
Partido supera marca histórica do MDB de 1990 e passa a ocupar mais de um quinto das cadeiras; Nikolas Ferreira bate recorde nacional de votação
Por Delmo Menezes
BRASÍLIA – O Partido Liberal (PL) saiu das urnas neste domingo (4) como a maior força partidária da Câmara dos Deputados para a legislatura que começa em 2027. A legenda elegeu 121 deputados federais, um crescimento de 23,47% em relação aos 98 parlamentares que possui atualmente.
O resultado coloca o PL diante de uma marca histórica. A bancada supera a obtida pelo então PMDB, atual MDB, nas eleições de 1990, quando a legenda elegeu 109 deputados. Foi a maior bancada conquistada por um partido na Câmara desde a redemocratização até o resultado deste domingo.
Com 121 cadeiras, o PL passará a controlar mais de um quinto das 513 vagas da Câmara. O desempenho também amplia o peso político da legenda na definição da agenda legislativa a partir de 2027.
Nikolas Ferreira bate recorde histórico
O avanço do PL foi impulsionado por votações expressivas em diferentes Estados. Em Minas Gerais, Nikolas Ferreira (PL) alcançou 3.119.318 votos, tornando-se o deputado federal mais votado da história do país, segundo os dados da apuração.
Em São Paulo, Lucas Pavanato (PL) também obteve uma votação histórica, com 3.038.438 votos.
A nova bancada liberal terá ainda representantes da família Bolsonaro. Entre os eleitos estão Renato Bolsonaro, por São Paulo, irmão do ex-presidente Jair Bolsonaro, e Jair Renan Bolsonaro, por Santa Catarina.
PL amplia força no Congresso
O resultado das urnas também fortalece a representação do partido no Senado. Ao lado dos 121 deputados federais, a legenda terá 28 senadores, consolidando uma das maiores estruturas partidárias do Congresso Nacional.
O tamanho das bancadas terá impacto direto na distribuição dos recursos do fundo eleitoral nas próximas eleições. O PL já recebeu R$ 881 milhões do Fundo Eleitoral para o pleito de 2026.
A estratégia do partido para a próxima legislatura deverá manter como um dos eixos a defesa de pautas conservadoras e a atuação sobre temas relacionados ao Supremo Tribunal Federal (STF), incluindo a discussão sobre pedidos de impeachment de ministros da Corte.
Composição da Câmara dos Deputados


Centrão perde espaço
Enquanto o PL avançou, partidos do centro e do chamado Centrão registraram redução no número de deputados eleitos.
De acordo com os dados apresentados pelo Departamento Intersindical de Assessoria Parlamentar (Diap), o conjunto dessas legendas caiu de 284 para 257 cadeiras, uma redução de quase 30 parlamentares.
A federação formada por PP e União Brasil terá 87 deputados, contra 98 atualmente. O PSD caiu de 48 para 43 parlamentares, enquanto o Republicanos passou de 42 para 41.
O MDB, partido que detinha a marca histórica de 109 deputados eleitos em 1990, terá 36 parlamentares a partir de 2027, dois a menos que na atual legislatura.
O Podemos manteve 27 cadeiras. Já o PSDB, que possui atualmente 17 deputados, elegeu 11.
Novo dobra bancada
Entre os partidos que cresceram está o Novo, que praticamente dobrou sua representação na Câmara. A legenda elegeu cinco novos deputados e chegará a 10 parlamentares na próxima legislatura.
O Missão manteve sua única cadeira na Câmara, com a reeleição de Kim Kataguiri, que recebeu 520.071 votos.
Esquerda terá pequena redução
O campo da esquerda também terá uma pequena redução numérica na Câmara. As legendas do bloco, que atualmente somam 125 deputados, passarão a ter 124 cadeiras a partir de 2027.
A federação formada por PT, PCdoB e PV, entretanto, ampliou sua representação e elegeu 88 deputados, quatro a mais do que possui atualmente.
Em São Paulo, a vereadora Luna Zarattini (PT) foi a candidata petista mais votada, com 233.733 votos. Já Erika Hilton (PSOL) recebeu 1.596.472 votos, ficando entre as maiores votações para deputado federal no Estado. No DF, o Fábio Félix (PSol) obteve 224.224 do votos válidos.
Nova correlação de forças
O resultado das eleições redesenha a composição da Câmara dos Deputados para os próximos quatro anos. O PL emerge como a maior bancada individual, enquanto partidos tradicionais do centro perderam espaço e novas legendas ampliaram sua representação.
A nova composição deverá produzir uma Câmara com forte presença da direita e do campo conservador, ao mesmo tempo em que preserva uma bancada expressiva de partidos de esquerda e centro.
A correlação de forças será decisiva para a escolha da Presidência da Câmara e para a formação dos blocos que definirão a pauta de votações a partir de fevereiro de 2027.
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Da Redação do Agenda Capital



