Ciro Nogueira foi um dos candidatos que sairam derrotados nas eleições de 2026. Foto: Reprodução

Nomes como Aécio Neves, Ciro Nogueira, Roseana Sarney e Marina Silva não se elegeram. Pleito marcou ainda revés para a longa carreira de Renan Calheiros no Senado e tentativa frustrada do PT de reabilitar Dirceu e Delúbio.

Por Redação

Além de marcar uma nova onda de direita, a eleição de domingo (4/10) também foi marcada por derrotas de nomes conhecidos e de lideranças influentes da política brasileira, tanto no cenário regional quanto no nacional.

Algumas tentativas de reeleição foram frustradas. Outros políticos, que buscavam retornar a cargos de maior projeção, também não conseguiram superar o julgamento das urnas. O resultado redesenhou o cenário político em diferentes estados e revelou mudanças importantes na composição das forças que disputarão os próximos espaços de poder. E algumas dessas derrotas marcam o fim de uma era.

Esse é o caso de Renan Calheiros (MDB), que vai deixar o Senado após 32 anos, ao encerrar em terceiro na disputa por uma vaga por Alagoas. Na política desde o fim dos anos 1970 e sobrevivente de diversos escândalos, Renan não sofria uma derrota eleitoral desde 1990, quando não conseguiu se eleger governador.

O senador Renan Calheiros não enfrentou uma derrota desde o início dos anos 1990.

Para o clã Calheiros ainda foi uma dupla derrota. O filho do patriarca da família, Renan Filho, que já governou Alagoas duas vezes, fracassou em uma nova tentativa de retomar o executivo estadual ao ser superado ainda no primeiro turno – ele, pelo menos, tem mandato de senador até 2031. Ambas as derrotas, de pai e filho, venceram para grupos rivais, um deles derrotados pelo casal JHC (PSDB) e outro pelo ex-presidente da Câmara Athur Lira (PP).

Outro parlamentar veterano que saiu derrotado nas urnas foi o senador Ciro Nogueira (PP), que assim como Renan, acumulou décadas no Congresso. Deputado entre 1995 e 2011 e depois senador por dois mandatos, Ciro foi recentemente arrastado para o escândalo do Banco Master. Enfraquecido, ficou em terceiro na disputa por uma vaga pelo Piauí.

Veterana e membro da dinastia Sarney no Maranhão, a ex-governadora Roseana Sarney (MDB), assim como Renan, é outra sobrevivente de escândalos políticos. Atual deputada federal, ela viu frustrada sua tentativa de voltar ao Senado, terminando em terceiro na disputa. No Ceará, o ex-ministro  Ciro Gomes (PSDB), outro veterano, acumulou mais uma derrota na sua longa carreira política ao perder a disputa pelo governo local ainda no primeiro turno.

Senador Aécio Neves. Foto: reprodução

Disputa ao Senado se revelou dura para vários veteranos

Além das derrotas chamativas de Renan Calheiros e Ciro Nogueira, o Senado se revelou intransponível para veteranos regionais ou nomes que costumavam ter projeção nacional.

Aécio Neves (PSDB), ex-candidato à Presidência que perdeu influência a partir da Lava Jato em 2016, amargou o sétimo lugar na disputa pelo Senado em Minas Gerais. Com seu atual período de término do deputado federal, será a primeira vez em 40 anos que Aécio não ocupará um mandato.

Outras duas ex-candidatas à Presidência, a ex-ministra Marina Silva (Rede), e a também ex-ministra Simone Tebet (PSB) também amargaram derrotas em São Paulo, apesar do apoio do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

No lado petista, a deputada, ex-ministra e ex-presidente do PT Gleisi Hoffmann ficou em quarto lugar na disputa por uma vaga ao Senado pelo Paraná. O mesmo ocorreu no Rio de Janeiro com a ex-senadora e ex-governadora Benedita da Silva, veterana da política desde o início dos anos 1980. 

Gleisi Hoffmann saiu derrota nas urnas em 2026. Foto: Wilton Junior/Estadão

Outros petistas veteranos que perderam disputas para o Senado incluem o ex-governador Jorge Viana (AC), o ex-ministro Paulo Pimenta (RS), o ex-prefeito Décio Lima (SC), e a deputada Erika Kokay (DF). Randolfe Rodrigues (AP), atual líder do governo Lula no Senado, por sua vez, não foi reeleito.

Em Roraima, Chico Rodrigues (PSB), veterano do Congresso desde o início dos anos 1990, não conseguiu se reeleger ao Senado ao ficar em quarto lugar. O mesmo ocorreu com Acir Gurgacz (PDT) em Rondônia, que tentou voltar ao Senado. Em Tocantins, o veterano Carlos Gaguim, nome conhecido da política local desde a emancipação do estado, em 1988, amargou a quarta posição.

