duas medidas não combinam com uma democracia madura.

É triste para um país perceber que sua Justiça pode ser vista como aparelhada ou seletiva. Quando as instituições perdem a confiança da população, o dano ultrapassa qualquer governo ou partido. O mau exemplo dado no topo acaba contaminando todo o sistema.

Do outro lado, temos o filho de um ex-presidente preso, lançado como candidato no lugar do pai, enquanto surgem questionamentos sobre recursos destinados ao filme Dark Horse e supostas relações com personagens envolvidos em grandes escândalos financeiros, como o empresário Daniel Vorcaro.

É nesse ambiente que a política brasileira vai se deteriorando: acusações de um lado, suspeitas do outro, e quase nenhuma discussão séria sobre aquilo que realmente deveria ocupar o centro do debate nacional.

E quem perde?

O Brasil.

Essa polarização ridícula, escandalosa e, permitam-me a expressão, burra, impede que outros nomes e outras propostas sejam devidamente considerados. Figuras como Ronaldo Caiado, governador de Goiás, que apresenta resultados expressivos na área de segurança pública, e Romeu Zema, cuja gestão em Minas Gerais é frequentemente lembrada por sua postura administrativa e fiscal, acabam amargando índices modestos nas pesquisas.

O Fla-Flu político interessa justamente àqueles que desejam manter o atual estado de coisas. Enquanto a população briga nas redes sociais, os verdadeiros problemas continuam esperando por soluções.

Precisamos discutir segurança pública. Precisamos discutir educação, saúde, infraestrutura, equilíbrio fiscal, geração de empregos, combate à corrupção e redução das desigualdades. Precisamos discutir um projeto de país.

Mas, em vez disso, continuamos discutindo quem é menos pior.

Ainda assim, eu escolho ter esperança.

Sou um otimista incorrigível. Creio em Deus e acredito no povo brasileiro. Tenho esperança de que nosso país encontrará o caminho e de que as próximas gerações não precisarão carregar o peso dos absurdos que estamos testemunhando hoje.

Não acredito, porém, que a solução esteja em transformar qualquer político em salvador da pátria.

Reeleger Lula, na minha avaliação, significa prolongar um projeto político que está no poder há décadas e que carrega consigo o peso de graves escândalos de corrupção, entre eles aqueles investigados pela Operação Lava Jato.

Eleger Flávio Bolsonaro, por outro lado, apesar de reconhecer nele um político jovem e com trajetória própria, seria colocar o futuro do país nas mãos de uma família que construiu sua força política a partir de uma intensa mobilização popular e de uma profunda polarização ideológica.

Não creio que o Brasil precise escolher entre dois extremos.

O Brasil precisa de instituições fortes. Precisa de homens e mulheres públicos que compreendam que governar não é conquistar poder, mas servir à sociedade.

Precisamos romper com o populismo, venha ele de onde vier. Precisamos desconfiar das soluções fáceis, das promessas grandiosas e dos discursos que oferecem tudo com uma mão enquanto retiram com a outra.

Não podemos continuar sendo massa de manobra daqueles que, em nome do patriotismo, da democracia ou de qualquer outra bandeira, desejam apenas conquistar ou perpetuar o poder.

Por isso, rogo a Deus que tenha misericórdia de nós.

Que esta página seja virada o mais breve possível.

Que o brasileiro abra os olhos, pense, compare, questione e vote com consciência. Que não entregue seu voto por paixão, medo, ódio ou promessa fácil.

As próximas eleições não decidirão apenas quem ocupará o Palácio do Planalto. Elas ajudarão a definir o ambiente político, econômico e institucional no qual viverão nossos filhos e netos.

O Brasil precisa deixar de ser o país do “dá para o gasto”.

Precisamos voltar a sonhar com uma nação de excelência.

Uma nação onde a Justiça seja verdadeiramente independente, onde as instituições sejam respeitadas, onde a corrupção não seja tolerada, onde o cidadão tenha segurança para viver, onde nossos filhos recebam educação de qualidade e onde eficiência e responsabilidade sejam valores de governo.

O Brasil é grande demais para continuar pequeno em seus sonhos.

Ainda acredito que podemos construir uma nação melhor.

Ainda acredito que podemos virar essa página.

Mas essa mudança começa também por nós.

Exerça sua cidadania. Pense antes de votar. Não seja manipulado.

Seu voto pode significar uma virada de página.

Ou simplesmente mais do mesmo.

*Ruimar Fonseca: pastor, escritor e conferencista. Graduado em Direito e Teologia e Pós graduado em Aconselhamento Contemporâneo. Colunista do portal de notícias Agenda Capital.

(Siga o Agenda Capital no Instagram>https://www.instagram.com/agendacapitaloficial)

1 COMENTÁRIO

  1. Concordo plenamente com pastor Ruimar Fonseca . Temos que dar atenção as propostas e não em brigas apontando as falcatruas do adversário. Vamos votar consciente e mudar o rumo do nosso amado Brasil. “COM DEUS PRÁ FRENTE SEMPRE!”

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