Candidatos ao GDF expõem propostas para Saúde e Educação. Celina Leão, Arruda, Leandro Grass e Paula Belmonte apresentaram propostas para enfrentar problemas da rede pública e apontaram diferentes caminhos para Saúde e Educação no Distrito Federal
Por Redação
Entre segunda-feira (14) e quinta-feira (17), os quatro candidatos ao Governo do Distrito Federal mais bem posicionados na pesquisa Datafolha participaram de entrevistas ao vivo no G1/Globo e apresentaram propostas para duas das principais áreas de interesse do eleitorado: Saúde e Educação.
Celina Leão (PP), José Roberto Arruda (PSD), Leandro Grass (PT) e Paula Belmonte (PSDB) foram questionados sobre contratação de profissionais, funcionamento do Instituto de Gestão Estratégica de Saúde do Distrito Federal (Iges-DF), atenção básica, escolas em tempo integral, valorização dos professores e modelos de gestão escolar.
As declarações revelaram estratégias diferentes para enfrentar problemas como filas na Saúde, falta de profissionais, estrutura das unidades, remuneração dos servidores e desempenho da rede pública de ensino.
Celina Leão defende contratações e ampliação da rede de Saúde
A candidata à reeleição, Celina Leão, destacou medidas adotadas durante sua gestão e afirmou que uma das decisões tomadas foi cancelar as comemorações do aniversário de Brasília para direcionar recursos à contratação de médicos.
Segundo Celina, a reorganização orçamentária também permitiu o pagamento de cerca de 20 mil cirurgias e 200 mil consultas, além da construção de sete novas Unidades de Pronto Atendimento (UPAs), cinco delas previstas para serem entregues ainda este ano.
A governadora afirmou que a ampliação da estrutura permitirá atender cerca de 700 mil pessoas a mais.
Celina também foi questionada sobre o uso de contratos temporários para profissionais da Saúde. Ela lembrou que, quando era deputada distrital, em 2014, se posicionava contra esse tipo de contratação, mas explicou que a modalidade é mais rápida e tem sido utilizada diante das necessidades atuais.
A candidata afirmou que a intenção do governo é realizar concursos para servidores efetivos, mas citou dificuldades para preencher determinadas especialidades. Como exemplo, mencionou concurso para anestesistas no qual, segundo ela, apenas um profissional se apresentou.
Sobre os hospitais que haviam sido prometidos em 2022, quando ocupava o cargo de vice-governadora, Celina afirmou que não pode ser responsabilizada diretamente pelas decisões tomadas na gestão anterior.
“Eu era vice do Ibaneis, eu não era governadora do Ibaneis”, afirmou.
Arruda promete mudança na gestão do Iges-DF
José Roberto Arruda concentrou suas críticas na estrutura e na gestão da Saúde pública. O candidato afirmou que é necessário melhorar a remuneração dos profissionais para atrair médicos e demais servidores para a rede.
Arruda classificou a atual gestão do Iges-DF como “caótica”, embora tenha defendido a manutenção do instituto.
Entre as medidas apresentadas estão a contratação de servidores já aprovados em concursos, a abertura de contratos emergenciais para médicos e a revisão da remuneração de médicos, enfermeiros e auxiliares de enfermagem.
“Não se faz saúde sem médico, não se faz educação sem professor, simples assim”, declarou.
O candidato também defendeu a digitalização da Saúde e mudanças na administração do Iges-DF, além de criticar o fato de moradores do Distrito Federal procurarem atendimento em Goiás.
Questionado sobre como financiaria novas contratações e a construção de hospitais, Arruda afirmou que pretende reduzir despesas administrativas, revisar contratos, diminuir cargos comissionados e o número de secretarias, além de rever gastos com aluguéis.
Grass quer mudar o modelo do Iges e fortalecer UBSs
Leandro Grass apresentou uma proposta de mudança mais estrutural para a Saúde. O candidato afirmou que o Iges-DF consome mais de R$ 1 bilhão por ano e, em sua avaliação, não entrega os resultados esperados pela população.
Grass disse que foi contrário à criação do instituto e afirmou que pretende modificar seu funcionamento caso seja eleito.
A principal aposta apresentada pelo candidato é o fortalecimento da atenção primária, com ampliação e estruturação das Unidades Básicas de Saúde (UBSs), contratação de novas equipes e maior oferta de atendimento próximo às residências.
Grass também afirmou que pretende aproveitar profissionais que atuam na ponta do sistema e fazer mudanças no quadro administrativo do Iges.
Durante a entrevista, o candidato criticou ainda o tempo de espera para consultas, exames e cirurgias no Distrito Federal e defendeu uma reorganização da rede para reduzir as filas.
