54 das 81 cadeiras da Casa estão em jogo neste domingo; pesquisas apontam cenários apertados em grande parte das unidades da Federação
Por Redação
A disputa pelas 54 cadeiras do Senado que serão renovadas nas eleições deste domingo (4) chega à reta final marcada por cenários apertados em grande parte do país. Levantamentos divulgados nas últimas semanas mostram candidatos tecnicamente empatados em diversos estados, tornando a corrida pelas duas vagas de senador uma das mais abertas da eleição de 2026.
Cada estado e o Distrito Federal elegerão dois senadores, em uma disputa majoritária na qual os dois candidatos mais votados são eleitos. Ao contrário da eleição para governador e presidente, não há segundo turno para o Senado.
A configuração das pesquisas também evidencia uma forte presença de candidatos identificados com os campos políticos de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL). Em vários estados, entretanto, nomes de partidos do centro e de outras correntes políticas aparecem competitivos, o que dificulta estabelecer uma fotografia nacional uniforme.
Corrida apertada em boa parte do país
Entre os estados citados nos levantamentos mais recentes, Mato Grosso e Mato Grosso do Sul apresentam situações nas quais os candidatos que aparecem nas primeiras posições têm distância maior em relação aos demais dentro da margem de erro das pesquisas.
Em outras unidades da Federação, porém, a diferença entre os primeiros colocados é pequena. Santa Catarina, por exemplo, apresenta uma disputa envolvendo Carol de Toni (PL), Carlos Bolsonaro (PL) e Esperidião Amin (PP), com números próximos nas pesquisas.
Também aparecem candidatos alinhados ao grupo político de Flávio Bolsonaro entre os primeiros colocados em estados como Rondônia, Roraima, Tocantins e Acre. O quadro, contudo, varia de estado para estado e depende das margens de erro e do nível de definição do eleitorado.
As pesquisas eleitorais para o Senado enfrentam ainda uma particularidade: o eleitor precisa escolher dois candidatos, o que torna a distribuição dos votos diferente daquela observada nas disputas majoritárias de uma única vaga. O grau de indefinição também permanece relevante em algumas unidades.
Distrito Federal tem quatro nomes no centro da disputa
No Distrito Federal, a eleição para o Senado ganhou contornos nacionais. A ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro (PL) aparece na liderança dos levantamentos mais recentes, enquanto a segunda vaga permanece em disputa entre nomes de diferentes campos políticos.
Na pesquisa Datafolha divulgada em 1º de outubro, Michelle registrou 23%, enquanto Leila do Vôlei (PDT) e Bia Kicis (PL) apareceram com 18% cada. Erika Kokay (PT) marcou 13%. A margem de erro foi de três pontos percentuais.
A rodada mais recente da Quaest também colocou Michelle na frente. O levantamento anterior do instituto registrava 26% para a candidata, 19% para Leila e 15% para Bia Kicis e Erika Kokay.
O cenário mostra uma disputa concentrada em quatro candidaturas, com diferenças que podem se alterar nos últimos dias de campanha.
São Paulo, Minas e Rio concentram disputas de grande peso
Nos três maiores colégios eleitorais do país, a corrida também aparece sem definição antecipada.
Em São Paulo, a pesquisa Quaest colocou Guilherme Derrite (PP) com 18%, seguido por Marina Silva (Rede) e Simone Tebet (PSB), ambas com 15%. André do Prado apareceu com 12%.
No Rio de Janeiro, nomes associados ao campo bolsonarista disputam espaço com candidatos ligados ao PT e a outras forças políticas. No levantamento citado, Carlos Portinho (PL), Carlos Jordy (PL) e Benedita da Silva (PT) apareciam com percentuais próximos.
Em Minas Gerais, Domingos Sávio (PL), Marília Campos (PT), Carlos Viana (PSD) e Aécio Neves (PSDB) também formavam um quadro de disputa apertada.
O peso desses três estados é relevante não apenas pelo tamanho dos eleitorados, mas também pela composição política que seus futuros senadores poderão levar para Brasília a partir de 2027.
Nordeste apresenta outro desenho
O mapa eleitoral muda em parte do Nordeste, onde candidatos ligados ao presidente Lula aparecem competitivos em diversos estados.
Na Bahia, Rui Costa (PT) e Jaques Wagner (PT) aparecem entre os primeiros colocados. Na Paraíba, João Azevedo (PSB), Veneziano (MDB) e Nabor Wanderley (Republicanos) estão entre os nomes mais competitivos.
Em Pernambuco, Marília Arraes (PDT) e Humberto Costa (PT) aparecem nas primeiras posições dos levantamentos. No Maranhão, Roseana Sarney (MDB) e André Fufuca (PP) também figuram entre os candidatos mais citados.
Outros estados, como Amazonas, Amapá, Ceará, Espírito Santo, Pará, Rio Grande do Norte, Rio Grande do Sul e Sergipe, apresentam candidatos ligados ao campo governista entre os nomes competitivos.
Senado será peça central da composição política de 2027
A eleição deste ano é particularmente importante porque dois terços do Senado serão renovados. Das 81 cadeiras da Casa, 54 estarão em disputa, enquanto 27 senadores permanecem com seus mandatos.
O resultado terá impacto direto na composição política do Senado a partir de 2027. A Casa participa da aprovação de autoridades, da análise de projetos de lei e propostas de emenda à Constituição, além de exercer competências específicas em processos envolvendo ministros do Supremo Tribunal Federal.
Para formar maioria absoluta no Senado são necessários 41 dos 81 votos. Em votações que exigem quórum qualificado, como o julgamento de determinadas autoridades, o número necessário é ainda maior.
Por isso, a eleição para o Senado é acompanhada de perto pelos principais grupos políticos nacionais.
PL busca ampliar bancada
As projeções divulgadas ao longo da campanha apontaram para a possibilidade de crescimento da bancada do PL na próxima legislatura. Levantamentos também indicaram mudanças na composição de partidos como PSD, União Brasil, PP e MDB.
Uma das projeções divulgadas em setembro apontava crescimento do PL, enquanto o PSD aparecia com possibilidade de redução. Os números, entretanto, são projeções baseadas em pesquisas de intenção de voto e não representam o resultado eleitoral.
A disputa, portanto, não envolve apenas as 54 cadeiras individualmente. O resultado de domingo definirá também a correlação de forças dentro de uma Casa que terá papel importante nas relações entre o próximo governo federal, o Congresso e o Supremo Tribunal Federal.
Último retrato antes das urnas
Com a votação marcada para 4 de outubro, as pesquisas divulgadas até a véspera deverão oferecer o último retrato do eleitorado antes da abertura das urnas. A própria agenda de divulgação dos institutos prevê levantamentos finais para o sábado (3).
O cenário nacional, portanto, permanece fragmentado: há estados com lideranças mais consolidadas e outros nos quais diferenças pequenas colocam vários candidatos dentro da mesma faixa de disputa.
A definição, em todos os casos, ocorrerá pelo voto direto dos eleitores. No Senado, os dois candidatos mais votados em cada unidade da Federação ocuparão as cadeiras que estão sendo renovadas em 2026.
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Da Redação do Agenda Capital