Em Santa Catarina, o ex-prefeito, ex-governador e senador Esperidião Amin (PP), que iniciou sua carreira política pela Arena, antigo partido de sustentação do regime militar, viu sua tentativa de reeleição frustrada ao terminar em terceiro e ser superado por dois bolsonaristas, incluindo Carlos Bolsonaro.

No Rio de Janeiro, o ex-prefeito, ex-ministro, ex-senador e pastor Marcelo Crivella (Republicanos) amargou o sexto lugar na disputa pelo Senado. Outras derrotas ao Senado que já tiveram influência incluem Eunício Oliveira (MDB-CE), Germano Rigotto (MDB-RS), Sérgio Petecão (PSD-AC) e Rose de Freitas (MDB-ES).

PT não consegue reabilitar velhos nomes envolvidos em escândalos

Nestas eleições, o PT apresentou candidaturas de veteranos da sigla que se envolveram em escândalos nos anos 2000 e 2010 e procuraram uma redenção nas urnas.

José Dirceu, antigo estrategista do PT e ministro da Casa Civil no primeiro governo Lula, tentou voltar à Câmara Federal mais de duas décadas depois de ser cassado na agitação do escândalo do Mensalão. Lula afirmou em setembro que uma vitória de Dirceu seria uma “reparação histórica”. O ex-ministro, hoje com 80 anos, recebeu 78 mil votos no domingo em São Paulo, mas não conseguiu se eleger.

José Dirceu tentou voltar à Câmara depois de mais de duas décadas, mas votação não foi suficiente. Foto: Reprodução.

O mesmo ocorreu com Delúbio Sares, ex-tesoureiro e quadro histórico do PT, que também foi personagem do escândalo do Mensalão duas décadas atrás e depois ainda entrou na mira da Lava Jato em 2018. Candidato a uma vaga à Câmara pelo estado de Goiás e usando como slogan “O amigo do Lula”, Delúbio recebeu cerca de 14 mil votos e ficou distante da vaga.

No Paraná, o ex-deputado petista André Vargas, que se tornou o primeiro político condenado pela Lava Jato em 2015 por seu envolvimento com o doleiro Alberto Youssef, também fracassou nas urnas ao tentar voltar à Câmara. Vargas chegou a ficar preso entre 2015 e 2018. No domingo, recebeu 34 mil votos e amargou a suplência.

Por outro lado, o ex-deputado João Paulo Cunha, outro antigo condenado no Mensalão, retornará à Câmara após mais de uma década. Disputando uma vaga de deputado federal por São Paulo, foi bem-sucedido ao conseguir 109 mil votos.

Derrotas de grupos

Alguns caciques tentaram se eleger ou não participaram na disputa, mas acabaram vendo seus grupos políticos saírem enfraquecidos das urnas. No Pará, o ex-governador Helder Barbalho (MDB) foi eleito senador, tendo o patriarca da família, Jader Barbalho, como suplente. No entanto, a família viu a sua candidata ao governo do estado, Hana Ghassan (MDB), sair derrotada ainda no primeiro turno pelo Dr. Daniel Santos (Podemos).

O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União), que não disputou a eleição, viu uma derrota mais ampla do seu grupo para rivais bolsonaristas. Seu candidato ao governo do Amapá, Clécio Luís (União), foi derrotado no domingo, apesar da enorme coalizão de 12 partidos e 15 dos 16 prefeitos do Amapá, montados por Alcolumbre.

A derrota também conquistou a disputa pelo Senado, com a candidatura apoiada diretamente por Alcolumbre, Alliny Serrão (União-AP), amargando a quinta colocação.

Derrotas na Câmara

A disputa pela Câmara também se revelou intransponível para vários veteranos do Brasil fora. No Rio de Janeiro, Chico Alencar (Psol), rosto conhecido da política local desde o final dos anos de 1980, não conseguiu se reeleger. O mesmo ocorreu com Tarcísio Motta, um dos fundadores do Psol, que também não vai voltar à Câmara.

Pelo PT, Rui Falcão, ex-presidente da sigla, e o ex-ministro Orlando Silva, não se reelegeram para a Câmara por São Paulo.

Por sua vez, o ex-presidente da Câmara que liderou o impeachment de Dilma Rousseff e depois caiu em desastre, o ex-deputado Eduardo Cunha (Republicanos) fracassou em sua nova tentativa de conquistar um mandato de deputado federal, desta vez por Minas Gerais.

No Paraná, os outros influentes ex-governadores Roberto Requião (PDT) e Beto Richa (PSDB) fracassaram em tentativas de conquista de mandatos na Câmara Federal. A derrota deve encerrar a longa carreira de Requião, ex-prefeito de Curitiba e três vezes governador do Paraná, e que hoje tem 85 anos.

Já Richa, que também foi prefeito da capital e governou o Paraná por dois mandatos, viu a recuperação de sua carreira interrompida neste pleito. Após ser envolvido na Lava Jato em 2018 e sofrer uma derrota humilhante para o Senado no mesmo ano, ele conseguiu se eleger deputado em 2022.

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Com informações da Deutsche Welle (DW)

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