
A Secretaria de Saúde inicia mobilização para uso de mosquitos inoculados com bactéria Wolbachia; lançamento está previsto para agosto
Por Redação
A Secretaria de Saúde do Distrito Federal (SES-DF) deu início a um ciclo de capacitações para agentes comunitários de saúde e vigilância ambiental sobre uma inovadora estratégia de combate à dengue: a liberação de mosquitos Wolbito, variedade do Aedes aegypti portadora da bactéria Wolbachia, que reduz a transmissão de doenças como dengue, zika, chikungunya e febre amarela.
Na última quinta-feira (17/07), cerca de 150 profissionais se reuniram no Centro Cultural de Planaltina para entender a metodologia e esclarecer dúvidas sobre a iniciativa, que será implementada a partir de agosto em regiões prioritárias do DF.
Como Funciona a Técnica Wolbachia?
A Wolbachia é uma bactéria naturalmente presente em mais de 50% dos insetos, mas não no Aedes aegypti selvagem. Quando introduzida nesses mosquitos, ela bloqueia a multiplicação dos vírus responsáveis pela dengue e outras arboviroses, tornando-os menos eficientes na transmissão.
Além disso, a bactéria é passada para as próximas gerações de mosquitos, o que permite que, ao longo do tempo, os Wolbitos substituam a população local de Aedes aegypti comum, reduzindo a incidência de doenças.

Diferenciais da estratégia:
✅ Não envolve modificação genética –
os mosquitos são apenas infectados com a bactéria.
✅ Seguro para humanos e
animais – a Wolbachia não é transmitida a mamíferos.
✅ Autossustentável –
após a liberação, a bactéria se espalha naturalmente entre os mosquitos 28.
Regiões prioritárias e cronograma
Os Wolbitos serão liberados em 10 regiões administrativas do DF, selecionadas por seu histórico de alta incidência de dengue:
- Brazlândia
- Sobradinho II
- São Sebastião
- Fercal
- Estrutural
- Varjão
- Arapoanga
- Paranoá
- Planaltina
- Itapoã.
A primeira soltura está prevista para a segunda quinzena de agosto, com expectativa de que, já no período chuvoso, haja uma redução significativa na população de mosquitos transmissores.
Preparação dos Agentes e Produção Local
Os mosquitos utilizados no projeto são adaptados à realidade do DF – ovos de Aedes aegypti foram coletados no território e cruzados em laboratório para gerar os Wolbitos, que serão produzidos no Núcleo de Controle Químico e Biológico da SES-DF, no Guará.
Além do DF, os municípios goianos de Valparaíso e Luziânia também receberão os mosquitos, em uma ação integrada com o Ministério da Saúde e a Fiocruz.
Impacto Esperado e Declarações
A chefe do Núcleo de Vigilância Epidemiológica da Região Norte, Maria de Lourdes Masukawa, destacou a importância do investimento em estratégias inovadoras:
“O poder público acerta quando investe em ações de combate à dengue. Há um impacto social e econômico muito grande quando as pessoas adoecem”, afirma Maria de Lourdes.
Já Alcir Galdino, diretor de Atenção Primária da Região Norte, ressaltou a receptividade dos profissionais:
“Vai fazer diferença na vida da população. E é importante os servidores terem conhecimento atualizado, pois as famílias confiam muito no conhecimento dos profissionais de saúde”, pontua Alcir
Sucesso em Outros Países
A estratégia foi pioneira na Austrália (2011) e já foi aplicada com sucesso em 11 países, incluindo o Brasil, onde cidades como Niterói (RJ) registraram queda de 70% nos casos de dengue após a implementação.
A capacitação dos agentes marca o início de uma nova fase no combate à dengue no DF, combinando inovações científicas com o trabalho de campo dos profissionais de saúde. Com a liberação dos Wolbitos, a expectativa é de uma redução significativa nas arboviroses, beneficiando milhares de brasilienses.
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Da Redação do Agenda Capital




