O vice-presidente Geraldo Ackmin (PSB) e o presidente Lula (PT).

Alckmin pode ser o ‘ungido’ de Lula para as próximas eleições. Em recente entrevista, o presidente sinaliza aposentadoria

Por Delmo Menezes

A possibilidade de o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) indicar o vice-presidente Geraldo Alckmin como candidato à Presidência da República em 2026 ganhou força nos últimos dias, após declarações do petista sobre sua saúde e a falta de um “plano B” claro para sua sucessão no PT. A situação se agrava diante da queda na popularidade de Lula, revelada por recente pesquisa Datafolha divulgada na sexta-feira (14/02), que apontou o pior índice de aprovação de todos os seus mandatos.

Em entrevista semana passada, Lula falou abertamente sobre sua idade e saúde, deixando em aberto a possibilidade de não concorrer em 2026. “2025 é meu ano. Agora, se eu vou aposentar ou não… Eu tenho 79 anos, não posso mentir para ninguém nem para mim. Se eu tiver 100% de saúde, como estou hoje, poderei enfrentar mais uma eleição”, disse o presidente. Ele também comentou sobre seus recentes problemas de saúde, afirmando que, se estiver “legal”, pode ser candidato, mas que essa não é uma prioridade no momento.

As declarações de Lula acenderam um alerta no PT, que ainda não tem um nome consolidado como sucessor natural do presidente. A pesquisa Datafolha mostrou que a avaliação positiva de Lula caiu 20 pontos entre seus próprios eleitores, atingindo o pior patamar de aprovação em todas as suas três gestões no Palácio do Planalto. A queda foi generalizada, mas especialmente acentuada entre católicos (14 pontos) e evangélicos (5 pontos), grupos importantes na base de apoio do governo.

O líder do governo no Congresso, senador Randolfe Rodrigues (PT-AP), minimizou a situação, afirmando que o governo enfrentou uma “tempestade perfeita” com o aumento do dólar, a inflação e a crise do PIX, mas que o pior momento já passou. “O prognóstico é melhor que o diagnóstico. Com as medidas que o governo vai anunciar, vamos melhorar”, disse.

No entanto, a queda na popularidade de Lula e a falta de um “plano B” claro para 2026 têm gerado preocupação no PT. Até então, o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, era visto como o nome natural para sucessão de Lula. No entanto, a alta da inflação, a valorização do dólar e a crise do PIX enterraram suas chances de concorrer à Presidência novamente.

Nesse cenário, o nome de Geraldo Alckmin (PSB), atual vice-presidente e ex-governador de São Paulo, ganhou destaque nos bastidores. Alckmin, que foi adversário de Lula em eleições passadas, é visto como uma figura capaz de unir diferentes espectros políticos, incluindo o centrão, a centro-direita e até parte da esquerda. Sua experiência política e perfil moderado poderiam atrair eleitores que hoje se mostram insatisfeitos com o governo.

A indicação de Alckmin como candidato em 2026 seria uma jogada estratégica de Lula, que busca garantir a continuidade de seu projeto político mesmo sem concorrer pessoalmente. A escolha de Alckmin também poderia facilitar a governabilidade, já que ele tem trânsito livre entre diferentes partidos e setores da sociedade.

No entanto, como bem lembrou o saudoso político Magalhães Pinto:  “Política é igual uma nuvem, volta olha está de um jeito. Olha de novo e já mudou“. A situação pode se transformar rapidamente, especialmente considerando os desafios econômicos e políticos que o governo ainda precisa enfrentar.

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Da Redação do Agenda Capital

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