
Ex-primeira-dama e deputada federal foram eleitas com quase 1,8 milhão de votos e chegam à Câmara Alta como protagonistas da nova direita
Por Delmo Menezes
A expressiva votação de Michelle Bolsonaro (PL) e Bia Kicis (PL) nas eleições de domingo (4) redesenha o campo conservador no Senado Federal e sinaliza uma nova correlação de forças a partir de 1º de fevereiro de 2027.
Michelle foi a campeã da disputa no Distrito Federal, com 938.496 votos (29%), enquanto Bia Kicis alcançou 886.616 votos (27%), garantindo a segunda vaga. Juntas, as duas somaram 1.825.112 votos, resultado que superou expectativas e confirmou a força eleitoral do bolsonarismo no DF.
A votação de Bia também teve um componente político importante. Pesquisas eleitorais apontavam a senadora Leila do Vôlei (PDT) como favorita para uma das vagas, mas a deputada federal conseguiu virar o jogo e terminou a eleição em segundo lugar, consolidando-se como uma das principais lideranças conservadoras do Distrito Federal.
A vitória das duas não se limita ao resultado eleitoral. Ela representa a chegada ao Senado de duas mulheres com forte identidade política com a direita e ampla capacidade de mobilização junto a setores conservadores, especialmente o eleitorado evangélico.
Uma bancada conservadora mais forte
Michelle e Bia se juntarão à senadora Damares Alves (Republicanos), eleita pelo DF em 2022, ampliando a presença do campo bolsonarista na representação do Distrito Federal no Congresso. Juntas, estão ajudando muito a governadora Celina Leão (PP), em busca da reeleição no segundo turno.
No plano nacional, o PL passará a contar com 28 senadores em 2027, sendo 19 eleitos neste pleito. O resultado coloca o partido como a segunda maior bancada da história recente do Senado desde a redemocratização.
A nova composição promete transformar a Câmara Alta em um dos principais palcos da disputa política entre direita e esquerda.
O Supremo Tribunal Federal (STF) está entre os principais pontos de tensão. Bia Kicis tem como uma de suas principais bandeiras o resgate das prerrogativas do Congresso e o equilíbrio entre os Poderes.
A futura senadora defende que o Senado exerça plenamente suas atribuições constitucionais, inclusive na análise de pedidos de impeachment de ministros de tribunais superiores quando existirem elementos que justifiquem o procedimento.
Michelle, por sua vez, chega ao Senado com forte capital político construído durante os anos em que esteve à frente das ações de mobilização do bolsonarismo, especialmente junto às igrejas evangélicas e aos movimentos conservadores.
Evangélicos ampliam influência
Um dos sinais mais claros da força política de Michelle ocorreu ainda durante a campanha.
Na quinta-feira (1º), um encontro que reuniu cerca de mil lideranças evangélicas na churrascaria Búfallo Bio na EPTG, em Brasília, demonstrou a capacidade de mobilização da ex-primeira-dama.
O evento também contou com a presença do ex-deputado federal Ronaldo Fonseca, que abriu mão da candidatura ao Senado para apoiar Michelle e Bia, e que foi um dos organizadores deste evento.
A aproximação com o segmento evangélico deverá ser um dos principais pilares da atuação política de Michelle no Senado. A ex-primeira-dama deverá atuar em pautas relacionadas à família, segurança pública, saúde, empreendedorismo e defesa de valores conservadores.
Segurança, saúde e empreendedorismo
Na segurança pública, Michelle defende o fortalecimento das forças policiais, com mais recursos, equipamentos e melhores condições de trabalho, além de políticas de proteção às famílias dos agentes.
Na saúde, pretende defender a organização das filas de atendimento, fortalecimento da vacinação e dos postos de saúde, ampliação de consultas à distância e investimentos voltados especialmente para mulheres, adolescentes e idosos.
Outra frente deverá ser a redução da burocracia para quem deseja empreender.
No Distrito Federal, Michelle pretende atuar em parceria com o governo local para simplificar licenças, facilitar a abertura e regularização de pequenos negócios e ampliar cursos de qualificação profissional.
Bia Kicis, por sua vez, pretende manter no Senado a defesa do agronegócio e da agricultura, além de propostas voltadas ao empreendedorismo e à geração de renda nas regiões administrativas do DF.
Pressão sobre Alcolumbre
A força da nova bancada conservadora também terá reflexos na disputa pelo comando do Senado.
O atual presidente da Casa, Davi Alcolumbre (União-AP), deverá enfrentar um cenário mais complexo caso queira permanecer no cargo na próxima legislatura.
Na avaliação do cientista político André César, sócio da Hold Assessoria Legislativa, a quantidade de parlamentares eleitos pelo PL evidencia a dimensão da força política que a direita terá no Congresso.
“Você puxa uma agenda da direita e o PL é o grande condutor, mas tem os outros partidos de direita, com força igual”, avaliou.
Para o especialista, Alcolumbre terá de negociar com esse novo bloco político caso queira construir maioria para sua recondução.
O presidente do Senado estreitou alianças com o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) nos últimos dois anos, movimento que provocou desconforto em setores da direita.
“Ele será testado e não terá uma vida fácil. Michelle e Bia, neste cenário, tornam-se protagonistas importantes”, afirmou André César.
O novo mapa político do Senado
A eleição de Michelle Bolsonaro e Bia Kicis coloca o Distrito Federal no centro da disputa política nacional.
Com Damares Alves já ocupando uma cadeira, a bancada feminina conservadora do DF passa a ter três nomes de grande projeção nacional.
Michelle chega ao Senado com a maior votação entre os candidatos do DF e forte ligação com o eleitorado bolsonarista e evangélico. Bia chega com uma votação igualmente expressiva e com experiência acumulada na Câmara dos Deputados.
A partir de fevereiro de 2027, as duas terão uma missão que vai muito além da representação do Distrito Federal: ajudar a definir os rumos da oposição e a nova agenda da direita no Congresso Nacional.
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Da Redação do Agenda Capital



