Inaugurado primeiro hotel social do Distrito Federal com capacidade para 200 vagas Foto: Renato Alves/Agência Brasília.

Além da infraestrutura completa, o hotel também contará com quartos individualizados para atender grupos minoritários e pessoas com doenças infectocontagiosas, garantindo segurança e respeito às especificidades de cada hóspede

Por Redação

O Governo do Distrito Federal (GDF) inaugurou nesta quarta-feira (23) o primeiro hotel social da capital federal, localizado na Asa Sul. O espaço, voltado ao acolhimento da população em situação de rua, possui capacidade para até 200 pessoas por noite e é o único do país que também permite o abrigo de animais de estimação dos usuários. A iniciativa representa um investimento anual de R$ 7,4 milhões e marca um avanço significativo na política de assistência social do DF.

A nova estrutura funcionará das 19h às 8h, oferecendo pernoite, banho quente, jantar e café da manhã. A gestão ficará sob responsabilidade de uma Organização da Sociedade Civil (OSC). A proposta é mais do que um abrigo: é uma política pública estruturada para promover dignidade, reinserção social e acesso a outros serviços essenciais.

Durante a inauguração, o governador Ibaneis Rocha destacou a mudança de paradigma no atendimento à população vulnerável. “É uma vitória oferecer dignidade a quem vive nas ruas. Esse espaço é resultado de um trabalho que começou ainda na pandemia e, apesar das dificuldades e resistências enfrentadas, conseguimos entregar um projeto que dá esperança e oportunidade de recomeço a essas pessoas”, declarou.

Além da infraestrutura completa, o hotel também contará com quartos individualizados para atender grupos minoritários e pessoas com doenças infectocontagiosas, garantindo segurança e respeito às especificidades de cada hóspede. Um canil também foi instalado para receber os pets dos usuários, reforçando o compromisso com uma política de acolhimento mais humanizada.

Ônibus sairão diariamente da Rodoviária do Plano Piloto e do Centro Pop (Centro de Referência Especializado para População em Situação de Rua) para facilitar o acesso ao hotel social.

Inaugurado primeiro hotel social do Distrito Federal com capacidade para 200 vagas. Foto: Renato Alves/Agência Brasília.

Para o secretário-chefe da Casa Civil, Gustavo Rocha, coordenador do Plano de Ação para a Efetivação da Política Distrital para a População em Situação de Rua, o hotel representa uma porta de entrada para outras iniciativas. “A ideia não é apenas tirar as pessoas das ruas temporariamente, mas oferecer um caminho para que elas recuperem sua autonomia e possam voltar ao mercado de trabalho”, explicou.

A secretária de Desenvolvimento Social, Ana Paula Marra, complementou que o novo modelo de acolhimento será estratégico para a reinserção social. “O objetivo é garantir uma ‘dignidade noturna’, para que, a partir disso, possamos trabalhar outras frentes, como capacitação profissional e apoio psicossocial”, afirmou.

A primeira-dama do DF, Mayara Noronha Rocha, destacou a integração das políticas públicas no espaço. “Aqui também realizaremos ações como a Campanha do Agasalho, unindo acolhimento a iniciativas solidárias e de capacitação.”

A vice-governadora Celina Leão também esteve presente e ressaltou o simbolismo da inauguração. “Dar dignidade a quem vive nas ruas é reconhecer sua humanidade. O hotel social é uma estrutura, mas também um marco de empatia e compromisso com a transformação de vidas.”

O hotel social chega logo após o encerramento do abrigo emergencial contra o frio, no CIEF da 907 Sul, que atendeu mais de 6,6 mil pessoas em dois meses. Agora, o GDF estuda a instalação de uma nova unidade nas regiões de Ceilândia, Taguatinga e Sol Nascente, com o objetivo de expandir a política de acolhimento.

Desde maio deste ano, o Distrito Federal conta com o Plano de Ação para a Efetivação da Política Distrital para a População em Situação de Rua, construído com apoio do Supremo Tribunal Federal (STF) e do Ministério Público. O DF foi a primeira unidade da Federação a formalizar esse plano, que prevê ações regulares de acolhimento, inclusão social e tratamento a dependentes químicos — como o programa Acolhe DF, instituído por decreto neste mês.

A iniciativa do hotel social é um exemplo concreto de como políticas públicas podem ser articuladas para transformar vidas, oferecer novas oportunidades e garantir um futuro mais digno à população em situação de vulnerabilidade.

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Da Redação do Agenda Capital

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