Paula Belmonte propõe 40 novas UBSs e digitalização da Saúde
Paula Belmonte classificou a situação da Saúde pública do Distrito Federal como “vergonhosa” e apresentou como uma de suas principais propostas a construção de 40 novas UBSs.
A candidata afirmou que as unidades precisam estar mais próximas da população e contar com equipes completas para reforçar a prevenção e o acompanhamento dos pacientes.
Ela também defendeu a contratação de profissionais para reforçar a atenção básica e citou a falta de médicos para garantir a retaguarda das unidades.
Outra proposta apresentada por Paula é a digitalização dos serviços de Saúde, com o objetivo de permitir que o paciente acompanhe informações sobre consultas, cirurgias e sua posição nas filas.
A candidata também defendeu maior participação dos agentes comunitários no acompanhamento das famílias.
Educação entra no centro do debate
Na Educação, os quatro candidatos apresentaram propostas que passam por valorização dos professores, ampliação do ensino em tempo integral, qualificação profissional dos estudantes e mudanças no modelo de gestão das escolas.
Arruda quer recuperar ensino integral e valorizar professores
José Roberto Arruda afirmou que pretende contratar, já no início de um eventual governo, professores aprovados em concursos públicos.
O candidato também defendeu a revisão do plano de carreira do magistério e afirmou que os salários dos professores do Distrito Federal perderam posição em relação aos de outros estados.
Arruda apresentou ainda a retomada da proposta de Educação em tempo integral. Segundo ele, durante seu governo havia cerca de 200 escolas nesse modelo, enquanto atualmente seriam aproximadamente 30.
“Eu vou retomar o projeto de educação integral”, declarou.
Grass defende ensino integral e rejeita modelo militarizado
Leandro Grass afirmou ser contrário ao modelo de escolas militarizadas e defendeu como alternativa a expansão do ensino em tempo integral.
Segundo o candidato, as escolas devem oferecer, além do conteúdo tradicional, atividades relacionadas a arte, ciência, tecnologia e profissionalização.
Grass afirmou ainda que o Distrito Federal deveria ampliar a oferta de educação integral, utilizando recursos disponíveis no Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE).
Paula Belmonte mira Ideb e qualificação profissional
Paula Belmonte destacou o desempenho do Distrito Federal no Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb) e afirmou que pretende colocar a rede pública do DF na primeira posição do indicador até 2030.
A candidata também defendeu uma formação mais direcionada ao mercado de trabalho, com disciplinas e conteúdos relacionados a matemática financeira, empreendedorismo e tecnologia.
Paula relacionou ainda os gastos com transporte escolar à distância entre as escolas e as residências dos estudantes. Segundo ela, é necessário aproximar as unidades de ensino das comunidades.
Sobre as escolas cívico-militares, afirmou ser favorável à chamada “gestão democrática” e defendeu a participação da comunidade escolar na escolha dos diretores e na decisão sobre a adoção do modelo.
Celina destaca gestão e investimentos
Na entrevista, Celina apresentou como eixo de sua gestão a continuidade dos investimentos públicos e das ações já implementadas na rede.
Na Saúde, destacou a ampliação da estrutura física, contratação de profissionais e realização de consultas e cirurgias. A candidata também sustentou que a prioridade orçamentária adotada pelo governo permitiu ampliar a capacidade de atendimento.
Na Educação, o debate envolveu os desafios da rede pública e a necessidade de manter investimentos e estrutura para atender a demanda.
Quatro candidatos, diferentes caminhos
As entrevistas colocaram Saúde e Educação no centro da disputa pelo Palácio do Buriti. Embora os quatro candidatos reconheçam problemas na prestação dos serviços públicos, as propostas apresentadas apontam para caminhos distintos.
Na Saúde, Celina Leão destacou investimentos e ampliação da rede; Arruda defendeu mudanças na gestão do Iges-DF, contratação de profissionais e valorização salarial; Grass priorizou a atenção básica e propôs mudanças no instituto; e Paula Belmonte apresentou a expansão das UBSs e a digitalização como pilares de sua proposta.
Na Educação, Arruda defendeu a retomada do ensino integral e a valorização dos professores; Grass propôs ampliar o ensino em tempo integral e rejeitou o modelo militarizado; Paula Belmonte colocou o desempenho no Ideb e a formação profissional dos estudantes entre suas prioridades; enquanto Celina defendeu a continuidade dos investimentos realizados pelo atual governo.
O debate mostra que Saúde e Educação devem permanecer entre os principais temas da eleição para o Governo do Distrito Federal, especialmente pela dimensão dos desafios enfrentados diariamente pela população e pelo impacto dos serviços públicos na avaliação da próxima gestão.
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Da Redação do Agenda Capital




