
Medida preventiva foi adotada após instabilidades em empresas terceirizadas; compra e venda de ativos digitais continuam funcionando normalmente nas duas plataformas
Por Delmo Menezes
O Nubank (ROXO34) e o Mercado Pago suspenderam temporariamente os serviços de depósitos e saques de criptomoedas nesta sexta-feira (6). Os avisos foram exibidos nos aplicativos das duas instituições financeiras e informam que a interrupção está relacionada a problemas envolvendo fornecedores externos de tecnologia, dados e segurança.
A medida preventiva afeta as transferências de criptoativos entre as plataformas e carteiras externas, mas não interrompeu as negociações de compra e venda. Segundo as empresas, os ativos dos clientes permanecem protegidos e os serviços serão normalizados assim que os problemas forem solucionados.
Em comunicado, o Nubank informou que a suspensão foi motivada por uma instabilidade em um fornecedor externo de dados. A instituição ressaltou que o problema não comprometeu sua infraestrutura própria e garantiu que os ativos dos clientes continuam seguros.
Embora não tenha identificado publicamente a empresa envolvida, informações disponíveis na área de suporte do aplicativo apontam a Fireblocks como responsável pela custódia dos ativos digitais. A NuCripto, funcionalidade que permite negociar criptomoedas pelo aplicativo, prevê a participação de empresas terceirizadas em serviços de custódia, gestão e fornecimento de liquidez.
A plataforma oferece negociação de diferentes ativos digitais, entre eles bitcoin, ethereum, solana, XRP e a stablecoin USDC. O Nubank informou que acompanha a situação junto ao fornecedor e que as operações de saque e depósito serão retomadas assim que houver restabelecimento dos serviços.
Mercado Pago também restringe transferências
No Mercado Pago, a suspensão foi adotada como medida preventiva após um incidente envolvendo um fornecedor responsável por serviços de monitoramento de risco e prevenção à lavagem de dinheiro.
A instituição bloqueou temporariamente parte das transferências de criptomoedas para carteiras externas. Os depósitos recebidos durante o período de instabilidade poderão apresentar atrasos, mas, conforme a empresa, serão creditados automaticamente quando o sistema voltar a funcionar.
O Mercado Pago afirmou que monitora a situação em tempo real e que as operações de compra e venda de ativos digitais permanecem disponíveis normalmente.
O aplicativo oferece mais de 15 criptomoedas, incluindo bitcoin, ethereum, XRP, solana e Pax Gold, além do Meli Dólar, stablecoin vinculada ao ecossistema do Mercado Livre. A custódia dos ativos é realizada pela plataforma Paxos.
Suspensões ocorrem em meio a ataques no setor
As instabilidades registradas no Nubank e no Mercado Pago ainda não foram relacionadas a ataques cibernéticos ou a falhas de segurança nas próprias instituições. Entretanto, os episódios acontecem em um momento de preocupação no mercado de criptoativos, após recentes invasões envolvendo grandes plataformas de negociação.
Em 29 de outubro, a Binance foi alvo de um ataque hacker que, segundo as informações divulgadas, resultou no desvio não autorizado de aproximadamente US$ 6,3 bilhões. A empresa de análise de blockchain Chainalysis atribuiu a ação ao grupo TraderTraitor, associado à Coreia do Norte. Na ocasião, os saques ficaram suspensos por 58 horas, até a retomada dos serviços.
Outro episódio ocorreu em 2 de novembro, quando a corretora brasileira Mercado Bitcoin registrou um ataque cibernético com prejuízo estimado em US$ 49 milhões. As movimentações suspeitas foram identificadas pela empresa de segurança Hypernative e envolveram diferentes redes, como bitcoin, ethereum, solana e tron.
Após o incidente, o Mercado Bitcoin informou que o acesso às contas dos clientes será restabelecido gradualmente a partir da próxima segunda-feira (9). Inicialmente, o acesso será disponibilizado apenas pelo site e permitirá consultas de saldos, extratos, patrimônio e investimentos. Saques, transferências e negociações serão liberados posteriormente, em etapas.
Diante da sequência de ocorrências, o CEO da OKX Brasil, Guilherme Sacamone, classificou o cenário como um dos mais preocupantes para o ecossistema de criptoativos e destacou a importância da cooperação entre as empresas do setor para fortalecer os mecanismos de proteção e segurança.
Os episódios reforçam a atenção sobre a dependência de fornecedores terceirizados e a necessidade de estruturas robustas de monitoramento, custódia e proteção das operações envolvendo moedas digitais.
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Da Redação do Agenda Capital







