Relacionamento conjugal: Por que tantas mulheres ainda topam ficar com homens que não valem a pena?

Homens ciumentos. Foto: Reprodução

Por Heloisa Noronha

 Uma relação complicada e/ou abusiva, na maioria das vezes, não se torna infeliz de uma hora para outra. Há vários indícios, desde o começo, que sinalizam que aquela pessoa não é a certa para você. De impressões sobre o cara ser um tremendo boy lixo – está sempre enrolado com dívidas, é egoísta na cama, se comporta com grosseria etc. – até questões pessoais que vão da incerteza se é melhor ou não ficar sozinha até a sensação de que o romance é ruim como os anteriores, as evidências vão sendo ignoradas em prol das aparências. Infelizmente, na ânsia de levar o relacionamento a outro nível – para um compromisso mais “firme” como o casamento, por exemplo – muitas mulheres acabam ignorando as pistas de que tudo aquilo, mais cedo ou mais tarde, vai fazê-las sofrer.

Esse processo, no entanto, nem sempre é consciente. Segundo Valéria Cavallari, psicóloga e psicoterapeuta transpessoal de São Paulo (SP), tudo começa com um forte sentimento de que “agora vai dar certo”. Não que o sujeito em questão desperte uma paixão alucinada, mas ele remete à segurança e a mulher se sente cuidada e protegida. “Ela até percebe algumas questões nele não são tão legais, mas acredita que são pouco importantes. Até porque o comportamento dele, de maneira geral, compensa essas ‘pequenas coisas’ que, então, começam a ser sublimadas”, comenta.

Apesar do sexo não ser tão bom assim, apesar dele fazer cobranças meio machistas e ciumentas, apesar de não apoiar o seu desenvolvimento profissional e pessoal, desmerecer e desvalorizar suas opiniões, questioná-la, confundi-la… Apesar de todas essas pistas, algumas mulheres veem a relação caminhar e até fazem planos para um futuro que, embora não queiram enxergar, se anuncia sombrio.

Por quê? O que faz alguém permanecer numa relação em que há tantos problemas? Por que tanta dificuldade em dizer “não”, colocar limites, dar um basta e escolher alguém que realmente queira compartilhar amor, carinho e respeito? Para Valéria, uma das explicações é o medo do abandono. “Algumas mulheres cresceram fortemente traumatizadas por uma infância cheia de faltas, numa família desestruturada, com pais ausentes.

Ao longo do tempo, sentiram-se desprotegidas. E, ao encontrar alguém que pode ser a representação de todas essas coisas que sempre buscaram em suas vidas, sentem como se nada mais fosse tão importante. Mal conseguem perceber o abismo e a sabotagem que suas próprias mentes as colocaram”, explica a especialista. Não se dão conta, inclusive, de que existe o risco de repetir os padrões da infância.

Outras, que tiveram uma infância pobre e cheias de privações, podem desenvolver um medo terrível de reviver esses momentos tristes e, quando encontram um homem capaz de lhes dar uma vida com conforto e próspera, acabam se submetendo ao seu jeito por medo de não conseguirem se manterem. “Por outro lado, há aquelas que se sustentam financeiramente, mas trazem outros tipos de trauma que a fizeram amadurecer muito cedo. Assim, tudo o que desejam é ter sua própria família feliz, como uma tentativa de consertar um passado que nem de longe foi, minimamente, feliz. Essas mulheres, quando encontram um homem capaz de lhe dar uma família, vão passar por cima de tudo só para compor um cenário que nunca viveu”, diz Valéria.

De maneira geral, no entanto, quando uma mulher finge não perceber os problemas de seus relacionamentos e os joga para baixo do tapete é conduzida por motivos inconscientes que precisam vir à tona para serem cuidados, sob pena de nunca se resolverem e ficarem sendo repetidos em todas as relações.

Segundo Valéria Cavallari, ninguém fica numa relação ruim e problemática se não estiver tendo algum tipo de ganho. “O problema é que este ganho é secundário, não real. O que seria o ganho real? Estar consciente de que é merecedora de uma pessoa que a respeite, a admire e faça uma troca justa de amor e carinho”, informa. Permitir-se entrar em contato com a dor, se propor a se responsabilizar pela sua própria vida, cuidar de si mesma, elevar sua autoestima e buscar o amor próprio não são atitudes fáceis, exigem esforço, mas são libertadoras.

Tipos para prestar a atenção

De acordo com a psicóloga clínica Joselene L. Alvim, de Presidente Prudente (SP), quando o cara não vale a pena há alguns indícios que devem ser observados. “Do contrário, não haverá equilíbrio na relação. E deixar pro tempo resolver isso é uma forma de não encarar a realidade e o prejuízo é certo”, pontua. Vamos aos principais:

Venha a nós e ao vosso reino, nada

A mulher é parceira, romântica, atenciosa, faz inúmeros favores ou realiza os desejos do par, como assistir o filme que ele quer ou ir ao restaurante que ele deseja. O sujeito? Não corresponde nem à metade dos desejos dela. Pense: o início da relação é a fase em que os parceiros mais investem pra seduzir o outro. Se um dá muito pouco, não tente se iludir e achar que trata-se de uma uma fase, ele é tímido etc. Não é. O cara é assim mesmo.

O pão-duro

Não há nada de errado em dividir contas. Entretanto, há aqueles homens que além de acharem tudo caro, preferem ficar em casa vendo filme, fazendo jantarzinho. Detalhe: na SUA casa, com os ingredientes da SUA dispensa comprados com o SEU dinheiro. Fácil, né? Abra o olho.

Grosseria é o sobrenome dele

Não se trata de um dia difícil que o cara teve: ele vive de cara feia, tem sempre uma resposta ríspida na ponta da língua, maltrata o garçom e o manobrista, não faz a menor questão de ser gentil com seus pais os amigos. Conforme os dias passam, você vai se sentindo retraída e humilhada em público. Para quê?

Não se preocupa com o seu prazer na cama

Ele quer pular logo a fase das preliminares, faz pouco sexo oral em você (mas espera que você fique horas lá embaixo), não se segura até você gozar… Mesmo que você ache o sexo bom, sempre sente uma pontada de incômodo depois que termina. Às vezes, parece uma sensação de vazio. Acorda: você não está nem um pouco satisfeita e esse cara é um tremendo egoísta.

O ciumento

Ele reclama da sua roupa, do seu batom, das suas amigas, reclama que aquele colega de trabalho está de olho em você, quer controlar seus horários… O que pode parecer uma forma de cuidado e carinho, não é. Você pode estar diante de um abusador, que a tornará refém desse relacionamento.

Da Redação com informações do site UOL /Universa

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