Pesquisa divulgada nesta terça-feira (13) mostra avanço do senador e aumento da rejeição ao presidente; considerados apenas os votos válidos, candidato do PL aparece com 52%, contra 48% do petista

Por Delmo Menezes

O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) aparece numericamente à frente do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) em uma simulação de segundo turno da eleição presidencial, segundo pesquisa BTG/Nexus divulgada nesta terça-feira (13). O parlamentar registra 48% das intenções de voto, contra 45% de Lula. Como a margem de erro é de dois pontos percentuais, os dois candidatos permanecem em empate técnico.

No cenário estimulado, em que os nomes dos candidatos são apresentados aos entrevistados, 5% afirmaram que votariam em branco, nulo ou em nenhum dos dois candidatos. Outros 2% não souberam responder.

O resultado representa uma mudança em relação ao levantamento anterior, realizado antes do primeiro turno. Na ocasião, Lula aparecia com 46% das intenções de voto, enquanto Flávio Bolsonaro registrava 44%. Agora, o senador passou a liderar numericamente a simulação, com três pontos percentuais de vantagem sobre o presidente.

Quando considerados apenas os votos válidos, excluindo brancos, nulos e indecisos, Flávio Bolsonaro alcança 52%, contra 48% de Lula.

A pesquisa ouviu 2.002 eleitores entre os dias 9 e 12 de outubro. A margem de erro é de dois pontos percentuais, com intervalo de confiança de 95%. O levantamento está registrado no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sob o protocolo BR-07997/2026.

Pesquisa espontânea também aponta disputa acirrada

Na modalidade espontânea, em que os entrevistados respondem sem receber uma lista prévia de candidatos, Lula aparece com 46%, enquanto Flávio Bolsonaro registra 44%. A diferença de dois pontos percentuais mantém os dois candidatos em empate técnico.

Nesse cenário, 5% dos entrevistados declararam preferência por nenhum candidato, voto branco ou nulo. Outros 4% não souberam responder ou não quiseram informar sua escolha.

Os números indicam uma disputa ainda aberta, com pequenas diferenças entre os dois candidatos e possibilidade de mudanças na reta final da campanha.

Rejeição de Lula sobe, enquanto a de Flávio recua

Outro dado relevante do levantamento é a evolução da rejeição dos dois candidatos. Segundo a pesquisa, 51% dos eleitores afirmam que não votariam em Lula, enquanto 47% dizem rejeitar Flávio Bolsonaro.

Na comparação com a rodada anterior, a rejeição ao presidente subiu três pontos percentuais, passando de 48% para 51%. Já a rejeição ao senador recuou quatro pontos, de 51% para 47%.

O movimento favorece numericamente Flávio Bolsonaro, que combina avanço nas intenções de voto com redução da rejeição. Lula, por sua vez, enfrenta o desafio de conter o crescimento da resistência ao seu nome e ampliar sua capacidade de atrair eleitores de outros candidatos.

A rejeição, entretanto, não determina isoladamente o resultado eleitoral. A conversão desses números em votos depende também da mobilização das campanhas, da participação dos eleitores e da capacidade de conquistar os indecisos.

Eleitores de Caiado e Zema reforçam candidatura do PL

A pesquisa BTG/Nexus também analisou como os eleitores dos candidatos derrotados no primeiro turno se posicionam na disputa entre Lula e Flávio Bolsonaro.

Entre os eleitores de Ronaldo Caiado (PSD), 55% declaram intenção de votar em Flávio Bolsonaro, enquanto 27% preferem Lula. Outros 11% optam por branco ou nulo, e 7% permanecem indecisos.

O resultado é significativo porque Caiado declarou apoio ao candidato do PL. A transferência de votos, porém, não é automática: parte de seu eleitorado ainda manifesta preferência por Lula ou não pretende escolher nenhum dos dois concorrentes.

O desempenho de Flávio é ainda mais expressivo entre os eleitores de Romeu Zema (Novo). Segundo o levantamento, 80% desse grupo pretendem votar no senador. Brancos e nulos somam 12%, enquanto 8% estão indecisos. Zema também declarou apoio a Flávio Bolsonaro.

Eleitorado de Renan Santos permanece dividido

Entre os eleitores de Renan Santos (Missão), o cenário é mais equilibrado. Flávio Bolsonaro registra 37% das intenções de voto, contra 30% de Lula. Outros 33% afirmam que votarão em branco ou nulo.

Renan Santos recomendou aos seus apoiadores que votem em branco, anulem o voto ou se abstenham no segundo turno. A orientação pode contribuir para manter parte desse eleitorado distante dos dois candidatos, embora a decisão final pertença a cada eleitor.

Já entre os eleitores de Augusto Cury (Avante), 43% declaram intenção de votar em Flávio Bolsonaro, enquanto 41% preferem Lula. Brancos e nulos somam 13%, e 4% não sabem ou não responderam. Cury declarou apoio ao candidato do PL.

Os percentuais divulgados para o eleitorado de Augusto Cury somam 101%, diferença que pode decorrer de arredondamentos dos números apresentados.

Votos dos candidatos derrotados podem influenciar o resultado

No primeiro turno, realizado em 4 de outubro, Augusto Cury obteve 2,89% dos votos válidos; Renan Santos, 2,24%; Ronaldo Caiado, 2,18%; e Romeu Zema, 0,27%. Juntos, os quatro candidatos somaram 7,58% dos votos válidos, correspondentes a mais de 8,7 milhões de votos, segundo os dados informados.

A disputa pelo apoio desses eleitores tornou-se um dos fatores relevantes para o segundo turno. Caiado, Zema e Cury declararam apoio a Flávio Bolsonaro, enquanto Renan Santos recomendou voto branco, nulo ou abstenção.

Os números da BTG/Nexus sugerem que Flávio conseguiu consolidar uma parcela expressiva dos eleitores de Caiado e, sobretudo, de Zema. Entre os apoiadores de Renan Santos, contudo, a opção por branco ou nulo permanece elevada.

A capacidade de transformar os apoios políticos em votos efetivos será determinante para avaliar o impacto dessas alianças no resultado final.

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Da Redação do Agenda Capital

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