O empate escancara uma deficiência recorrente dos clubes brasileiros: a falta de repertório ofensivo quando o adversário fecha os espaços
Por Redação
Na estreia do inédito Mundial de Clubes organizado pela Fifa, o Palmeiras foi superior ao Porto em praticamente todos os aspectos — menos no mais importante: o placar. Com domínio tático, físico e técnico, o time de Abel Ferreira empilhou chances, mas não conseguiu balançar as redes no empate sem gols diante dos portugueses, neste domingo (15), no Metlife Stadium, em Nova Jersey (EUA), diante de mais de 46 mil torcedores — maioria verde e branca.
O roteiro já é conhecido por quem acompanha o futebol brasileiro. Volume de jogo, posse de bola, superioridade territorial, finalizações — mas pouca efetividade. Faltou aquilo que há tempos parece ausente nos clubes do país: a ousadia do chute de média distância. O Palmeiras rondou a área adversária durante os 90 minutos, mas insistiu em jogadas infiltradas e triangulações que esbarraram na defesa bem postada do Porto e nas defesas do goleiro reserva Cláudio Ramos, que substituiu o lesionado Diogo Costa.
Domínio sem resultado
O primeiro tempo mostrou um Palmeiras agressivo, pressionando a saída de bola portuguesa com um esquema 3-5-2 bem encaixado. O Porto teve dificuldades para sair jogando, e o time brasileiro criou pelo menos cinco chances claras de gol. Destaque para Estêvão, que teve duas boas oportunidades, e para o lance em que Richard Ríos quase marcou, mas a zaga salvou em cima da linha.
Apesar do bom volume de jogo, o Verdão pecou na hora da finalização. As melhores chances vieram de jogadas trabalhadas pelas pontas e de infiltrações curtas — e não de arremates de fora da área, opção que poderia ter furado o bloqueio português em vários momentos.
No segundo tempo, o ritmo caiu, também por conta da atuação confusa do árbitro hondurenho Said Martinez, que paralisou o jogo repetidamente. Abel Ferreira, irritado, foi advertido com cartão amarelo. O técnico do Palmeiras mexeu bem: Paulinho, Veiga, Allan e Flaco López deram novo gás à equipe, que voltou a pressionar no fim.
Quase, mas não foi
O Palmeiras encurralou o Porto nos minutos finais. Allan e Flaco López quase marcaram, e Murilo acertou a trave. Apesar da pressão, a bola teimou em não entrar, e o empate sem gols soou frustrante para uma equipe que, em campo, teve desempenho digno de vitória.

Velho problema
O empate escancara uma deficiência recorrente dos clubes brasileiros: a falta de repertório ofensivo quando o adversário fecha os espaços. O Palmeiras rondou a área o tempo todo, mas finalizou pouco de fora. A insistência em entrar com bola dominada, mesmo contra defesas compactas, continua sendo um vício difícil de corrigir.
Em um torneio curto e equilibrado como o Mundial, eficiência e pragmatismo fazem a diferença. E isso inclui não ter medo de arriscar de longe.
Próximos compromissos
Na próxima quinta-feira (19), o Palmeiras encara o Al-Ahly, do Egito, às 13h (de Brasília), novamente no Metlife Stadium. Já o Porto enfrenta o Inter Miami, de Messi, no mesmo dia, em Atlanta. Nenhuma equipe do Grupo A venceu ou sequer marcou gols na primeira rodada — o que mantém o grupo totalmente aberto, mas também pressiona por um resultado mais efetivo na próxima partida.
Se quiser sonhar com o título inédito, o Verdão vai precisar converter domínio em gols. E, quem sabe, redescobrir a força de um bom chute de fora da área.
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Da Redação do Agenda Capital






