DF têm abstenção recorde de eleitores em 2018. Percentual foi de 18,73%

Foto: Reprodução

Um total de 389 mil brasilienses, segundo a Justiça Eleitoral, não compareceu aos locais de votação no último domingo (7/10)

Por Redação

O fim da apuração das urnas revelou números inéditos no Distrito Federal. De acordo com o Tribunal Regional Eleitoral (TRE-DF), 389.826 brasilienses aptos a votar abriram mão de participar do processo eleitoral de primeiro turno no último domingo (7/10). O percentual de abstenção chegou a 18,73%, o maior da história da capital da República.

Somadas as abstenções aos brancos e nulos, o número de votos “perdidos” chega a 570.750 – 27,42% do total. Ou seja, mais de um quarto dos eleitores brasilienses não votaram ou optaram por não escolher nenhum dos 11 candidatos na disputa pelo Palácio do Buriti.

O índice é bem maior do que o observado no primeiro turno das eleições anteriores. Em 2014, 19,35% dos votos possíveis foram perdidos. Naquele ano, a abstenção foi de 11,66%.

A quantidade dos chamados “votos perdidos” é suficiente para desequilibrar o resultado do segundo turno. O número supera, e muito, o de pessoas que optaram pelo candidato à reeleição ao Governo do Distrito Federal (GDF), Rodrigo Rollemberg (PSB). O socialista foi a escolha de 210.510 eleitores. Já Ibaneis Rocha (MDB) conquistou 634.008 votos.

Compare a abstenção do primeiro turno das eleições no DF:

2018 – 18,73%
2014 – 11,66%
2010 – 15,44%
2006 – 13,88%
2002 – 15,43%
1998 – 15,49%
1994 – 13,85%

Avaliação de especialistas
O professor emérito de ciência política da Universidade de Brasília (UnB) David Fleischer aponta para as dificuldades de se “recuperar” esses votos, ou seja, de os candidatos conseguirem convencer esses eleitores.

“Além da falta de interesse pelas eleições, nós temos no DF, quando o assunto é abstenção, a movimentação natural das pessoas. Muita gente se muda da cidade”, apontou.

Para Fleischer, a redução do número de candidatos e o acirramento da disputa poderia provocar o engajamento dos eleitores que não se envolveram no primeiro turno. “Mas, no segundo turno para o GDF, não vejo muita polarização capaz de mobilizar quem está desacreditado. É um cenário diferente, por exemplo, bem diferente do que vemos nas eleições para presidente”, ponderou.

Já o especialista em direito eleitoral Bruno Beleza aponta que o Distrito Federal teve agora um primeiro turno bastante distinto do visto nas eleições anteriores. “Além das abstenções, outra tendência que observamos é a renovação, tanto no Legislativo local quanto no federal. Há uma falta de interesse tanto pela política quanto pelos políticos tradicionais”, afirmou.

O cientista político e especialista em políticas públicas pela UnB Emerson Masullo apontou outra possível causa para o aumento de abstenções: poucas informações prestadas aos cidadãos pela Justiça Eleitoral diante de dúvidas como a biometria e segunda via do Título de Eleitor. “A intensidade dos alertas não foi tão grande quanto a de anos anteriores. Vimos, no dia de votação, longas filas, dificuldades com as novas tecnologias. Muita gente desistiu”, disse.

Rejeição a Rollemberg muito maior do que a de Ibaneis
Nesse cenário de rejeição aos políticos tradicionais, a candidatura de Ibaneis ganhou força. Praticamente desconhecido pela população, o ex-presidente da Ordem dos Advogados do Brasil Seccional Distrito Federal (OAB-DF) iniciou a campanha com apenas 2% das intenções de voto, segundo pesquisas feitas em agosto.

No resultado final do primeiro turno, divulgado na noite de domingo (7/10), Ibaneis conquistou 41,97% da preferência dos eleitores, contra 13,94% de Rollemberg. A rejeição do emedebista também sempre foi baixa, de acordo com institutos como o Datafolha e o Ibope.

No último levantamento Datafolha antes do primeiro turno, divulgado no sábado (6), Rollemberg, com 49%, era o mais rejeitado pelo eleitorado brasiliense. Ibaneis tinha um dos menores percentuais: 18%.

Da Redação com informações do Metrópoles

DEIXE UMA RESPOSTA

Please enter your comment!
Please enter your name here