
Ronaldo Caiado quebra resistência e conquista simpatia de eleitores de Lula e Flávio no primeiro debate da Band
Por Redação
O ex-governador de Goiás Ronaldo Caiado (PSD) foi o candidato com o melhor desempenho no debate presidencial promovido pelo Grupo Bandeirantes em parceria com o Estadão. A avaliação foi feita por um grupo de 12 eleitores reunido pelo Instituto Travessia na noite de domingo, 23, para acompanhar o encontro em tempo real. A dinâmica mostrou também uma diferença marcante entre os eleitores dos dois líderes das pesquisas: enquanto os participantes que declaravam voto em Luiz Inácio Lula da Silva (PT) mantiveram-se fiéis ao petista até o fim, a maioria dos apoiadores de Flávio Bolsonaro (PL) migrou para outros nomes após o debate.
O grupo assistiu ao evento em uma “sala de espelho”, que permitiu aos participantes acompanharem o confronto de um lado enquanto a reportagem observava as suas reações do outro, sem ser vista. Ao longo da transmissão, os eleitores comentaram o desempenho dos três presidenciáveis que compareceram aos estúdios da Band e avaliaram suas falas por meio de três cartões: verde para aprovação, amarelo para neutralidade e vermelho para reprovação.
A pesquisa qualitativa tem caráter analítico, sem rigor estatístico, e não se iguala a um levantamento de intenção de voto. Os 12 participantes selecionados são moradores de São Paulo e pertencem às classes B, BC, C e D. A composição do grupo seguiu a proporção das pesquisas quantitativas, contando com três eleitores de Lula na pergunta estimulada, três de Flávio, um de Renan Santos (Missão), um de Caiado, um de Romeu Zema (Novo) e três indecisos.
Ausências e mudança de intenção de voto
Lula, Flávio e Zema não compareceram ao debate, que contou apenas com as presenças de Renan Santos (Missão), Ronaldo Caiado (PSD) e Augusto Cury (Avante).
A ausência do atual presidente não foi problematizada por seus eleitores. Ao contrário, os três simpatizantes do PT reproduziram a justificativa dada pelo próprio Lula, de que, se tivesse comparecido à Band, teria se tornado o alvo preferencial dos adversários.
Por outro lado, entre os três eleitores de Flávio Bolsonaro, a falta do senador provocou frustração. Ao final do programa, duas apoiadoras deixaram de declarar voto no filho de Jair Bolsonaro e passaram a apoiar Caiado, enquanto o terceiro eleitor terminou dividido entre Flávio e Renan. O ex-governador goiano também conquistou o voto da única participante que apoiava Romeu Zema, além de captar um eleitor indeciso.
“O que percebemos é que os eleitores de Lula pouco mudaram, mas os de Flávio abandonaram seu candidato e optaram por Caiado e Renan como alternativas. Entre os indecisos jovens, Renan tende a subir, enquanto as mulheres tendem a votar em Caiado. Já os eleitores de Lula parecem mais difíceis de se movimentar”, avalia Renato Dorgan, CEO do Instituto Travessia e mediador da dinâmica.
Dorgan destaca que Caiado conseguiu romper a resistência do eleitorado petista. “Caiado agradou esses mesmos eleitores por ter experiência e propostas claras, enquanto Renan foi muito rejeitado por sua agressividade. Já Cury parece bem-intencionado para o grupo, mas não tem musculatura de presidente para colocar em prática questões complexas”, acrescenta o analista.
A falta dos líderes nas pesquisas incomodou, em especial, quem ainda não havia escolhido um candidato. Dois eleitores chegaram a defender que a participação nos debates deveria ser obrigatória sob pena de punição.
Para uma das eleitoras que migrou de Flávio para Caiado, o esvaziamento do estúdio acabou sendo positivo por abrir espaço para conhecer outras alternativas. Ao justificar a mudança, ela elogiou a postura centrada do ex-governador de Goiás: “Não vai causar tanto nem criar inimizades (se for eleito)”, afirmou. A participante também simpatizou com Augusto Cury, mas concluiu que o escritor ainda precisa “maturar”.
Outra eleitora que fez o mesmo movimento sequer conhecia Caiado antes da transmissão, mas se identificou com as propostas de segurança pública. O ex-governador apresentou medidas para a área e deu atenção à violência contra a mulher. Quando defendeu o confisco de bens de agressores e o aumento de pena conforme o grau de violência, obteve cartão verde de todos os participantes — o único momento de unanimidade do grupo.
Ao todo, Caiado recebeu quase 60 cartões verdes e apenas dois vermelhos. Ele foi definido como “experiente” e “técnico”, destacando-se entre as mulheres e recebendo elogios até de apoiadoras de Lula, que o consideraram o mais “equilibrado” e com uma “cara simpática”.
Estilo ‘sem filtro’ de Renan Santos agrada eleitorado masculino
Se Caiado conquistou as mulheres, Renan Santos teve melhor desempenho entre os homens. O candidato do Missão garantiu o voto de dois dos três indecisos e fez um apoiador de Flávio considerar o seu nome.
Os elogios ao candidato focaram em seu estilo “sem filtro” e nas propostas para a segurança pública, como a criação de “superpresídios”. Na sua fala inicial sobre o tema, obteve apoio da metade do grupo.
Um ex-eleitor de Flávio pontuou que Renan disse “muita coisa que está engasgada na garganta do brasileiro”. Outro participante elogiou a coragem do candidato em criticar tanto Lula quanto Flávio. Por outro lado, o tom bélico e o vocabulário considerado “chulo” geraram forte rejeição feminina, com eleitoras classificando o perfil de Renan como “agressivo” e “desequilibrado”.
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Da Redação do Agenda Capital com Estadão




